FII: dividendos recuam 13% em março puxado pelos shoppings, analisa XP

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
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Crédito: Aliance (ALSO3), JHSF (JHSF3), BR Malls (BRML3) alteram horário de funcionamento de shoppings

O pagamento de dividendos recuou 13% em março ante fevereiro puxado principalmente pela suspensão de pagamento de alguns fundos de shopping centers.

A análise pertence à XP Investimentos que utilizou o IFIX para medir o setor. Trata-se de um índice BM&FBOVESPA para os Fundos de Investimentos Imobiliários.

Essa queda é resultado dos efeitos do coronavírus na economia real. Ou seja, uma das medidas de contenção da pandemia foi a paralisação das atividades comerciais e industriais.

Segundo a XP, em razão da crise do Covid-19 o IFIX sofreu a maior queda mensal dos últimos anos, sendo menos 16% no mês.

Essa baixa é reflexo não só do movimento de aversão ao risco, mas também da precificação dos possíveis impactos operacionais.

“Apesar de todos os segmentos terem apresentado quedas no mês, os segmentos de hotéis e shopping centers sofreram as maiores baixas: menos 27% e menos 24%, respectivamente.”

Isso porque o Brasil, assim como outros países, passa por uma crise de saúde pública e econômica sem precedentes em decorrência do aumento do contágio.

“No mês de março, vimos a maior desvalorização mensal do IFIX dos últimos anos, menos 16% no mês”, informou a XP.

Entre os segmentos de fundos imobiliários mais impactados, conforme a gestora, estão os de hotéis e de shopping centers devido ao fechamento das operações comerciais consideradas não essenciais e as recomendações de isolamento social pelos órgãos responsáveis.

“Os dois segmentos sofreram as maiores correções nos preços em março, com quedas de menos 27% e menos 24%, respectivamente. Enquanto isso, segmentos de varejo e recebíveis apresentaram as menores quedas do índice, aproximadamente menos 12%”, disse.

De acordo com a XP, é possível observar os primeiros impactos operacionais e financeiros dos fundos imobiliários, principalmente no que tange a distribuição de dividendos.

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Todos os segmentos

Para a XP, todos os fundos imobiliários foram e serão ainda mais afetados pelo movimento de aversão ao risco devido à crise do coronavírus.

“Mesmo que em magnitudes muito diferentes, todos os segmentos de fundos imobiliários deverão ser afetados e acreditamos que seus efeitos estão parcialmente precificados nos papéis”, informou a gestora.

E acrescentou: os fundos de shoppings e hotéis sofreram grandes correções, uma vez que os shoppings devem permanecer fechados nas próximas semanas, assim como os hotéis devido a queda da taxa de ocupação em razão do isolamento social e cancelamento de viagens.

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E diz mais: “dado os impactos operacionais no curto e médio prazo, os segmentos que sofreram as maiores desvalorizações frente ao seu valor patrimonial foram os de hotéis e shopping centers, que atualmente negociam com grande desconto ao seu valor patrimonial.”

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Baixa visibilidade

Em razão da baixa visibilidade dos impactos do coronavírus nos resultados operacionais, conforme a XP, uma parte dos fundos suspendeu sua política de pagamento mensal de dividendos, enquanto outros reduziram consideravelmente a sua distribuição.

“O pagamento de dividendos dos fundos de shoppings caiu, em média, 61% contra o mês de fevereiro e acreditamos que os dividendos devem continuar pressionados ao longo dos próximos meses”, informou.

Vale destacar, ainda, que os fundos de ativos logísticos e lajes corporativas, que devem ser menos impactados pelos efeitos do coronavírus, mantiveram suas políticas de distribuição, reportando poucas diferenças em relação ao mês anterior.

“No entanto, não descartamos a possibilidade de queda nos pagamentos de dividendos caso a crise se prolongue e os seus inquilinos comecem a enfrentar maiores dificuldades financeiras.”

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