“Ou sento e choro ou me reinvento”, diz CEO da Via Varejo sobre a crise

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Divulgação/Via Varejo

Diante da pandemia de Covid-19 e da ameaça de ver colaboradores e clientes infectados pelo vírus, a Via Varejo (VVAR3) decidiu fechar todas as suas lojas físicas do país no dia 21 de março, um sábado.

Com a decisão, a empresa sabia que estava comprometendo 70% de seu faturamento. “Ou nós sentávamos e chorávamos, ou reinventávamos a empresa”, conta o CEO da companhia, Roberto Fulcherberguer. A segunda opção foi a escolhida.

Em live realizada pela XP Investimentos nesta segunda-feira (27), Fulcherberguer contou como conseguiu reverter o prejuízo.

No meio da crise, Casas Bahia e Ponto Frio, as duas marcas da Via Varejo, descobriram uma terceira modalidade de venda. Via whatsapp, mas com o atendimento do vendedor de loja.

A fórmula, revela o CEO, foi usar a tecnologia para aproximar o vendedor que estava em quarentena em casa com o cliente que queria ajuda para comprar online.

“Me chama no zap”

“A crise nos fez descobrir uma nova modalidade que, certamente, vai ficar. Não é venda online ou venda em loja física. Digo que é venda!”, afirma.

A novidade já está confirmada para o pós-coronavírus. “Nas lojas, tem horários em que o vendedor está sem cliente. Ele vai poder, via celular, continuar atendendo pelo whatsapp”, projeta.

O “Me Chama no zap”, a modalidade a que Fulcherberguer se refere, começou com mil vendedores atendendo via whatsapp de suas casas. Agora, já são 7 mil. Com isso, a Via Varejo conseguiu reverter os 70% que teria de prejuízo para 48%.

“Em alguns dias, alcançamos de 60% a 70% do que seria um dia de vendas com lojas físicas abertas normalmente”, revela.

“Tem o caso de uma senhora que vive na zona rural e é nossa cliente há anos. Mas ela nunca tinha feito uma compra online. Ficou com dificuldade, clicou no ‘Me chama no zap’. A vendedora que a atendeu não só finalizou a compra por ela como se disponibilizou a recebeu o produto na sua própria casa e foi de moto levar os três ventiladores que havia vendido”, narra.

“Uma das coisas mais importantes que esse vírus mostrou para o Brasil é que o país não é a Faria Lima. O país é diverso, tem muitas realidades. E a tecnologia é uma grande ferramenta para diminuir distâncias e desigualdades”, enfatizou o CEO do Google, Fabio Coelho, que também participou da live.

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“Estamos em um momento de distanciamento social, em que a internet vem tendo um papel essencial. Ao ajudar o brasileiro a se digitalizar, você permite que ele tenha acesso a produtos, a serviços, a informação, a opções de lazer e entretenimento e a ferramentas que são oportunidades de negócios”, diz Fabio Coelho.

Improvisos que são oportunidades

Fulcherberguer revelou também que o “Me chama no zap” já está em sua terceira versão. Mas que a primeira delas foi concluída em apenas quatro dias. “Certamente não era a melhor plataforma que tínhamos, mas era o que podíamos fazer diante do imprevisto do momento”, conta.

“Brasileiro se adapta e improvisa e temos que valorizar isso sim na nossa cultura”, complementa Coelho.

Tendo o Google como parceiro, a Via Varejo afirma usar as ferramentas do Google Analytics para conhecer mais a fundo os 10 milhões de clientes da sua base de CRM (Customer Relationship Management).

“Hoje eu consigo que meu vendedor conheça a fundo o cliente. Como era a relação nas antigas vendinhas, em que todo mundo se conhecia. Na venda online eu consigo saber o histórico de compras do cliente e antever suas necessidades. ‘Será que não está na hora de trocar aquela tevê que te vendi dois anos atrás, seu José?’. Essa proximidade, nos dias de hoje, só a tecnologia permite”, afirma.

Via Varejo

Compra da ASAPlog

Nesta segunda-feira, a Via Varejo concretizou a aquisição da ASAPlog, empresa de tecnologia em entregas.

Sobre a compra, Fulcherberguer definiu a startup como “o Uber das entregas”. Salientou que economizou 15 meses de trabalho da área de desenvolvimento da Via Varejo. E que vai garantir fretes mais baratos e maior efetividade nas entregas.

“Em algumas localidades, a pessoa vai fazer a compra online e vai receber o produto em menos de 20 minutos”, adiantou.