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Os tesouros dos fundos de títulos

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A mensagem de hoje pode ser trivial para alguns; mas é de suma importância para gestão de uma boa e saudável carteira de investimentos. O que se segue, na verdade, é um complemento às duas primeiras news.

Muitos dos clientes EQI e dos investidores em geral ainda se confundem com os fundos de investimentos e sobre quais ativos compõem suas carteiras.

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É fato que muitos fundos de investimento têm títulos do tesouro em carteira (os tesouros dos fundos de títulos). Mas, quais são eles? Qual o comportamento esperado da cota? Quais fundos que compram tesouros ainda possuem bom potencial de valorização e quais não?

Essas perguntas serão respondidas no artigo de hoje.

Bom, nas últimas duas semanas vimos que:

  • Os títulos do tesouro (prefixados e ipca+) possuem oscilações; e podem prover retornos diferentes à taxa contratada inicialmente, se tais tesouros forem vendidos antes do vencimento.
  • Vimos também que, dadas as circunstâncias atuais, está na hora de sair dos títulos prefixados, pois o juro nominal futuro deve estar chegando num piso.
  • E, por fim, nas entrelinhas foi dito que o tesouro ipca ainda tem um pouco de chão, se o risco país continuar caindo, em função das Reformas do Estado.

É esperado que um determinado fundo que compre algum tipo específico de título do tesouro tenha o mesmo comportamento do próprio título do tesouro. E, de fato, isso é verdade. O rendimento de um fundo de investimento será o resultado de:


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RENDIMENTO DA CARTEIRA DE TÍTULOS – CUSTOS OPERACIONAIS

O rendimento da carteira de títulos vai depender de quais títulos estão sendo comprados e do prazo médio desses títulos. É sabido, por exemplo, que um título do tesouro (exceto o tesouro Selic) é mais volátil quanto mais longo é. Dessa forma, fundos que possuem títulos longos em carteira terão maior volatilidade e maior potencial de retorno também.

Os custos operacionais variam de gestor para gestor. Um fundo de títulos do tesouro pode ter taxas de adm que vão de 0,1% a 5% ao ano! A variação pode ser grande, cuidado!

Bom, agora, é hora de “dar nome aos bois”. Vamos identificar quais são os fundos e o que eles compram?

FUNDOS REFERENCIADOS DI

Tradicional fundo do mercado bancário, compra em essência tesouros Selic e CDBs de alta qualidade de crédito. Qual é o rendimento esperado de um fundo DI? Basicamente a SELIC menos taxa de administração. Se o fundo cobrar 1% de adm, o fundo DI vai render:

6,75% aa (Selic hoje) – 1% = 5,75% aa.

Para comparar com o CDI, devemos dividir 5,75 / 6,64 (CDI hoje) = 86,59% do CDI

Como a Selic está muito baixa, se a taxa de administração for muito alta, o rendimento do fundo DI será pífio, em comparação ao CDI.

Os fundos DI são de gestão passiva (sem gestão de timing de compra e de venda) e são referenciados ao CDI.

Exemplo: BNP Paribas Optimum DI FI Referenciado

grafico

Fonte:lista-de-fundos-de-investimento

Rendimento médio de 97% do CDI.

Ah, e quanto rende o tesouro Selic, comprado diretamente no Tesouro Direto?

6,75% (Selic) menos 0,3% de custódia – taxa de administração (se existir)

6,75 – 0,3 = 6,45% aa. Dividido pelo CDI = 6,45 / 6,64 = 97% do CDI.

Bom, e um fundo DI, como o mostrado acima, é interessante manter? Ou é legal vender e procurar outra coisa melhor? Bom, existem CDBs de liquidez diária que rendem 100% do CDI, assim como fundos de crédito, com a mesma liquidez, com rendimento de 105 a 107% do CDI. Tesouro Selic ou fundo DI é só para quem quer ser muito, muito, muito, muito conservador, e precisa de liquidez bastante alta.

FUNDOS DE INFLAÇÃO

Os fundos de inflação são fundos CARREGADOS de ntns do tipo B, ou os chamados Tesouros IPCA. O comportamento do fundo de inflação será exatamente o comportamento dos tesouros ipca, resguardadas as questões de prazo médio de vencimento do título.

Engana-se aquele investidor que, no curto e no médio prazo, terá seu capital corrigido pela inflação ao aportar nesse fundo. A variação das cotas (e do patrimônio) depende muito mais do juro real (queda ou alta) e da marcação à mercado, do que da própria inflação.

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Em alguns fundos, o gestor tenta dar um “plus” na rentabilidade e faz uma gestão ativa da carteira de títulos. Por gestão ativa, entende-se: tentar comprar e vender em boas horas, de maneira ativa, para gerar “alpha”; ou seja, gerar retorno acima do esperado. O lado ruim disso é que ele pode errar, e gerar retornos abaixo do esperado.

A maioria dos fundos de inflação possuem o IMA-B como benchmark. O IMA-B é um índice calculado pela Anbima de uma carteira teórica de tesouros IPCA, com prazo médio inferior a 5 anos. Já o IMA-B 5+ é semelhante ao anterior, com a diferença que o prazo médio da carteira é superior a 5 anos.

grafico

Rentabilidade de 61% em 3 anos.

E, para quem tem esse fundo, deve-se mantê-lo? Ou deve-se vender?

A regra é a mesma do título do tesouro. Devemos comprar ou vender NTNsB? A resposta já foi dada… se o juro real ainda tiver espaço para cair; é de comprar ou de manter…

FUNDOS PREFIXADOS

Os fundos prefixados são carregados de LTNs (Tesouros prefixados). Esses fundos, como já vimos anteriormente, não possuem taxa de retorno prefixada, pois a cota oscila ao “sabor” do mercado.

O benchmark tradicional de um fundo que possui tesouros prefixados é o índice IRF-M: índice composto de uma carteira teórica de tesouros prefixados. Pode apresentar variação com a inclusão do +1, indicando que o fundo possui títulos com prazo médio acima de 1 ano.

grafico

Rentabilidade em 3 anos de 58,88%.

E, para quem tem esse fundo, deve-se mantê-lo? Ou deve-se vender?

O comportamento desse fundo é igual o comportamento de um tesouro prefixado. Devemos comprar ou vender LTNs nesse momento? A resposta também já foi dada… diante da iminência de um início de alta dos juros nominais, o ideal é sair desse tipo de fundo.

Bom, em resumo, caro leitor, podemos esperar o mesmo comportamento e as mesmas regras dos fundos que compram tesouros, em comparação, aos próprios tesouros.

E, então Denys, quais são as vantagens e as desvantagens de comprar títulos do tesouro via TESOURO DIRETO, ou via fundos de investimento?

Essas e outras respostas serão dadas na palestra dessa próxima quarta feita.

Denys Wiese

Denys Wiese, bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Estadual de Santa Catarina (ESAG-UDESC) iniciou suas atividades profissionais no mercado financeiro em 2009 como operador de bolsa de valores. Já atuou como operador, assessor, professor e escritor, sempre em atividades ligadas às finanças. Entre 2014 e 2017, atuou também com consultoria tributária. Hoje é sócio fundador do site EuQueroInvestir, assessor de Investimentos da XP Investimentos (pelo AAI Indice Investimentos). Atua no segmento de alta renda, no aconselhamento e assessoramento em investimentos no mercado financeiro.
Contato: denys.wiese@euqueroinvestir.com

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