Mercado financeiro: entenda como funciona cada segmento

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Foto: Freepik

Os bancos estão tão presentes em nossa rotina, que é quase impossível pensar na vida sem serviços financeiros, não é mesmo? Mas você já parou para pensar como funciona o mercado financeiro? Afinal, como ele é organizado, e quem fiscaliza as instituições financeiras que nos prestam serviços?

É justamente esse o papel do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Esse sistema é formado por instituições públicas e privadas, que têm como objetivo captar, distribuir e transferir recursos entre pessoas físicas, empresas e governo.

Nesse artigo, veremos como funciona o mercado financeiro. Mas antes disso, falaremos um pouco sobre a finalidade e a estrutura do Sistema Financeiro Nacional. Confira a seguir!

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Para que serve o Sistema Financeiro Nacional (SFN)?

O SFN existe para viabilizar a intermediação financeira. Em outras palavras, ele possibilita as transferências entre investidores e tomadores de recursos, por meio da regulamentação e fiscalização de instituições financeiras.

Estrutura do SFN

No SFN existem três tipos de agentes: os normativos, os supervisores e os operadores.

Os agentes normativos são aqueles que têm a função de dar segurança às intermediações financeiras. Nesse sentido, são os que determinam as regras para o funcionamento do mercado financeiro de forma geral.

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Os agentes normativos do SFN são Conselho Monetário Nacional (CMN), o Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e o Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC).

Já as entidades supervisoras estão subordinadas aos agentes normativos. Isso porque são elas as responsáveis por garantir que todos os integrantes do SFN cumpram as determinações dos agentes anteriores. São entidades supervisoras a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Banco Central (BC), a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) e a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC).

Por fim, os agentes operadores são os responsáveis pela intermediação financeira em si. Ou seja, são aqueles que lidam diretamente com o público. Fazem parte dessa categoria: bancos e caixas econômicas, instituições de pagamento, cooperativas de crédito, corretoras e distribuidoras, administradoras de consórcio, entidades de previdência complementar, entre outras instituições.

Estrutura do mercado financeiro

Existem quatro mercados específicos nos quais o SFN atua: o mercado monetário, o mercado de crédito, o mercado de capitais e o mercado de câmbio. A seguir, veremos como funciona cada uma dessas estruturas.

Mercado monetário

O mercado monetário é o que garante liquidez ao sistema financeiro, pois ele cuida do dinheiro em circulação no país. Nesse sentido, o Banco Central executa a política monetária, utilizando as taxas de juros para coordenar a moeda em circulação.

Por exemplo, quando há muito dinheiro circulando na economia, o BC precisa enxugar um pouco a liquidez do mercado. Para isso, ele pode vender títulos públicos ou aumentar a taxa de juros. Isso porque, ao aumentar os juros, os gastos reduzem e, consequentemente, consegue-se conter a inflação.

Por outro lado, quando há poucos recursos em circulação, ocorre um desaquecimento da atividade econômica. Nessa situação, para incentivar o consumo, o BC corta os juros, o que torna o dinheiro mais barato e estimula os gastos.

Mercado de crédito

No mercado de crédito também acontece fluxo de recursos financeiros. A diferença é que o dinheiro tem origem nas operações de crédito realizadas entre instituições financeiras e clientes.

Nesse sentido, a função do mercado de crédito é atender a necessidade de empresas e pessoas físicas que precisam de recursos financeiros, tanto no curto quanto no longo prazo. No Brasil, esse mercado de crédito é fiscalizado pelo Banco Central.

Entres as instituições que podem oferecer crédito, estão os bancos públicos e privados, as caixas econômicas, as cooperativas de crédito, as sociedades de crédito, e várias outras.

Mercado de capitais

As operações da bolsa de valores fazem parte do mercado de capitais. Esse mercado é o ambiente no qual as empresas captam recursos de investidores ao negociarem seus títulos, como ações e debêntures, por exemplo.

O mercado de capitais é fundamental para aproximar empresas e investidores. De um lado, as empresas buscam uma fonte alternativa aos bancos para captar recursos para as suas operações. De outro, os investidores conseguem ter mais acesso a opções rentáveis de renda variável. Isso porque, além de títulos de empresas, no mercado de capitais são negociados outros ativos, como Fundos Imobiliários (FIIs), BDRs, derivativos, entre outros.

A cada ano, cresce o número de empresas brasileiras que realizam IPOs (oferta inicial de ações), bem como o número de novos investidores na bolsa brasileira. No Brasil, a CVM é a responsável por regular o mercado de capitais.

Mercado de Câmbio

Por fim, temos o mercado de câmbio, que movimenta moedas estrangeiras no país. É nesse mercado que se obtêm moeda estrangeira para viagens ao exterior. Além disso, é onde empresas e investidores transacionam recursos internacionais por meio de exportações, importações, pagamentos e recebimentos  ou transferências de divisas.

Inclusive, as moedas estrangeiras podem ser utilizadas como proteção para os investimentos e para transações comerciais em algumas situações.

Em relação à estrutura, o mercado de câmbio é dividido em primário e secundário.

No mercado primário, ocorre o fluxo de entrada e saída de moeda estrangeira no país. Por exemplo, importações, exportações e transações entre estrangeiros ou viajantes.

Já no mercado secundário, acontecem os negócios realizados entre as instituições financeiras. Nesse caso, não ocorre fluxo internacional de recursos, pois a moeda estrangeira já está no país. Ela somente migra de uma instituição financeira para outra, ambas autorizadas a operar em câmbio.

E existe relação entre essas estruturas?

No SFN, todos os mercados estão interligados. Se um investidor opera na bolsa, o mercado de câmbio influenciará as ações de empresas importadoras ou exportadoras, por exemplo.

Não é permitido investir diretamente no mercado de câmbio. Porém, há opções de investimentos em ativos internacionais no Brasil, como BDRs e ETFs, por exemplo. Esses investimentos são negociados diretamente no mercado de capitais, sem que o investidor precise abrir conta no exterior.

Se você ainda tem dúvidas, assista ao nosso vídeo sobre Como Funciona o Mercado Financeiro no Brasil: