Os erros de Macri que podem custar sua reeleição

Filipe Teixeira
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Crédito: REUTERS/Agustin Marcarian

Entenda as razões que tornaram a reeleição do atual presidente argentino uma missão quase impossível.

Após ver as chances de reeleição praticamente resumidas a pó, com o resultado da prévia para as eleições de outubro que indicaram vitória da chapa Alberto Fernandez/Cristina Kirchner com 47% dos votos, o atual presidente argentino, Maurício Macri (que computou 32,6% das intenções de voto) resolveu apelar para aquilo que tanto condena: O populismo.

Cristina Kirchner e Alberto Fernández

Cristina Kirchner e Alberto Fernández – Foto: Daniel Garcia/AFP

A consistente vitória oposicionista veio como um golpe duro, não somente às chances de Macri no que tange a sua reeleição. Ela também escancarou a avaliação negativa de seu governo que prometia uma gestão austera nas contas públicas, um controle rígido da inflação, um olhar atento para a pobreza e uma maior abertura do mercado argentino, atraindo investimentos externos.

No entanto, Macri passou tempo demais responsabilizando sua antecessora, Cristina, que governou de 2007 a 2015, esquecendo-se que o dever de casa não era uma tarefa que se realizaria com um passe de mágica.

Pobreza aumentou, inflação também

Segundo o Observatório da Dívida Social da Universidade Católica Argentina (UCA), a pobreza, quando do início de seu mandato, atingia 28% da população.

POBREZA ARGENTINA

Percentual de argentinos abaixo da linha de pobreza não para de crescer – Felipe Vieira

No entanto, o último dado relativo a este índice, atualmente já se encontra na casa dos 33%.

A inflação na casa de um dígito, outra promessa de Macri, também não se confirmou: A inflação argentina passa dos 55% nos últimos 12 meses.

Reação dos mercados

Tão logo encerradas as prévias, a bolsa argentina despencou 30% já na segunda-feira subsequente, o peso argentino desvalorizou ainda mais, obrigando a equipe econômica (que teria a renúncia de seu ministro dias mais tarde) a elevar a taxa de juros para 74%. Na sexta-feira anterior, era de 63,38%.

Comprovando a máxima de que “situações desesperadas pedem medidas desesperadas”, Macri anunciou rapidamente uma série de medidas econômicas para tentar conter, em especial, a desvalorização de sua moeda.

Dilmou

Entre as medidas, estão o aumento do salário mínimo em 25%, um bônus equivalente a R$340,00 para funcionários públicos, redução da carga tributária e congelamento no preço dos combustíveis por 90 dias.

As regras do IR também serão alteradas, está prevista uma espécie de restituição de 2.000 pesos/mês aos contribuintes. Um pacote para Dilma Rousseff nenhuma botar defeito.

O pacote custará aos combalidos cofres públicos, aproximadamente R$ 3 bilhões.

Crise na relação

Se é verdade a lembrança de que a vizinha Argentina é hoje nossa terceira maior parceira comercial, perdendo apenas para China e Estados Unidos, também é válido lembrar que os negócios com entre os sul-americanos vem caindo desde o acirramento da crise de nossos hermanos. Só em 2019, as vendas para a Argentina já caíram 40%.

O setor automobilístico, por exemplo, registra queda de 50% no mesmo período.

O irônico de tudo isso, é que medidas intervencionistas, foram justamente o que caracterizaram sua antecessora, avalista de grave crise que assola a Argentina, Cristina Kirchner, que agora surge como salvadora da pátria.

Um belo exemplo a não ser seguido, pelo recém-empossado governo de Jair Bolsonaro.