Opinião: O discurso de Bolsonaro na ONU e o pedido de impeachment de Donald Trump

Filipe Teixeira
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Crédito: Kevin Lamarque/Reuters

Eventos políticos deram o tom da voltilidade dos mercados nesta terça-feira (24)

O mercado ainda tenta assimilar a série de eventos políticos registrados de uma só vez, na terça-feira que começou com a expectativa do discurso de Bolsonaro na ONU e terminou com o pedido de impeachment de Donald Trump.

Bolsonaro optou por adotar um tom mais áspero do que se prometia, focando mais em vender sua ideologia conservadora e ao mesmo tempo, colocando a questão ambiental em um segundo plano.

Tivesse em um tabuleiro de War, o discurso do presidente brasileiro entregaria de pronto sua estratégia de ataque, que poupou os norte-americanos, concentrando sua artilharia no velho continente.

Há quem se importe com a negativa repercussão de seu discurso em alguns relevantes meios de comunicação mundo afora, casos de: BBC, The Guardian, Bloomberg, CNN e El País.

E existe também quem concorda com a visão de Bolsonaro, sobre uma mídia sensacionalista e mentirosa, mas o que realmente importa é sabermos quais serão os desdobramentos futuros, em especial, quanto ao recém firmado acordo entre a União Europeia e o Mercosul. O presidente optou em pagar para ver.

Trump e o eterno bate e assopra

O presidente americano também partiu para o ataque em seu discurso, focando no Irã e especialmente na China, citando a manipulação cambial e seus impactos sobre a economia americana.

É bom lembrar, que um dia antes, respiramos todos mais aliviados com a notícia de que as negociações seriam retomadas em 15 dias.

Mas o pior ainda estava por vir…

Mudança forçada de estratégia

Ao longo de seu mandato, Trump sempre adotou uma postura agressiva, praticamente controlando as manchetes e por que não dizer, o humor dos mercados.

Foi então que a líder democrata e presidente da Camara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, surpreendeu a todos e ingressou com o processo de impeachment contra Donald Trump e agora o mundo está curioso em como ele irá se portar na defensiva.

A suspeita é de que o presidente tenha condicionado uma ajuda militar à Ucrânia, na ordem de US$ 400 milhões, em troca de uma investigações contra Joe Biden, ex vice-Presidente de Barack Obama e provável adversário pelo lado democrata na eleição do ano que vem.

Não é a primeira vez que Trump é acusado de conduta passível de impeachment, mas em todas as outras oportunidades, o sentimento é de que o processo nasceria morto, ou seja, com poucas chances de passar pela primeira aprovação na Câmara.

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Além disso, no Senado, o favoritismo de Trump é quase que definitivo e nas ruas, uma pesquisa da Politico-Morning Consult deste mês constatou que metade dos eleitores se opôs ao processo de impeachment, enquanto apenas 37% o apoiam.

Trump foi rápido em oferecer o conteúdo de sua ligação para o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, em 25 de julho e os republicanos se mostram muito tranquilos em relação ao conteúdo da conversa.

Revanche de 1998?

Pelosi está no Congresso há tempo suficiente para ver republicanos da Câmara censurarem o presidente Bill Clinton em 1998, o que fez com que seus índices de aprovação de trabalho aumentassem e os deles, republicanos, diminuíssem.

A boa notícia para os democratas é que, para cada argumento de que avançar com o impeachment os prejudicará, há outro que mostra exatamente o contrário.

Por um lado, o precedente de Clinton não deve causar medo nos corações dos democratas, afinal, menos de dois anos depois de os republicanos votaram para remover Clinton do cargo, eles controlavam a Casa Branca, o Senado e a Câmara.

E as pesquisas fornecem motivos para que os democratas esperem que o impeachment funcione melhor para eles do que para os republicanos dos anos 90.

O impeachment de Clinton foi tão impopular em parte porque o público estava feliz com a condução de seu governo e não queria vê-la interrompida.

Em meados de janeiro de 1998, a Gallup mostrou a ele 60% de aprovação e 30% de desaprovação. Trump está com 43% de aprovação e 54% de desaprovação, de acordo com a mesma Gallup . Por uma margem de dois para um, os americanos estão insatisfeitos com a direção do país e ¾ dos democratas já se manifestaram favoráveis ao impeachment.

Cabe lembrar que nunca antes na história deste país, um presidente americano sofreu um processo de impeachment e ainda que tudo indique que ainda não será dessa vez, precisamos ter em mente que o processo pode se arrastar por meses, causando desgastes de ambos os lados.

Os democratas sacaram suas armas, mas claramente, o alvo que está na mira, é a eleição de 2020.

Em Brasília, o gato sai e os ratos tomam conta…

Enquanto o MDB articula a derrubada de todos os vetos de Bolsonaro à Lei de abuso de autoridade, o Senado tratou de retaliar o cerco da Polícia Federal ao líder do governo no Senado, Fernando Bezerra.

Da tribuna do Senado, Bezerra se disse estarrecido contra o abuso de uma decisão monocrática. Antes, uma comitiva de 15 Senadores foi ao STF pedir a suspensão da liminar de Barroso, que autorizou busca e apreensão no gabinete de Bezerra.

A comitiva surgiu na noite de ontem, em um jantar entre o presidente do Senado e a “nata”: MDB, PSD, DEM e PT

“Coincidentemente”, ontem (24), Davi Alcolumbre, anunciou o adiamento da Reforma da Previdência para a semana que vem.

Parece o pátio da quinta-série, mas é a política brasileira.

Filipe Teixeira – Wisir Research – Acompanhe o mercado financeiro em tempo real: https://t.me/wisir

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