Opinião: Bolsonaro entre a cruz e a espada

Após saída de investigadores da lava jato da PGR, presidente tem uma importante decisão a tomar

Filipe Teixeira
Filipe Teixeira é redator do Portal EuQueroInvestir. Gremista, filho dos anos 80, apaixonado por filmes, música, política e economia.É também Coordenador da área de Marketing do EuQueroInvestir.com e do EuQueroInvestir A.A.I assessores de investimentos.Me envie um e-mail: filipe.teixeira@euqueroinvestir.com Ou então uma mensagem por WhatsApp: (51) 98128-5585 Instagram: filipe_st

Crédito: Crédito da imagem: Reuters/Ueslei Marcelino

A eleição do presidente Bolsonaro se deu em partes, pelo apoio à Operação Lava Jato, prova inconteste, o convite a Sergio Moro para que assumisse o Ministério da Justiça.

Sob a alegação de “incompatibilidade” de entendimento, fomos todos surpreendidos na noite de ontem (04) com a notícia da entrega coletiva dos cargos de 6 procuradores que investigam os casos ligados à Operação Lava Jato na Procuradoria-Geral da República, incluindo o braço-direito de Raquel Dodge na esfera criminal, Raquel Branquinho.

Segundo órgãos de imprensa, o desentendimento estaria relacionado com a delação premiada do executivo (e notório cagueta) Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS.

Um rápido parênteses: A delação de Léo Pinheiro foi fundamental para a condenação do ex-presidente Lula.

Ao que tudo indica, ao encaminhar o acordo de colaboração premiada para homologação no STF, Raquel Dodge teria solicitado o arquivamento de trechos da delação, que traria implicações a Rodrigo Maia e um dos irmãos do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli.

Na versão oficial, divulgada através de uma nota conjunta, os seis integrantes do Ministério Público Federal alegaram que “”Devido a uma grave incompatibilidade de entendimento dos membros desta equipe com a manifestação enviada pela PGR ao STF na data de ontem (03.09.2019), decidimos solicitar o nosso desligamento do GT Lava Jato e, no caso de Raquel Branquinho, da SFPO. Enviamos o pedido de desligamento da data de hoje”.

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Morta e enterrada

O mandato de Raquel Dodge termina em 12 dias e não existe chance alguma de que ela continue no cargo. Explico: Os Bolsonaristas não a querem, pois a mesma denunciou um dos filhos do presidente, Eduardo Bolsonaro, em 2018, por ameaças a uma jornalista e o próprio Jair Bolsonaro, por racismo, também em 2018.

Já em 2019, Dodge pediu que as investigações sobre Onyx e Eduardo Bolsonaro fossem retiradas do STF, sendo acusada, desta vez pela oposição, de articular sua permanência à frente da PGR mediante troca de favores.

Ou seja, não deixará saudades.

O que dizem as pesquisas

A pesquisa Ipsos realizada em meados de junho, revelou que 85% dos brasileiros apoiam a continuidade da Operação Lava Jato. Já a pesquisa Datafolha, divulgada hoje (05) mostra que 54% dos brasileiros aprovam a gestão do ministro Sérgio Moro, enquanto apenas 29% aprovam o governo do presidente Bolsonaro.

Uma outra pesquisa, encomendada pela XP Investimentos, nos mostrou que a aprovação do Congresso Nacional é boa ou ótima para 16% da população, em janeiro esse número era de apenas 5%, os que consideram o trabalho dos parlamentares regular, já somam 42%, em janeiro eram 28% e por fim, os que avaliam o papel de deputados e senadores como ruim ou péssimo, correspondem a 39%, em janeiro eram 65%.

Entre a cruz e a espada

Analisando todos estes dados, parece óbvio concluir que o governo acaba de ganhar sua oportunidade de vender lenços em meio à crise: Jair Bolsonaro, eleito com 57 milhões de votos em outubro passado, tem a faca e o queijo na mão, para nomear o novo Procurador Geral da República, reconduzir os trabalhos da lava jato, fortalecer o combalido Sérgio Moro e de quebra, provar que nem mesmo o judiciário está imune a investigações.

É claro que em fazendo isso, comprará briga com Rodrigo Maia, mas este, já revelou mais de uma vez, não ser leal para com as pautas do governo.

As grandes crises, costumam nos brindar com grandes oportunidades, cabe ao presidente fazer aquilo que se espera dele: a coisa certa.

Por mais clichê que possa parecer, fazer do limão uma limonada, pode virar o jogo a favor deste governo, que vem sofrendo com baixas consistentes de aprovação mês após mês.

No entanto, não se pode ter tudo na vida: Bolsonaro terá de optar entre o apoio de Rodrigo Maia ou a aprovação de seus eleitores.

Convenhamos, uma decisão nada fácil. Mas quem falou que seria fácil?