Opep: demanda mundial de petróleo deve cair 2,2 milhões de barris por dia

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) divulgou seu Relatório Mensal nesta quarta-feira (13). Ela ajustou em menos 2,2 milhões de barris por dia a demanda de petróleo no mundo para o ano de 2020.

A demanda total passou a ser projetada em 90,6 milhões de barris por dia. Isto representa uma redução de 9,07 mbpd na comparação com 2019.

Segundo a Opep, o segundo trimestre de 2020 deve registrar o menor nível da demanda mundial em 2020, sendo que as regiões mais afetadas são a América do Norte e a Europa Ocidental. Os segmentos mais impactados são os de transportes e combustíveis industriais.

No visão do cartel, uma eventual saída mais rápida que a esperada das ações de isolamento social, aliada a ações assertivas de estímulos econômicos pelos governos, pode mitigar parcialmente esse quadro.

Produção fora da Opep

Pelo lado da oferta, a produção dos países fora da Opep em 2020 é estimada a ser reduzida em cerca de 3,5 mbpd. Impacto relevante vem dos EUA, com reduções de produção de 1,4 mbpd.

As projeções para o Brasil também foram reduzidas, em -0,1 mbpd, embora o país seja um dos poucos a possuir expectativa de variação positiva de produção.

A produção de petróleo dos países fora da Opep deve alcançar 59,4 mbpd em 2020. E a Opep projeta uma produção própria de 24,3 mbpd.

Opep

 

Excesso de oferta e baixa demanda

Com um quadro de excesso de oferta – e, portanto, aumento de estoques e da capacidade ociosa –, os preços do barril sofreram forte queda em abril. A cesta de referência de petróleos produzidos pela Opep alcançou o menor nível desde 2001 (US$17,7 por barril).

No mercado futuro, os preços do Brent recuaram 21% para uma média de $26,6/bbl. E o WTI sofreu queda ainda maior, 45%, chegando a US$ 16,7 por barril.

A estrutura da curva de preço futuro se encontra em uma situação em que os contratos com vencimentos mais longos são mais altos na comparação com os preços dos contratos futuros mais próximos.

O cenário de excesso de oferta ainda deve pressionar os preços em junho e julho. E isto abre brechas para novos cortes na produção.