Produtores fecham corte diário de 9,7 mi de barris de petróleo

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 7 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus aliados chegaram neste domingo (12) a um acordo histórico para cortar a produção em 9,7 milhões de barris por dia, segundo a CNBC.

Após entrar em vigor no dia 1º de maio e se estender até o final de junho, os cortes, porém, serão reduzidos para 8 milhões de barris por dia – até o final deste ano.

Já entre janeiro de 2021 a abril de 2022, outros seis 6 milhões de barris por dia serão cortados.

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Na abertura do mercado de petróleo, no domingo à noite, os preços abriram de forma volátil, assim como nas últimas semanas, com o WTI saltando 8% nos minutos iniciais de negociação, até reduzir os ganhos.

Às 21h15, o WTI registrava valorização de 3,03%, a US$ 23,45; enquanto o tipo Brent, referência para a Petrobras (PETR3 PETR4). avançava 2,57%, a US$ 32,29.

Disputa

Vários dias após intensas agendas de debates, os maiores produtores de energia do mundo definiram o montante do corte, em meio à desaceleração econômica global, por conta da pandemia do Covid-19.

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O encontro, realizado de forma virtual, estabeleceu um corte pouco inferior ao previsto, após reivindicação de redução menor por parte do México.

Dessa forma, os mexicanos irão reduzir sua produção em 100 mil barris por dia, ao invés dos 400 mil ao dia, que havia sido pleiteado pela organização, num primeiro momento.

Na quinta-feira, os maiores países produtores e exportadores da commodity concordaram em realizar um corte na produção em 10 milhões de barris por dia, o equivalente a 10% do abastecimento mundial de petróleo.

De acordo com a Reuters, Alexander Novak, ministro da Energia da Rússia, afirmou que levará pelo menos até o final deste ano para a situação do mercado de petróleo melhorar.

Queda nos preços

A decisão é uma tentativa de recuperar os preços dos petróleo no mercado internacional, após os impactos da pandemia do novo coronavírus na atividade econômica mundial.

Ainda conforme a Reuters, citando relatórios dos bancos Goldman Sachs e UBS, um corte de 10% a 15% na oferta global poderão ser insuficientes para impedir os preços baixos do petróleo.

Com o Covid-19, a demanda global recuou cerca de um terço, com bilhões de pessoas em regime de confinamento no mundo.

Veja o desempenho do Brent em 2020

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Fonte TradingView

Veja o desempenho do WTI em 2020

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Fonte TradingView

EUA

Pelo Twitter, o presidente americano Donald Trump comemorou o anúncio do corte entre os maiores produtores, reforçando que o “grande acordo” está concluído.

Segundo Trump, isso garantirá milhares de emprego no setor de energia americano.

ta-e-ai

Para os EUA, o declínio no preço do petróleo é muito perverso, por isso Trump entrou em jogo para mediar as conversas entre russos e árabes.

Os americanos desenvolveram recentemente uma indústria de gás de xisto, que estaria ameaçada caso as cotações se mantivessem em baixa, por conta da alta alavancagem das companhias, não cobrindo seus custos operacionais.

Há cerca de um mês, a Arábia Saudita decidiu elevar em cerca de 25% sua produção, para mais de 12 milhões de barris por dia.

Ao inundar o mercado, em meio à uma guerra de preços com os russos, a Arábia fez os preços da commodity despencarem.

No dia seguinte ao anúncio, os preços despencaram mais de 20% – na maior queda intradiária desde a Guerra do Golfo, em 1991.

Sem precedente

Em nota a clientes, publicada pela CNBC, o chefe global de commodities do Citi, Ed Morse, classificou o acordo como “sem precedentes, para tempos sem precedentes”.

Segundo escreveu Morse, o corte terá um impacto significativo na segunda metade do ano e ajudará a elevar os preços para a faixa do US$ 40 até o final do ano.

Entretanto, até lá, informou na nota, Morse prevê “dor” de curto prazo, até o mercado retomar o reequilíbrio.

Conforme ele, “é tarde demais” para impedir que os estoques acumulados em grande dimensão entre meados de março e o final de maio acumulem-se em mais de um milhão de barros.

Dessa forma, acrescentou, o preço spot poderia cair para um dígito.

Alívio temporário

À CNBC, o chefe de análise da Rystad Energy, Per Magnus Nysveen, afirmou que a decisão deste domingo é “pelo menos um alívio temporário” ao setor de energia e à economia global.

“Embora os cortes na produção sejam menores do que o mercado precisava e apenas adie o problema de restrições de construção de estoque, o pior é agora evitado”, pontua Nysveen.

“O corte na produção pode ajudar um pouco, mas a situação do mercado continua contra os produtores, especialmente no curto prazo”, acrescentou John Kilduff, da Again Capital, à CNBC.

“Os preços provavelmente diminuirão à medida que o estoque global de petróleo crescer. Um novo teste do nível de US$ 20,00 provavelmente ocorrerá nas próximas semanas”, projetou Kilduff.

(Com Rodrigo Petry)