OPEP adia reunião, em meio a tensões entre Rússia e Arábia Saudita

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução/Pixabay

A reunião em modo remoto da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), marcada para segunda-feira (6), foi adiada para “provavelmente” quinta-feira (9), em meio a crescentes tensões entre a Arábia Saudita e a Rússia. As informações são da rede CNBC.

Esperava-se que o presidente russo Vladimir Putin e o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman entrassem em acordo sobre a redução da produção de petróleo em até 15 milhões de barris. A redução era esperada, já que a demanda por petróleo caiu drasticamente em todo o mundo, devido à pandemia do novo coronavírus, o Covid-19.

Na quinta-feira, o presidente norte-americano Donald Trump haavia informado que tinha conseguido a compreensão dos dois líderes, mas não foi o que ocorreu.

Queda esperada do preço

É provável que o adiamento influencie os preços do petróleo no começo já na segunda-feira, após uma semana de aumento.

O petróleo dos EUA subiu 25% na quinta-feira (2), o seu melhor dia já registrado, e ganhou outros 12% na sexta-feira (3). Era um alento, diante de tamanha crise. Terminou a semana com um aumento de 32%, quebrando uma série de derrotas de 5 semanas e registrando seu melhor desempenho semanal de todos os tempos, desde o início da série, em 1983.

“Provavelmente vai afundar”, disse John Kilduff, da Again Capital, à CNBC. “Houve muito otimismo no petróleo na quinta e na sexta-feira. Com esta nova crise entre sauditas e russos, a coisa não vai se manter”.

Apesar do aumento da semana passada, o petróleo WTI caiu quase 40% no mês passado, na esteira da destruição da demanda causada pelo surto do coronavírus e da guerra de preços entre a Arábia Saudita e a Rússia.

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O salto de sexta-feira foi impulsionado por um relatório da Reuters de que a OPEP estava contemplando um corte de produção equivalente a cerca de 10% da oferta mundial, e que Putin tinha dito que um corte de 10 milhões de barris por dia parecia possível.

Era tudo o que o mercado queria ouvir.

Guerra russo-saudita

A Arábia Saudita e a Rússia, intermediadas pelos EUA, buscam um equilíbrio do suprimento mundial de petróleo. As perfuradoras americanas ainda estão atingindo níveis recordes à medida que o mundo está chegando ao limite de sua capacidade de armazenar petróleo.

Ninguém arreda o pé, enquanto a demanda só desce.

Trump parece refletir uma visão da indústria de que as forças do mercado é que devem determinar os preços.

“Essas são ótimas empresas e elas descobrirão”, disse o presidente em um comunicado aos CEOs de empresas de energia. “É um mercado livre, eles vão ver”.

Na última reunião, em março, a Opep propôs reduzir a produção em 1,5 milhão de barris por dia, em um esforço para combater a desaceleração da demanda.

Mas a Rússia rejeitou os cortes adicionais. A reunião terminou sem acordo e, em retaliação, a Arábia Saudita reduziu seus preços de petróleo em um esforço para ganhar participação de mercado e, posteriormente, aumentou sua produção para um recorde de mais de 12 milhões de barris por dia.

O que se viu nas duas semanas seguintes foi um tombo nas bolsas que não se via há tempos.

As tensões entre a Arábia Saudita e a Rússia aumentaram desde então. Putin culpou o colapso dos preços do petróleo na Arábia Saudita, retirando o acordo de mais de três anos da Opep.

Opep vê contra-ataque saudita

A Arábia Saudita contra-atacou. Em uma declaração no sábado (28), o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, o príncipe Faisal bin Farhan, disse que os comentários de Putin são “desprovidos de verdade”.

O ministro da Energia da Arábia Saudita, o também príncipe Abdulaziz bin Salman, soltou comunicado no mesmo sábado dizendo que os comentários do ministro da Energia da Rússia, Alexander Novak, “eram categoricamente falsos e contrários aos fatos”.

“Agora temos dois problemas”, disse à CNBC Helima Croft, chefe de pesquisa global de commodities da RBC. “Após a declaração do presidente Trump, parece bastante improvável que haja um compromisso de produção. E parece que podemos ter uma nova fenda diplomática entre a Rússia e os sauditas… O ministro saudita está se opondo furiosamente à afirmação do ministro russo de que os sauditas estão mirando xisto”.

EUA

Ainda há um braço da balança: as empresas norte-americanas. Elas estão divididas sobre se poderiam ou deveriam contribuir para os cortes na produção, em um esforço conjunto para estabilizar os preços.

Elas são contra os cortes, pensando no próprio mercado.

A Opep convidou a comissão do Texas para participar de sua reunião de junho, e a indústria local conversa com os russos para tentar um acordo para os cortes. Há uma reunião da comissão do Texas marcada para 14 de abril. Até lá, é possível que não haja acordo entre as partes.

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