Após esvaziamento da Casa Civil, Onyx pode ir para outro ministério

Marcia Furlan
Jornalista com mais de 30 anos de experiência. Trabalhou na Editora Abril e Agência Estado, do Grupo Estado, como repórter e editora de Economia, Política, Negócios e Mercado de Capitais. Possui MBA em Mercado de Derivativos pela FIA.
1

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), afirmou na manhã desta sexta-feira que não está considerando a possibilidade de deixar o governo. O ministro antecipou o final das férias, que terminaria no dia 2, e chegou a Brasília nesta manhã. As afirmações foram feitas em entrevista a Globo News. “Claro que não (considero deixar o governo). Como já disse, a minha missão, junto com o presidente Bolsonaro, é servir o Brasil. Mas claro que toda e qualquer decisão dentro do governo é liderada por ele”, afirmou o ministro.

Onyx ficou desgastado com as demissões de auxiliares nos últimos dias, durante sua ausência. O presidente Jair Bolsonaro exonerou o secretário-executivo Vicente Santini e o secretário-adjunto da Casa Civil, Paulo Moura, além de retirar o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) da Casa Civil e passar para o Ministério da Economia. O ministro ainda disse o que vai conversar com Bolsonaro para tentar entender as razões das mudanças.

Outros ministérios

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, no Palácio do Planalto se fala na possibilidade de Onyx ser transferido para outra pasta, como uma saída honrosa. Poderia assumir o ministério da Educação, no lugar de Abraham Weintraub, ou uma liderança do governo na Câmara, que está com Major Vitor Hugo hoje. Onyx tem mandato de deputado.

Guia definitivo sobre Renda Variável  e os Melhores Investimentos para 2021

Rodrigo Maia

Em evento nesta sexta-feira no Rio, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), falou sobre as mudanças na Casa Civil e a eventual saída de Onyx.
Para Maia, ter um membro de seu partido no posto é “ótimo”, mas isso não iria influenciar a relação de Bolsonaro com o Congresso. E acrescentou que a ida dele ao cargo não partiu do DEM, uma vez que todos os ministros foram indicações pessoais do presidente. “Essa questão de nomear e exonerar não é problema nosso, do Parlamento, muito menos do DEM.”

Reduto eleitoral

Reportagem do jornal Folha de S.Paulo mostrou que a agenda de Onyx no primeiro ano de governo favoreceu seu reduto eleitoral, o Rio Grande do Sul. Em um total de 650 encontros, cerca de 155 foram de autoridades, empresários ou representantes da sociedade civil do Estado pelo qual se elegeu em 2018. De acordo com participantes dessas reuniões, ele teria se comprometido a atender demandas da região e viabilizado repasse de recursos. Em conversas reservas, Onyx manifestou a intenção de concorrer ao cargo de governador.