Onyx: Brasil é a ‘bola da vez’ para investimentos internacionais

Marcello Sigwalt
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Crédito: Marcos Corrêa/PR/Flickr

Uma vez superada a pandemia, o Brasil é a ‘bola da vez’ do mundo para atrair investimentos, no médio e longo prazos.

A aposta foi feita nessa segunda-feira – em live transmitida pelo banco BTG Pactual – pelo ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, ao creditar a suposta ‘posição privilegiada’ do país no cenário externo atual aos “ajustes feitos pelo governo no ano passado”. Ele não detalhou quais teriam sido os ajustes.

A favor

Lorenzoni disse acreditar que as transformações que vão ocorrer na economia mundial devem favorecer o país, uma vez superada a fase da Covid-19.

“Muita gente (investidores) vai sair da Ásia, para buscar outras áreas para investir, o que pode beneficiar o nosso país. Ainda vamos conhecer muitos anos de prosperidade”, torce.

Superssafra

Entre os fatores determinantes da condição favorável da economia nacional, o ministro destacou a previsão de colheita de uma superssafra de soja este ano – de maneira a suprir a grande necessidade de alimento da China, nosso maior parceiro comercial e origem da pandemia.

Segundo semestre

Outro ‘trunfo’ sacado do fiel escudeiro presidencial é a perspectiva de que os investimentos (no montante de R$ 442 bilhões, estimados por ele), iniciados no primeiro semestre deste ano, vão começar a se consolidar e surtir efeito no segundo.

O  mundo quer

“O Brasil terá condições de se recuperar rapidamente, porque podemos oferecer o que o mundo precisa. Temos minério, soja e proteína animal (carne) que abastecem mercados gigantescos. Isso certamente vai puxar o crescimento brasileiro”, confia.

Crescimento em V

Em conversa com seu colega da Economia, Paulo Guedes, Onyx concordou com a posição dele de que deverá ocorrer no país um movimento em “V”,  tanto de queda, quanto de recuperação da atividade produtiva. O ministro não forneceu elementos que sustentassem a tese.

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Crescimento de 2%

A confiança de Onyx é tal que ele arrisca um início de recuperação econômica, ainda este ano, além de projetar um crescimento de 2% do PIB em 2021.

Simplificação tributária

Devem contribuir para esse resultado, segundo ele, medidas como as estudadas por Guedes, no sentido de simplificar o sistema tributário nacional, para redução da carga tributária.

“Nesse momento, essas iniciativas ajudariam muito a alavancar a retomada do desenvolvimento”, acrescentou.

4 mil cidades sem covid-19

O ministro da Cidadania aproveitou a oportunidade da live para questionar o motivo pelo qual se mantém 4 mil cidades paralisadas (no total, são 5.570), mesmo sem qualquer notificação da Covid–19.

Retomada em 30 dias

“Já tínhamos e continuamos a ter no Brasil mais de 4 mil cidades que não têm um caso de Covid-19 e estão paradas. A pergunta é por que e para quê? Então é a falta de bom senso”, criticou.

Prazo ideal

Se dependesse de sua avaliação, 30 dias seria o prazo ideal para a economia voltar ao normal.

Miséria mata mais

“Sempre estimulei prefeitos e governadores para buscar esse equilíbrio, porque o desemprego e a miséria matam mais do que esse processo da pandemia. É um equilíbrio complexo, mas temos que caminhar nessa direção, de fazer, de maneira gradual e responsável, a retomada da atividade”, pregou.

Sem comentários

Questionado na live se o governo, como previa o Plano Mansueto, exigiria de estados e municípios alguma contrapartida (corte de gastos e privatizações) à ajuda federal, o ministro não comentou.

Flexibilizar é preciso

Ele lembra que “vários municípios e estados já têm tomado medidas, nas últimas semanas, no sentido de flexibilizar o lockout, o que é muito importante”.

Curva descendente

Dentro dos cálculos do ministro, “dentro de 30, 40 dias, pelo que observamos da evolução, a gente entra naquela fase da curva descendente da doença, na maior parte das regiões brasileiras”.

Orçamento inflado

Ao confessar estar alheio a prováveis tentativas de aproximação do presidente Bolsonaro ao bloco conhecido como Centrão, no Congresso Nacional, Onyx procurou enfatizar a responsabilidade do orçamento inflado de sua pasta.

“O Ministério da Cidadania pulou de um orçamento de R$ 98 bilhões, que já era o terceiro da Esplanada, para o segundo, de R$ 220 bilhões, só perdendo para o orçamento da Saúde”, comparou.

30 milhões de “invisíveis”

O ministro lembra que, em menos de um mês, o governo conseguiu identificar, cadastrar e reconhecer a existência de, pelo menos, “30 milhões de pessoas que vivem, há décadas, como fantasmas, invisíveis, à margem de qualquer amparo governamental”.

Bancarização de 30 milhões

Ele acrescenta que esse contingente também terá direito a uma conta bancária e inserção no sistema financeiro  nacional. “Vamos fazer a bancarização desses 30 milhões, dos quais 20 milhões estão no cadastro único, sem contar outros dez milhões”.

Até próxima sexta-feira (1.5), o ministro previu o pagamento de auxílio federal a 45 milhões de pessoas.

Saindo do zero

“É um número gigantesco que não tem paralelo no mundo. Saímos do zero absoluto, de descobrir como prestar auxílio de emergência para, em duas ou três semanas, atender 30 a 40 milhões de pessoas. Não tinha fórmula para isso, a gente que construiu”, explicou.

Aplicativo atualizado

Quanto a problemas operacionais com o uso do aplicativo disponibilizado pelo governo, o ministro se justificou.

“O aplicativo foi aperfeiçoado e passa pela terceira atualização, cujo tutorial orienta sobre o cadastramento”,explicou

O prazo de cadastramento para receber o auxílio se encerra em 2 de julho. Não podem participar do benefício aqueles que já dispõem de outros, como Benefício de Prestação Continuada (BPC), seguro-desemprego ou auxílio doença.

Alvos preferenciais

Onyx adiantou que esse contingente de milhões de pessoas à margem do desenvolvimento serão alvos preferenciais de programas sociais do governo.

“O governo Bolsonaro encontrou essas pessoas, para as quais vamos criar programas no futuro, por exemplo, microcrédito, estímulo ao empreendedorismo e treinamento”, promete.

Cadastro único

Até o início de fevereiro deste ano, o cadastro único já abrangia um universo de 75 milhões de pessoas, segundo o ministro.

Na avaliação de Onyx, o Brasil está se saindo melhor do que alguns países desenvolvidos, no combate à pandemia.

“Por sua organização e por ser universal, o nosso Sistema Único de Saúde (SUS) está conseguindo enfrentar melhor o vírus que outros países, que detêm tecnologia muito melhor do que a nossa”, completou.

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