ONU: Fluxo de investimento estrangeiro no Brasil cai 49% no 1º semestre

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
1

Crédito: nacoesunidas.org

O fluxo de investimento direto estrangeiro (IDE) no Brasil despencou 49% no 1º semestre, na comparação aos primeiros 6 meses do ano passado, segundo a ONU.

As informações foram divulgadas a partir do Monitor de Tendências de Investimento Global da Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, publicado esta terça-feira.

O relatório apontou como principais culpadas pelo cenário as medidas como confinamento social e bloqueios.

Conheça a FinTwit, o maior fórum de finanças do mundo.

Hoje o Twitter é pauta na Money Week.

Além delas, que atrasaram ou cancelaram projetos de investimento, também foram destacadas as perspectivas de uma recessão profunda, que acabaram levando empresas multinacionais a reavaliar ações.

James Zhan, diretor de investimentos e empresas da Unctad, emitiu comunicado no qual afirmou que o declínio “é mais drástico do que se esperava, principalmente nas economias desenvolvidas.”

Segundo Zhan, “as economias em desenvolvimento resistiram à tempestade relativamente melhor na primeira metade do ano, mas o panorama permanece altamente incerto.”

ONU divulga queda do fluxo por regiões

De acordo com os números da ONU, nos países desenvolvidos, o investimento direto estrangeiro chegou a US$ 98 bilhões, o que representa queda de 75% em relação a 2019.

Os fluxos negativos nas economias europeias, principalmente na Holanda e na Suíça, agravaram a situação. Na América do Norte, o indicador caiu 56%, com perda de US$ 68 bilhões.

Por outro lado, a redução de 16% para as economias em desenvolvimento foi menor do que o esperado, devido, principalmente, aos resultados da China.

Os fluxos diminuíram apenas 12% na Ásia, mas caíram 28% na África e 25% na América Latina e no Caribe.

A Itália foi a nação com maior redução no fluxo de investimentos: 74%. A potência europeia foi seguida por Estados Unidos, com 61%, e pelo Brasil, onde a redução foi de 49%.

Previsões

A conferência da ONU manteve suas perspectivas para o ano de uma redução de 30% a 40% nos fluxos de investimento direto estrangeiro.

Segundo a pesquisa divulgada nesta terça, há possibilidade de a baixa nas economias mais desenvolvidas se estabilizar, pois o Leste Asiático já vem mostrando sinais de revitalização.

O relatório afirma que “os fluxos dependerão da duração da crise de saúde e da eficácia das intervenções políticas para mitigar os efeitos econômicos da pandemia.”

Dado do Banco Central

De acordo com relatório divulgado em julho pelo Banco Central do Brasil (BC), os investimentos diretos no País (IDP) somaram US$ 25,349 bilhões no primeiro semestre deste ano.

Isso representa uma baixa de 21,35% na comparação com o mesmo período de 2019, no qual a soma alcançou US$ 32,233 bilhões)].

Os números foram revisados recentemente e, de acordo com os registros da série histórica do Banco Central, os investimentos diretos no Brasil somaram US$ 22,841 bilhões no primeiro semestre deste ano.

O número representa um recuo de 26,7% em relação ao mesmo período de 2019, no qual foram investidos US$ 31,147 bilhões.

Leia também: Atração da Money Week, André Bacci largou o emprego para viver de renda