Onde investir em tempos do coronavírus; caixa alto protege

Omar Salles
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Crédito: professoresdosucesso.com.br

Um estudo publicado pela corretora Planner mostra quais empresas podem ser opções mais atraentes para investir, em tempos do coronavírus.

O estudo levou em conta dois fatores: a posição de caixa líquido das empresas no começo de 2020 e a intensidade com que o setor onde elas atuam foi atingido pela epidemia do Covid-19.

“Algumas dessas empresas, além da situação financeira confortável, estão menos expostas aos efeitos do Covid-19 sobre os seus setores”, explica a Planner.

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“Embora não seja ainda possível mensurar a perda de faturamento neste primeiro semestre de 2020, acreditamos que o impacto será diferenciado sobre as empresas e também sobre os setores no momento da recuperação”, avalia a Planner.

Smiles

Curiosamente, a primeira empresa da lista é a Smiles (SMLS3). O valor da ação da Smiles foi destroçado em 62,3% entre 30 de dezembro do ano passado e 26 de março deste ano. O papel SMLS3 caiu de R$ 39,00 para R$ 14,70.

O caixa líquido da empresa, porém, é de R$ 1,17 bilhão. Isso significa que a empresa está capitalizada para atravessar meses.

Segundo o estudo, o caixa representa 64,3% do valor de mercado da Smiles, a maior relação da pesquisa.

A Planner alerta que o risco é alto.

“A Smiles está inserida num dos setores mais afetados pelo coronavírus, o de viagens e turismo”, avalia.

No balanço de 2019, a empresa reportou lucro líquido de R$ 626,7 milhões, uma queda de 3% sobre 2018.

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Fonte: TradingView

Enauta

A segunda empresa da lista é a petrolífera Enauta (ENAT3).

A Planner comenta que a posição de caixa da Enauta é “excelente”, com R$ 1,7 bilhão ao final de 2019.

A Enauta informou que usaria o caixa para realizar um novo investimento em plataforma, mas é possível que ele seja adiado, como fez a Petrobras.

O preço do petróleo caiu 60% desde o começo do ano. A queda se acentuou no começo de março, quando a Arábia Saudita começou uma guerra de preços com a Rússia no mercado.

A Planner destaca que muitas coisas na Enauta só serão decididas em 16 de abril, quando acontecerá a Assembleia da empresa.

A ação ENAT3 perdeu 43,7% do valor neste ano, para R$ 9,01 em 26 de março.

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Fonte: TradingView

Time For Fun

A terceira empresa da lista é a Time For Fun (SHOW3), companhia que vende ingressos para peças de teatro, espetáculos e shows.

O valor da ação SHOW3 foi destroçado em 65,3%, de R$ 6,25 em dezembro para R$ 2,17 no final de março.

A posição de caixa da SHOW3 no começo do ano era de R$ 54 milhões, ou 36,7% do seu valor de mercado.

O risco é alto.

A razão é simples: com a quarentena, qualquer aglomeração está proibida. O vírus mortífero se propaga com muita facilidade.

Se a epidemia durar pouco, a recuperação do valor do papel tende a ser rápido. Se a epidemia for longa, a ação pode despencar ainda mais.

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Fonte: TradingView

Unicasa

A quarta ação da lista é a da indústria de móveis Unicasa (UCAS3). A Unicasa começou 2020 com um caixa robusto de R$ 67 milhões, ou 25,6% do seu valor de mercado.

O valor da ação UCAS3 perdeu relativamente pouco (16,5%) entre dezembro de 2019 e o final deste mês, cotada a R$ 3,95 na B3 em 26 de março.

O varejo de móveis está ligado ao varejo de eletrodomésticos e eletroeletrônicos – basta lembrar que algumas líderes do setor, não mencionadas no estudo da Planner, vendem as duas coisas.

Neste caso a retomada das vendas depende em certa medida do final da epidemia.

Não é um bem durável, mas também não é um bem essencial como alimentos e remédios.

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Fonte: TradingView

Linx, Sinqia e Totvs

A quinta, a sétima e a décima-terceira empresas da lista são a Linx (LINX3), a Sinqia (SQIA3) e a Totvs (TOTS3). As três são empresas brasileiras de software, cada uma com uma trajetória firme no mercado de automação.

A exposição dessas empresas ao coronavírus, avalia a Planner, é muito baixa.

Isto porque faturamento e lucro das empresas de software, em grande parte, são garantidos por assinaturas das empresas que a cada ano renovam o pagamento da licença para usar o sistema.

Assim, faturamento e lucro são recorrentes. Não dependem muito das condições de mercado.

“O impacto deverá ser menor nestas empresas, que seguem com o caixa protegido, colocando-as no grupo de oportunidade de médio prazo neste momento de tensão na bolsa”, avalia a Planner.

Um fator importante lembrado pela Planner é que o software usado para a produção, caso das três empresas, é uma ferramenta imprescindível para os clientes.

Assim, o lucro recorrente só será abalado se ocorrer uma destruição na cadeia inteira de clientes, o que parece improvável.

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Fonte: TradingView

SQIA3 x Ibov 30 dias

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Fonte: TradingView

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Fonte: TradingView

EzTec e Trisul

Na lista aparecem as construtoras paulistas EzTec (EZTC3), em nono lugar, e Trisul (TRIS3), em décimo-primeiro lugar.

A Planner destaca que as duas empresas, que já publicaram balanços, mostraram “muita eficiência e consistência nos resultados, comparado à concorrência”.

A ponderação aí vem pelo lado do setor, o imobiliário. Após anos de queda, o mercado imobiliário mostrou sinais de reação e começou 2020 embalado.

O risco é de um forte aumento no desemprego e uma recessão prolongada, que leve o consumidor a adiar o investimento no imóvel ou casa própria.

“Dependendo do alongamento da crise, estas empresas devem sair na frente na recuperação”, avalia a Planner.

A EzTec fechou 2019 com caixa líquido de R$ 1,2 bilhão, ou 14% do seu valor de mercado.

A Trisul encerrou o ano passado com R$ 183 milhões no caixa, ou 11,9% do seu valor de mercado.

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Fonte: TradingView

TRIS3 x Ibov 30 dias

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Fonte: TradingView

Lopes

Em sexto lugar na lista aparece a Lopes Brasil (LPSB3). O valor da ação LPSB3 foi cortado em mais da metade (53,8%) entre dezembro e março, para R$ 4,4 em 26 de março.

A Lopes Brasil é uma consultora e imobiliária com mais de 80 anos de mercado.

A empresa teve prejuízo em 2018 e novamente em 2019 (embora bem menor), mas conseguiu começar 2020 com R$ 146 milhões no caixa, 22,5% do seu valor de mercado.

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Fonte: TradingView

Veja 20 ações

A seguir seguem as empresas que podem se diferenciar em valorização no médio prazo, pela qualidade e que se enquadram perfil acima mencionado

Na avaliação, o quadro abaixo mostra em escala decrescente aquelas que apresentam situação financeiro confortável (caixa líquido) e os percentuais em relação ao seu valor de mercado.

Algumas destas companhias já divulgaram seus resultados de 2019, com bom desempenho no ano.

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