Onde investir R$ 5 mil? Veja as melhores opções para seu dinheiro

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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O investidor iniciante sempre fica na dúvida: será que dá para investir mesmo não tendo uma quantia muito alta de dinheiro? Para quem tem, por exemplo, R$ 5 mil disponíveis para investimento, há, sim, boas opções de aplicações. Mas dá para começar também com muito menos.

Na verdade, com R$ 37 é possível comprar, por exemplo, um título do Tesouro Direto. Com menos de R$ 10 já se pode adquirir uma ação, caso o perfil do investidor seja mais arriscado. Ou com R$ 100 dá para ingressar em um fundo de investimentos.

Primeiro passo: faça sua reserva de emergência

Mas, antes de partir para as opções do mercado, o investidor deve ter em mente alguns conceitos básicos. O primeiro deles é que todo mundo deve começar pela reserva de emergência.

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A reserva de emergência é, como o nome diz, aquele montante que deve ser deixado aplicado e só utilizado em último caso.

Em uma crise inesperada, como diante da perda do emprego, o investidor pode recorrer a este dinheiro para pagar suas contas e manter seu sustento por um período.

Os especialistas recomendam que o valor “guardado” garanta, no mínimo, seis meses de despesas do investidor ou da família, conforme a realidade de cada um.

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Por exemplo, se o custo de vida da pessoa for de mil reais ao mês, o ideal é que a reserva de emergência seja de, no mínimo, seis mil reais.

Reserva tem que ter liquidez

Paulo Filipe de Souza, assessor daEQI Investimentos, explica que a reserva de emergência é um dinheiro que deve ser direcionado a aplicações que não contenham riscos e que tenham liquidez muito elevada. Ou seja, que possam ser sacados de forma rápida.

“Você pode precisar desse dinheiro a qualquer momento. Então precisa de uma liquidez de, no máximo, um dia.”
Ele cita como exemplos de investimentos com alta liquidez CDBs (Certificados de Depósito Bancário) e Tesouro Direto.

Feita a reserva de segurança, então é possível partir para uma próxima etapa, que é investir para fazer o dinheiro render, de fato.

Segundo passo: nunca invista na poupança

O segundo conceito relevante é que poupança não é investimento. Pelo contrário. Ao deixar as economias paradas na poupança, o investidor está perdendo dinheiro.

“É como se você trabalhasse o mês todo e, no final, seu chefe te pagasse só 70% do salário. É o que a poupança faz. Ela te paga só 70% da Selic (taxa básica de juros)”, diz João Lux, analista de produtos da CM Capital.

Ele recomenda o Tesouro Direto como opção tão segura quanto a poupança e muito mais rentável.

Terceiro passo: conhecer seu perfil de investidor

A maioria dos investidores iniciantes ainda não sabe qual é o seu perfil. E este conhecimento é fundamental para direcionar corretamente os investimentos.

Tanto que, ao contatar uma corretora ou banco para começar no mercado financeiro, todos precisam responder a um questionário para descobrir a resposta.

O perfil de investidor é o quanto a pessoa está disposta a encarar possíveis perdas para obter mais rentabilidade.

Os três perfis são, em escala crescente de risco: conservador, moderado e agressivo. Quanto maior o risco, maior a probabilidade de retornos mais altos. Mas também maior a exposição.

Quarto passo: escolha onde investir

Definido o perfil, é preciso direcionar o investimento. Para tanto, é fundamental responder a outras duas perguntas: qual o valor disponível e qual o objetivo com o investimento?

Se a disponibilidade é de R$ 5 mil e a meta é um investimento inicial tendo como objetivo, por exemplo, a aposentadoria, o foco, então, deve ser no longo prazo.

Agora, se a meta é mais imediata, como realizar uma viagem ou trocar de carro, os investimentos devem ser a curto ou médio prazo.

Saber por quanto tempo o dinheiro poderá ficar “parado” no investimento é fundamental. Isto tanto para projetar rentabilidade quanto para evitar perdas no percurso.

Exemplo prático: o Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA (do Tesouro Direto) são altamente recomendados para quem consegue carregar o título até o vencimento.

Agora, se o investidor não tem certeza quanto a isto, pode ser que tenha que encarar algum prejuízo no caminho. E já que o objetivo aqui é fazer o dinheiro crescer e não o contrário, vale ficar atento a este ponto.

Quinto passo: diversifique por segurança

Por último, é preciso entender que quanto mais diversificado os investimentos forem, mais seguro estará o dinheiro.

“Quando construímos uma carteira, já sabemos que não será todo ativo que irá bem o tempo todo. E isto é positivo, porque significa que na alta você estará ganhando, mas, em um período de estresse, você terá ativos que vão proteger a carteira como um todo”, orienta o sócio da TAG Investimentos, Marco Bismarchi.

“Para uma carteira funcionar bem, você vai ter o ativo que vai mal e o ativo que vai bem. Porque, em outro momento, eles invertem”, explica.

E não é preciso ousar demais para diversificar, como explica João Lux. “Você consegue fazer diversificação dentro do próprio Tesouro Direto. Com R$ 37 você investe no pré-fixado. Com R$ 38 ou R$ 39, no Tesouro IPCA. Com R$ 106, no Tesouro Selic. Ou seja, com menos de R$ 200, você já fez uma diversificação”, afirma.

O quanto investir em cada uma das modalidades, claro, fica a cargo, claro, dos objetivos com o investimento e do perfil de cada um.

Melhores opções para investir R$ 5 mil

Enfim, compreendidos todos os pontos acima, é hora de conhecer os investimentos mais recomendados para quem tem R$ 5 mil.

Investir no Tesouro Direto

Para quem está começando no mundo dos investimentos, o Tesouro Direto é a opção mais recomendada de renda fixa.
Com ele, o investidor compra títulos de dívida do governo federal. Ou seja, passa a ser credor do governo, que por sua vez usa os recursos para financiar seus projetos de educação, saúde etc.

No site do Tesouro Direto, o investidor encontra uma ferramenta gratuita e bastante útil que facilita a escolha do melhor produto para cada perfil e cada objetivo. Basta responder qual a disponibilidade e a meta. Como resultado, são apresentados os papéis do Tesouro mais adequados. Isto ajuda bastante, especialmente os iniciantes.

São três os tipos do Tesouro Direto

  • Prefixados: Os títulos prefixados remuneram o investidor por uma taxa prefixada, ou seja, conhecida desde a compra do título. Isto quer dizer que o investidor sabe exatamente quanto seu título renderá caso o mantenha até o vencimento. No entanto, se a venda ocorrer antes do vencimento, o investidor fica exposto à “marcação a mercado” – que nada mais é do que o valor diário que o título alcança.
  • Híbridos: O Tesouro IPCA+ é um título híbrido entre pós e prefixado. Uma parte pós acompanha o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial do país, o que garante o poder de compra do dinheiro. Mas existe um cupom adicional, que é a porção prefixada. É indicado para quem tem objetivos a longo prazo ou pensa na aposentadoria. Hoje, com a queda dos retornos do Tesouro Selic, ele deve chamar cada vez mais a atenção dos investidores.
  • Pós-fixados: Até então grande estrela entre os títulos do Tesouro Direto, o Tesouro Selic é uma opção dentro dos títulos pós-fixados. No entanto, na atualidade, está sendo mais indicado para quem quer fazer reserva de emergência. A rentabilidade não é tão atraente atualmente, considerando que a taxa básica de juros se encontra em sua mínima histórica.

Investir em Certificado de Depósito Bancário (CDB)

A sigla CDB significa Certificado de Depósito Bancário. É um título de investimento em renda fixa emitido por bancos para captar recursos para financiar suas operações. Na prática, o banco emite um CDB para captar recursos de investidores e poder emprestar este dinheiro para outras pessoas.

Há CDBs prefixados, ou seja, o investidor já saberá de saída quanto receberá no resgate. Há os pós-fixados, com rentabilidade conhecida só no resgate. E há os híbridos, que pagam a variação de algum índice inflacionário acrescido de uma taxa de juros fixa.

Investir em Letra de Crédito Imobiliária (LCI) e do Agronegócio (LCA)

As Letras de Crédito Imobiliárias ou do Agronegócio são investimentos rentáveis no curto prazo, parecidos com os CDBs, mas que têm como grande diferencial a isenção do imposto de renda. No entanto, elas têm um período de carência, normalmente a partir de 90 dias. Ou seja, não é indicado retirar o valor antes do período contratado.

Investir em fundos de investimento

Meio termo entre a renda fixa e o mercado de ações, os fundos de investimento expõem quem investe a mais riscos em troca de rentabilidades maiores. Mas contam com o expertise de gestores, que selecionam os melhores ativos.

Ao investidor, resta a tarefa de escolher qual o melhor fundo. Para tanto, ele pode contar com a ajuda de um assessor de investimentos ou, se sentir confortável para tanto, comparar os fundos até encontrar o que atenda melhor seus objetivos.

“A primeira coisa que batemos o olho é a rentabilidade. Mas é relevante também observar a volatilidade do fundo”, explica Lux.

Entre fundos com rentabilidade semelhante, o grau de volatilidade, que é o quanto o fundo costuma se afastar da rentabilidade para mais ou para menos, pode ser um bom fator de desempate, ele ensina.

Investir no mercado de ações

Se o investidor migra do perfil conservador para moderado ou agressivo, já pode partir para o mercado de ações. Ele é desaconselhado, no entanto, para iniciantes e para quem acabou de sair da poupança.

Para “navegar” com segurança na bolsa, é importante apostar na educação financeira. Sites especializados, cursos e lives podem ser de grande valia. Além disso, contar com a orientação de um especialista também é recomendado.

  • Ainda com dúvida sobre como investir seu dinheiro? Conte com a assessoria daEQI Investimentos, preenchendo o formulário abaixo.