Onde investir R$ 300 mil? Confira dicas!

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação/EQI

Ao longo dos anos você conseguiu acumular uma boa quantia em sua conta. Então você se pergunta: onde investir R$ 300 mil?

Cada vez mais as pessoas fogem da poupança e entendem que é possível ganhar mais na renda fixa ou na renda variável.

Ter R$ 300 mil guardados é um grande passo. Mas investir esse dinheiro, fazê-lo render e ver o seu patrimônio crescer é um objetivo que está cada vez mais fácil de atingir devido ao acesso à informação e com as diversos opções no mercado.

Vamos ver como investir R$ 300 mil?

As principais características de um investimento

Existe um tripé básico no mundo das finanças que todo investidor – independentemente se é iniciante ou avançado – deve levar em conta na hora de escolher um ativo: liquidez, rentabilidade e risco. Vamos explicar melhor:

  • Liquidez: é a velocidade com que você poderá ter aquele dinheiro que estava investido de volta para as suas mãos. Ou seja, em um investimento com liquidez diária, por exemplo, o dinheiro volta para você no mesmo dia (D+0). Em um investimento que tenha liquidez D+1, o investimento pode ser resgatado em 1 dia útil. Em D+30, em 30 dias úteis. Quanto maior o risco e a rentabilidade, mais longos são os prazos de resgate.
  • Rentabilidade: é o grau de sucesso de um determinado investimento. Em outras palavras é o percentual que um ativo vai render acima de uma aplicação feita. A rentabilidade pode ser atrelada a algum indicador (renda fixa) ou ser variável (renda variável). O Tesouro Direto Selic, por exemplo, rende o mesmo percentual da taxa Selic (hoje em 2% a.a).
  • Risco: qualquer aplicação financeira tem um grau de risco. E eles variam desde os menos arriscados até os de alto grau de risco. O investidor precisar estudar, analisar e entender bem todos os fatores que envolvem a compra de um ativo. Entre eles estão saber exatamente para quem você está emprestando seu dinheiro, quais as taxas envolvidas, as probabilidades de perdas, os riscos do mercado, do setor, legais e regulatórios.

Assim, é possível imaginar que liquidez, rentabilidade e risco são conceitos que, muitas vezes, são inversamente proporcionais. Geralmente é necessário abrir mão de um para ganhar em outro.

Por exemplo, para ter mais rentabilidade, geralmente se investe em algo com mais risco, mas com menos liquidez. Já um ativo que pode ser resgatado no mesmo dia costuma ter rentabilidade e risco menor.

Conhecendo seu perfil para investir R$ 300 mil

Todos os investidores têm um perfil. Os perfis são baseados no grau de tolerância que você tem aos riscos que corre com o seu dinheiro.

Assim, respondendo a algumas questões você descobre se é um investidor com perfil conservador, moderado ou agressivo/arrojado.

Sabendo em qual perfil você se encaixa, fica mais fácil identificar em quais ativos você pode investir e, principalmente, quanto % de sua carteira poderá ser alocada em renda fixa ou renda variável.

Vamos conhecer os três perfis:

  1. Conservador: este tipo prefere não correr tantos riscos. É o tipo de investidor que pode ter planos definidos para o uso dos recursos ou que prefere ter uma remuneração considerável e mais segura, mas sem precisar investir em ativos que oscilem e que possam gerar perdas. Assim, este tipo de investidor aloca 100% dos seus investimentos em renda fixa, em produtos de baixo risco.
  2. Moderado: é o meio-termo entre os conservadores e os arrojados. Este perfil de investidor gosta de segurança, mas tem uma tolerância maior aos riscos. Assim, ele procura uma carteira mais balanceada entre renda fixa e renda variável, aproveitando os benefícios dos dois lados. Ou seja, quer uma parcela com liquidez e outra com possibilidade de rentabilidades mais altas. Ainda que este tipo de investidor concentre maior volume em investimentos conservadores, ele admite ter perdas até certo limite para, assim, ter também uma expectativa de retorno mais elevado no médio/longo prazos.
  3. Agressivo/Arrojado: possibilidade de retornos altos, mas com baixa segurança. Este perfil de investidor geralmente é mais experiente, entende melhor o mercado, os diferentes tipos de investimentos disponíveis, seus riscos, rentabilidades e expectativas. Assim, o investidor agressivo/arrojado, quer obter lucros acima da média do mercado, e investe mais na renda variável para atingir este objetivo.

A segurança da renda fixa

Para montar uma carteira de investimentos de R$ 300 mil é importante entender as diferenças entre a renda fixa e a renda variável.

Resgatando o tripé dos investimentos financeiros, a renda fixa é o tipo de investimento que, geralmente, tem mais segurança, mais liquidez e menos retorno.

Assim, investir na renda fixa é, de certa forma, mais seguro e previsível, pois as taxas são pré-definidas ou atreladas a um indicador econômico (como a taxa Selic, IPCA, entre outros).

É na renda fixa que a sua reserva de emergência tem que estar! A reserva de emergência é aquela parcela do seu patrimônio que corresponde a 3 ou 6 meses o valor do seu custo mensal de vida. Assim, caso haja imprevistos, você tem uma reserva para poder sobreviver por algum tempo. A reserva deve estar em ativos com alta liquidez e baixo risco, ou seja, na renda fixa.

Mas a renda fixa também pode ser usada para quem é mais conservador e mesmo assim quer ter ganhos acima da inflação, por exemplo. Ou então para juntar um dinheiro a médio ou longo prazo que tenha um devido fim. Por exemplo, a compra de uma casa daqui a cinco anos, ou como parte de uma estratégia de carteira balanceada para a aposentadoria.

Principais investimentos da renda fixa

  • Tesouro Direto: os títulos do Tesouro Público são considerados os investimentos mais seguros. O dinheiro é emprestado para o governo federal que, em troca, dá uma rentabilidade diária, mensal, semestral ou na data do vencimento para o investidor. As rentabilidades e prazos de vencimentos variam conforme o tipo de aplicação do Tesouro.
  • CDB (Certificado de Depósito Bancário): neste tipo de investimento você está emprestando dinheiro para um banco. Pode ser desde os grandes bancos até os médios e pequenos. Como o empréstimo é para uma instituição privada, o risco é um pouco maior. Cada banco decide a rentabilidade que irá pagar e o prazo de vencimento. Assim, o investidor pode decidir qual CDB investir. Este investimento normalmente é atrelado ao CDI (Certificado de Depósito Interfinanceiro), que é uma taxa sempre quase igual à Taxa Selic.
  • LCI (Letra de Crédito Imobiliária) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio): a lógica é parecida com a dos CDBs, pois esses investimentos também são emitidos por instituições financeiras. Mas, no caso das LCIs e LCAs, como o nome diz, são destinadas a negócios imobiliários ou do agronegócio. Geralmente oferecem remuneração abaixo dos CDBs, mas com uma grande vantagem: são isentos de Imposto de Renda.
  • Debêntures: são títulos de crédito emitidos por empresas privadas de qualquer setor e negociados no mercado de capitais. Os recursos capitados servem para as empresas investir no negócio, financiarem projetos ou expansões. Costumam ter um vencimento mais longo e, por isso, oferecem uma rentabilidade geralmente melhor. Podem ser pré-fixados, pós ou híbridos. São tributados pela tabela regressiva do Imposto de Renda.
  • CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio): são investimentos mais complexos, que envolvem securitização.

Importante ressaltar que CDBs, LCIs e LCAs possuem garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

Qual Tesouro Direto escolher?

O Tesouro Direto tem hoje 10 títulos disponíveis para compra. Mas qual é a melhor opção entre eles?

É importante perceber que os três tipos de Tesouro Direto estão diretamente relacionados à rentabilidade e à liquidez: Tesouro Prefixado, Tesouro Selic e Tesouro IPCA+. Assim, o melhor título para você vai depender da sua estratégia de investimentos.

Vamos entender melhor?

  • Tesouro prefixado: é indicado para médio/longo prazo. Como o próprio nome diz, ao comprar este título você já tem uma taxa pré-estabelecida e sabe exatamente quanto irá receber na data de vencimento do título. É mais interessante para quem pode deixar o dinheiro render até o vencimento. Há ainda os prefixados com juros semestrais, em que a cada 6 meses o investidor recebe na conta os rendimentos (cupons de juros).
  • Tesouro Selic: é indicado para quem quer realizar investimentos de curto prazo com rentabilidade diária vinculada à taxa de juros da economia (taxa Selic). Assim, se a taxa Selic aumentar, a rentabilidade do título aumenta, e se a taxa Selic diminuir, a rentabilidade do título diminui. Como tem liquidez diária, é muito usado para reserva de emergência.
  • Tesouro IPCA: são títulos indicados para o longo prazo, com vencimentos que variam de 2026 até 2055. É um título pós-fixado, ou seja, parte do seu rendimento acompanha a variação da taxa de inflação (IPCA). Mas também há uma taxa de juros pré-definida. Ou seja, a rentabilidade é sempre IPCA + X% (um valor variável e outro fixo). É recomendável manter o investimento até o vencimento para resgatar com os juros. É muito usado como parte de uma carteira para aposentadoria, já que ele visa o longo prazo. Há também o Tesouro IPCA com juros semestrais, que paga juros a cada 6 meses (cupons de juros).

Confira os 10 títulos disponíveis do Tesouro Direto (dados de 09/12/2020):

Entenda os tipos de Tesouro Direto para saber onde investir R$ 300 mil

Renda variável: mais riscos e maior rentabilidade

Diferente da renda fixa, a renda variável não está atrelada a rentabilidades pré-estabelecidas. Como o próprio nome diz, a renda variável… varia. Ou seja, é imprevisível o retorno que um ativo da renda variável irá gerar.

Esse tipo de investimento pode ter rentabilidades positivas ou negativas (alta volatilidade) a depender de uma série de fatores do mercado: PIB, inflação, taxa de juros e de câmbio, questões da própria empresa, interferências políticas/econômicas, problemas de gestão, os resultados da empresa, entre vários outros.

Assim, a renda variável tem como características mais possibilidades de rentabilidade, menor segurança e menor liquidez.

Dito isso, é preciso entender que há também diversos tipos de investimentos dentro da renda variável, assim como também há diferentes tipos de estratégias (como buy and hold, swing trade e daytrade).

Importante ressaltar que é preciso estudo e análise para se investir na renda variável a fim de se tomar decisões seguras. Independente do perfil de risco, diversificar a carteira, principalmente em um valor como R$ 300 mil, é sempre recomendado.

Principais investimentos da renda variável

Ações: é um investimento que representa a compra de frações de uma empresa. Assim, quando o investidor compra ações de uma empresa ele está se tornando sócio daquele negócio. A rentabilidade pode vir tanto da valorização das cotas compradas quanto dos dividendos (proventos) distribuídos periodicamente pela empresa.

Fundos Imobiliários: os fundos de investimentos imobiliários compram participações em vários negócios imobiliários para gerar renda ou ganhar capital. Existem os fundos de tijolo, que investem em imóveis físicos (shoppings, logísticos, galpões) e os fundos de papel, que investem em títulos imobiliários da renda fixa.

Fundos de investimentos: existe uma infinidade de opções de fundos no mercado. Um fundo reúne diversos produtos financeiros. Diferente de outros ativos, em que o investidor investe diretamente no que ele quer comprar, nos fundos há um gestor profissional responsável por tomar decisões e tentar rentabilizar ao máximo aquele fundo. Assim, os fundos têm taxas, como a taxa de administração e de gestão. Existem fundos de ações, fundos multimercados, fundos de renda fixa, entre outros.

ETFs: os Exchange Traded Fund são fundos de ações que usam um índice da Bolsa de Valores como referência. O foco é atingir o mesmo nível ou superior a um determinado índice. A gestão é feita por um profissional.

BDRs: quem quer investir em ativos de empresas estrangeiras pode optar pelos BDRs. Os Brazilian Depositary Receipts Patrocinados são valores mobiliários emitidos no Brasil. Mas eles possuem lastros em ativos emitidos no exterior. Importante dizer que o BDR equivale a um fundo de investimento, pois existe uma intermediação. Ou seja, neste caso o investimento não é feito diretamente na empresa.

Derivativos: entram nesta categoria as opções, os contratos futuros e outros tipos de investimentos derivativos. São investimentos que demandam mais conhecimento e que são muito usados como hedge (proteção e seguro para a carteira).

Câmbio: investimentos em moedas, como o dólar, o euro ou a libra, por exemplo.

Existem ainda vários outros tipos de investimentos na renda variável que você pode estudar para investir R$ 300 mil como derivativos, commodities, câmbio, criptomoedas, mercado futuro, entre outros.

Onde investir R$ 300 mil?

Para decidir onde investir R$ 300 mil você precisa primeiro ter em mente que a diversificação de uma carteira é fundamental em qualquer estratégia de investimento. Assim, você diminui riscos, mas também tem possibilidades de rendimentos em alguns ativos.

É preciso descobrir seu perfil de investidor, entender as diferenças entre renda fixa e variável, saber os prós e contras dos diferentes ativos e decidir qual será o destino deste dinheiro aplicado.

Nossa equipe de assessores da EQI preparou uma sugestão de diversificação de carteira para cada um dos perfis de investidores. Confira:

Onde investir R$ 300 mil

Onde investir R$ 300 mil

Importante ressaltar que esta é apenas uma das muitas opções de carteiras que podem ser montadas de acordo com o perfil do investidor. O ideal é alinhar objetivos, expectativas e o apetite ao risco de cada investidor antes de montar uma carteira.

Vale a pena contratar uma assessoria de investimentos para investir R$ 300 mil?

Por mais que você já tenha alguma experiência aplicando o próprio dinheiro, quando falamos de um valor como R$ 300 mil, ouvir os conselhos de quem trabalha na área e estuda as tendências de mercado é uma boa pedida.

Existe uma variedade tão grande de investimentos possíveis entre renda fixa e renda variável que pode ser bastante complexo tomar decisões sozinho. O especialista compreende o seu perfil de investidor. Ao entrar em contato com uma assessoria de investimentos, um especialista vai realizar uma profunda análise dos seus desejos e expectativas, traçando assim o seu perfil. É partir dessa análise que o profissional vai pensar e montar a carteira de investimentos perfeita para você.

Quem está procurando onde investir R$ 300 mil, provavelmente já aplicou dinheiro em algum momento da vida e conhece um pouco sobre o mercado e os diferentes produtos disponíveis para quem quer fazer aplicações. Ou então pode estar saindo da poupança e precisar de ajuda para conhecer as opções que existem no mercado.

Uma das grandes vantagens de se contratar uma assessoria de investimentos é aprender com os melhores da área e ter a chance de investir onde nunca teria aplicado dinheiro se não houvesse uma orientação especializada.

 

Se você quer saber mais sobre o mercado de ações e como investir, preencha o formulário abaixo que um assessor da EQI Investimentos entrará em contato.

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