Fiquei milionário e agora: onde investir R$ 1 milhão?

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Foto: Onde investir R$ 1 milhão?

Atingir o primeiro milhão é o sonho e a meta da maioria dos investidores. No entanto, não basta o esforço para acumular esse dinheiro. Para que o patrimônio continue crescendo, é muito importante saber como investir R$ 1 milhão.

A menos que o dinheiro tenha sido ganho na loteria ou em algum reality show, foi preciso esforço e disciplina para conseguir acumular a quantia. Por isso, tão importante quanto formar a reserva financeira, é fazer com que esses recursos continuem rendendo.

A seguir, veremos algumas boas alternativas para investir R$ 1 milhão, com base nas dicas de Elias Wiggers, assessor de investimentos da EQI. Continue a leitura e confira!

Onde investir R$ 1 milhão?

Para Elias, ao investir R$ 1 milhão, a primeira coisa a fazer é alocar aproximadamente 20% do montante na reserva de emergência. Esse percentual já inclui a reserva de oportunidade, ou seja, aquele valor que, como o nome indica, o investidor utilizará para boas oportunidades que surgirem no caminho.

Depois de formada essa reserva, é hora de pensar na diversificação dos 80% restantes. Nesse sentido, Elias sugere distribuir o montante entre renda variável, renda fixa (preferencialmente atrelada à inflação) e investimentos atrelados a ativos internacionais.

Inflação em alta

No final de outubro, o FMI (Fundo Monetário Internacional) divulgou o relatório “Perspectivas e o Caribe: Um longo e tortuoso caminho para a recuperação”. Segundo as projeções, a crescente pressão inflacionária ameaçam atrapalhar a recuperação econômica pós-Covid por aqui. Clique no link abaixo e saiba mais a respeito.

Inflação e pandemia ameaçam recuperação na AL, aponta relatório do FMI (euqueroinvestir.com)

Nesse contexto, Wiggers recomenda os títulos atrelados à inflação de prazos mais longos, por causa da melhor remuneração. No curto prazo, os títulos pós-fixados ainda estão interessantes, pois há previsão de alta da Selic até o final do ano.

Em relação à renda variável, Elias comenta que a retomada da economia mundial faz com que o momento seja favorável a esses investimentos. Nesse sentido, ele indica principalmente ações (logicamente, se isso fizer sentido para o perfil de investidor). Isso porque os Fundos Imobiliários ainda estão sentindo o efeito da desocupação dos imóveis, acentuada durante a pandemia. Dessa forma, segundo ele, as ações seriam o foco da renda variável no momento.

Que tal alguns exemplos de investimentos atrelados à inflação e a ativos internacionais? É o que veremos a seguir, confira!

Investimentos atrelados à inflação

Veremos agora como funcionam dois investimentos atrelados à inflação: o Tesouro IPCA+ e os fundos de inflação.

Tesouro IPCA+

O Tesouro IPCA+ é um dos investimentos mais lembrados quando pensamos em inflação. Esses títulos têm parte da remuneração formada por uma taxa fixa, e a outra parte segue o IPCA, indicador que mede a inflação oficial do Brasil.

O Tesouro IPCA também é indicado para quem busca uma renda periódica com os investimentos. Isso porque o investidor pode optar pelo recebimento de juros a cada semestre. No entanto, é importante lembrar que, caso opte por receber o total dos juros no final da aplicação, o rendimento será maior. Isso porque os juros incidirão sobre o valor capitalizado da aplicação

O Tesouro Direto é uma das modalidades de investimentos mais fáceis e democráticas do mercado. Nesse sentido, basta ter uma conta em um banco ou corretora para adquirir esses títulos, e isso pode ser feito pela própria instituição financeira ou direto no Tesouro, pelo aplicativo ou site do órgão.

No link abaixo, saiba tudo sobre o Tesouro IPCA+.

Tesouro IPCA+: entenda como funciona o título público atrelado à inflação (euqueroinvestir.com)

Fundos de inflação

Também conhecidos como fundos IMA-B, os fundos de inflação são investimentos de renda fixa que seguem índices como o IPCA e o IGP-M.

Quanto ao prazo da aplicação, os fundos de inflação podem ser de três tipos:

  • IMA-B 5: são formados por títulos públicos com vencimento inferior a cinco anos;
  • IMA-B +5: são formados por títulos públicos com vencimento acima de cinco anos;
  • IMA-B: nesse tipo de fundo, não há restrições quanto ao prazo dos títulos públicos que formam o patrimônio.

Se o investidor dispõe de prazo para a aplicação, são recomendados os fundos de vencimento mais longo. Isso porque, quanto maiores os prazos, maior tende a ser a volatilidade do fundo e, consequentemente, os ganhos serão mais expressivos

Investimentos atrelados ao mercado internacional

Aqui na EQI, já falamos bastante sobre BDRs e ETFs. Essas duas opções são ideais para quem deseja diversificar a carteira em ativos internacionais sem precisar abrir conta no exterior.

Além das duas modalidades, há também os BDRs de ETFs. Uma das vantagens desses investimentos é o fato de representarem diversas companhias, diferentemente dos BDRs tradicionais, que representam uma só empresa.

Ao investir em um BDR de ETF, é possível ter mais diversificação a um custo mais baixo. Isso porque a aplicação é atrelada a um índice internacional, que representa dezenas de empresas. Confira alguns exemplos:

  • BAAX39: representa o índice MSCI All Country Asia ex Japan;
  • BNDA39: representa o MSCI India, formado por cerca de  100 empresas indianas;
  • BEWU39: representa o MSCI United Kingdom, formado por cerca de 90 empresas do Reino Unido;
  • BIBB39: representa o Nasdaq Biotecnology Index (NBI), formado por mais de 200 empresas dos setores de biotecnologia e farmacêutico.