OMS e OMC alertam para possível escassez de alimentos durante pandemia

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / OMC

Os chefes da Organização Mundial do Comércio (OMC), da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiram uma declaração conjunta nessa terça-feira (31) pedindo aos governos que minimizem o impacto das restrições de fronteira relacionadas ao Covid-19 sobre comércio de alimentos.

“Agora é a hora de mostrar solidariedade, agir de forma responsável e aderir ao nosso objetivo comum de melhorar a segurança alimentar, a nutrição e o bem-estar geral das pessoas em todo o mundo”, afirmaram os diretores Tedros Adhanom Ghebreyesus (OMS), Qu Dongyu (FAO), e Roberto Azevêdo (OMC).

Livre circulação de alimentos

“Milhões de pessoas em todo o mundo dependem do comércio internacional para sua segurança alimentar e meios de subsistência”, diz o comunicado. “À medida que os países adotam medidas com o objetivo de interromper a pandemia do Covid-19, deve-se tomar cuidado para minimizar possíveis impactos no suprimento de alimentos ou consequências não intencionais no comércio e segurança alimentar globais”.

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Os três organismos internacionais clamam para que os governos atuem para proteger a saúde e o bem-estar das pessoas.

“Os países devem garantir que quaisquer medidas relacionadas ao comércio não perturbem a cadeia de suprimento de alimentos. Tais interrupções, inclusive dificultando a circulação de trabalhadores da indústria agrícola e de alimentos e prolongando os atrasos nas fronteiras de recipientes de alimentos, resultam na deterioração de produtos perecíveis e no aumento do desperdício de alimentos”, assinam o chinês diretor da FAO, o etíope diretor da OMS e o brasileiro diretor da OMC.

Eles afirmam que as restrições ao comércio de alimentos também podem estar ligadas a preocupações injustificadas sobre segurança alimentar. Se esse cenário se concretizasse, segundo eles, perturbaria a cadeia de suprimento de alimentos, com conseqüências particularmente pronunciadas para as populações mais vulneráveis ​​e inseguras.

A incerteza sobre a disponibilidade de alimentos pode desencadear uma onda de restrições à exportação, criando uma escassez no mercado global.

OMS e OMC pedem equilíbrio

A carta conjunta analisa que “tais reações podem alterar o equilíbrio entre oferta e demanda de alimentos, resultando em picos de preços e aumento da volatilidade dos preços. Aprendemos com crises anteriores que essas medidas são particularmente prejudiciais para países de baixa renda e com déficit alimentar e para os esforços de organizações humanitárias para obter alimentos para aqueles que precisam desesperadamente”.

“Temos de impedir a repetição de tais medidas prejudiciais”, alertam.

A cadeia de alimentos pode ser toda comprometida, especialmente na ponta, com consumidores mais vulneráveis à contaminação pelo Covid-19, que devem continuar a ter acesso a alimentos em suas comunidades “sob rígidos requisitos de segurança”.

“Também devemos garantir que informações sobre medidas comerciais relacionadas a alimentos, níveis de produção, consumo e estoques de alimentos, bem como sobre preços de alimentos, estejam disponíveis para todos em tempo real. Isso reduz a incerteza e permite que produtores, consumidores e comerciantes tomem decisões informadas. Acima de tudo, ajuda a conter a “compra de pânico” e a acumulação de alimentos e outros itens essenciais”, diz o comunicado.

No Brasil

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM-MS), afirmou nessa quarta-feira (1º) que o abastecimento do país “está razoavelmente tranquilo” e que a crise ainda não afetou a distribuição.

“Em todas as capitais e todas as cidades não temos nenhuma notícia de que esteja faltando qualquer tipo de alimento nas prateleiras de supermercados, das vendas”, disse.

Apesar da informação da ministra, o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) divulgou em suas redes sociais uma notícia falsa de que havia desabastecimento na Central de Abastecimento (Ceasa) de Contagem, em Minas Gerais. Logo ele foi desmentido pela imprensa e pela própria ministra.

“Nossa preocupação é com os pequenos produtores, como vamos atendê-los. Porque eles têm que produzir e por causa dessa situação, das pessoas ficarem em casa, mudou-se o hábito da alimentação fora de casa. Esses pequenos produtores têm o produto, mas muitas vezes não conseguem vender esses produtos como faziam antes da crise do coronavírus”, completou.

Com informações do UOL.

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