OMS: Covid-19 circulará “por muito tempo” e critica atos contra quarentena

Paulo Amaral
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Crédito: Denis Balibouse / Reuters

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), alertou nesta quarta-feira que a batalha contra o coronavírus está apenas começando.

“Não se enganem: temos um longo caminho a percorrer. Este vírus estará conosco por um longo tempo”, disparou Tedros, preocupado principalmente com a África e com os países da América do Sul.

“Na Europa Ocidental vemos estabilidade ou queda nos números, mas há tendências preocupantes na América do Sul, África e Europa Oriental. A maioria dos países ainda está nos estágios iniciais de suas epidemias”, ressaltou.

As palavras de Tedros ganharam força no posicionamento da diretora técnica da OMS, Maria van Kerkhove. Para ela, o aumento dos casos na América do Sul e na América Central é preocupante e, de acordo com o atual estágio de contágio, o número de contaminados pode dobrar em três ou quatro dias sem os cuidados necessários.

Defensor da quarentena

Os executivos da OMS também mostraram preocupação com o relaxamento das medidas de isolamento em alguns países e os atos contrários à adoção da quarentena.

Para Tedros, boa parte da população permanece suscetível e nada impede a pandemia de atingir níveis ainda mais alarmantes em um futuro próximo.

“As primeiras evidências sugerem que a maioria da população do mundo permanece suscetível. Isso significa que epidemias podem facilmente ressurgir”, opinou. “Um dos maiores perigos que enfrentamos agora é a complacência”.

Maria van Kerkhove concordou. Segundo ela, as medidas de isolamento social foram importantes para “ganhar tempo”, mas os governantes “precisam usar sabiamente esse tempo”.

“Ainda há uma janela de oportunidades para suprimir a transmissão e evitar surtos maiores”, avisou van Kerkhove.

Sobre os atos contrários à quarentena que ganharam força nos últimos dias, principalmente no Brasil e nos Estados Unidos, Tedros foi taxativo:

“Esses protestos não vão ajudar. Pelo contrário, eles colocarão mais combustível no surto. Entendemos que muitos querem continuar com suas vidas e a OMS também quer isso, mas precisamos de um novo normal, mais seguro e mais preparado”.

Michael Ryan, chefe de operações da OMS, admitiu que quarentenas prolongadas podem causar problemas em outros setores e o ideal é que sejam evitadas, mas com uma condição.

“Não se pode retirar essas medidas sem uma estratégia de contenção do vírus”.

Renúncia?

Bastante criticado pelo governo norte-americano e, ultimamente, pelo brasileiro, o diretor da OMS assegurou que não irá abrir mão do cargo que ocupa.

Tedros assegurou que declarou situação de emergência no momento oportuno, quando “o mundo tinha tempo suficiente para responder”, e assegurou que “continuará trabalhando normalmente, dia e noite, para salvar vidas”.

As críticas de Trump

O presidente norte-americano Donald Trump criticou duramente a Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre a forma de condução no combate ao coronavírus.

Em sua conta no Twitter, Trump acusou a entidade de se concentrar demais na China e de passar orientações equivocadas durante a pandemia.

“A OMS realmente estragou tudo”, desabafou. “Por alguma razão, financiada em grande parte pelos Estados Unidos, mas muito centrada na China. Daremos uma boa olhada nisso. Felizmente, rejeitei o conselho deles de manter nossas fronteiras abertas à China desde o início. Por que eles nos deram uma recomendação tão falha?”, questionou.

A crise das fronteiras

Em reportagem publicada nesta terça-feira, a Reuters lembrou que a OMS realmente recomendou aos países que mantivessem as fronteiras abertas em 31 de janeiro, ocasião na qual o status de “pandemia” ainda não havia sido decretado.

No mesmo dia, no entanto, Trump anunciou restrições aos passageiros que estivessem vindo da China para os Estados Unidos.

As reclamações de Donald Trump ganharam força no governo norte-americano.

Marco Rubio, senador republicano, acusou Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, de “permitir que Pequim usasse a OMS para enganar a comunidade global” e pediu a renúncia do etíope do cargo.

Mike Pompeo, secretário de estado norte-americano, cobrou transparência dos países sobre a pandemia, em crítica direcionada diretamente para a China.

“Toda nação, seja uma democracia ou não, tem que compartilhar este tipo de informação de uma maneira transparente, aberta e eficiente”, afirmou, segundo a Reuters.

O governo chinês, por sua vez, afirmou que está sendo transparente desde o início no que tange a pandemia de coronavírus e retribuiu as críticas às autoridades norte-americanas por duvidarem da posição de Pequim a esse respeito.

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