OMS declara emergência mundial de saúde por causa do coronavírus

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: Reprodução /FotospublicasFotospublicas

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou, nesta quinta (31), em Genebra, estado de emergência mundial de saúde por causa da epidemia causada pelo coronavírus, o 2019 nCoV.

O surto já foi detectado em 18 países, com 98 pacientes internados, e causou ao menos 170 mortes na China, com 7,7 mil casos de infecção no mundo todo. Há 12 mil casos suspeitos em investigação. Aos menos 88 mil pessoas estão sendo vigiadas após contato com amigos ou familiares.

O vírus causa graves sintomas respiratórios e doenças pulmonares. A declaração foi feita após reunião entre cientistas e autoridades na Suíça.

A organização disse que o surto não tem precedentes e sugere um plano de ação coordenada entre países contra a propagação da doença.

No Brasil

O Brasil tem nove casos suspeitos, informou nesta quinta o Ministério da Saúde. Apesar de o número de casos ter se mantido igual ao divulgado ontem, há quatro novos casos considerados suspeitos e outros quatro foram descartados.

Foram registrados no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraná. O caso do Rio Grande do Sul já havia sido notificado e chegou a ser excluído. No entanto, voltou a ser considerado suspeito após o paciente apresentar outros sintomas. Os dados foram fechados pela pasta às 12h de hoje.

Até o momento, 43 casos foram notificados pelo Brasil. Destes, 28 já foram excluídos. Até o fechamento do balanço, os casos estavam distribuídos em: (1) Minas Gerais, (1) Rio de Janeiro, (3) São Paulo, (2) Rio Grande do Sul, (1) Paraná, (1) Ceará.

Mobilização de governos

O diretor-geral da OMS Tedros Adhanom Ghebreyesus declarou: “Precisamos lembrar que são pessoas, não números. A declaração de uma emergência de saúde pública sé importante. Mas são essenciais as recomendações do comitê para impedir a propagação do vírus”.

A declaração da OMS tem como objetivo aumentar a mobilização de governos para evitar o aumento ainda maior de casos. A organização espera que recursos sejam destinados para conter a epidemia.

A OMS já utilizou a expressão “emergência de saúde pública de interesse internacional” com a gripe suína H1N1, em 2009, o zika vírus, em 2016, e a febre ebola, entre 2014 e 2016 — que atingiu a África Ocidental — e República democrática do Congo a partir de 2018.

Patamar de surto na China

Os representantes da OMS, contudo, negaram que o anúncio signifique uma manifestação de desconfiança com a China.

“A China está tendo um novo patamar para este surto. Meu respeito e agradecimento para os profissionais de saúde que, no meio do festival de primavera, estão trabalhando por 24 horas, durante sete dias por semana, para salvar vidas e colocar o surto em controle”, afirmou o diretor da Organização, Tedros Adhanom.

A OMS afirmou que não há necessidade de medidas para evitar viagens ou comércio internacional com a China. Além disso, apresentou um conjunto de recomendações, como apoio a países com sistemas de saúde mais precários, combate a rumores e desinformação, desenvolvimento de recursos para identificar, isolar e cuidar dos casos, além do compartilhamento de dados e conhecimento sobre o vírus.

“Países devem trabalhar juntos no espírito de solidariedade e cooperação. Estamos nessa juntos e só podemos parar juntos. Este é o tempo de fatos, não medo, para ciência, não rumores, para solidariedade, não estigma”, destacou Adhanom.

China testa medicamentos

Cientistas, médicos e pesquisadores chineses estão trabalhando 24 horas por dia, sete dias por semana, para tentar encontrar uma cura para o coronavírus.

De acordo com as agências de notícias do país, a Academia Chinesa de Ciências anunciou testes com 30 medicamentos que podem ter efeitos terapêuticos contra a doença que está alarmando o mundo.

Uma equipe formada por profissionais do Instituto de Matéria Médica de Shanghai da ACC e da Universidade Shanghai Tech está procurando uma forma de combater o 2019-nCoV, responsável por infectar 4.515 pessoas e vitimar outras 106 apenas no próprio país.

Combate

Os pesquisadores revelaram no domingo (26) a estrutura de cristal de alta resolução de proteinase, principal viral (Mpro) do novo coronavírus e, com base nos estudos, selecionaram 30 medicamentos com potencial para combate.

Entre os 30 remédios que serão testados estão inclusos 12 medicamentos anti-HIV, como Indinavir, Saquinavir, Lopinavir, Carfilzomib e Ritonavir, dois contra vírus sincicial respiratório, um anti-esquizofrenia, assim como um imunossupressivo.

Os medicamentos que estão em estudo serão sugeridos para o tratamento de pacientes com pneumonia infectados pelo 2019-nCoV.

Nove casos no Brasil

O Ministério da Saúde informou nesta quarta-feira (29) que investiga nove casos suspeitos de coronavírus no Brasil. O número triplicou de um dia para o outro. Na terça, eram três casos. E na segunda, apenas um, em Minas Gerais. Os dados foram atualizados sobre suspeitas, mas não há nenhum caso confirmado no país.

Apesar do primeiro caso suspeito ter surgido em Minas Gerais, com uma mulher de 22 anos que havia viajado para Wuhan, na China, epicentro da crise mundial, é no estado de São Paulo que se concentram as suspeitas. Os casos estão divididos assim: São Paulo (3), Santa Catarina (2), Minas Gerais (1), Rio de Janeiro (1), Paraná (1) e Ceará (1).

O secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, informa que são 33 notificações no país. Desses, por enquanto, nove são casos suspeitos, quatro descartados e vinte excluídos. Os dados podem ser atualizados a qualquer instante.

As suspeitas de coronavírus levam em consideração as seguintes categorias: notificado, suspeito, provável, confirmado, descartado e excluído.

Emergência

O diretor do departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis, Júlio Croda, afirma que “estamos em emergência de saúde pública. Não podemos perder a oportunidade de intervenção. A notificação (de suspeita) deve ser imediata e pode ser feita por diversos meios de comunicação”.

Croda declarou que cada estado tem autonomia própria no que diz respeito aos atendimentos e que o Ministério não pretende “fazer uma imposição radical” sobre como agir. O diretor ainda alertou para o fato de que o vírus não apresenta um sintoma próprio, sendo fácil confundi-lo com outras infecções, inclusive com uma simples gripe.

*com Agência Brasil