OMC afirma que tarifas dos EUA sobre produtos chineses violam regras de comércio internacional

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
1

Crédito: Reprodução/iStock Photos

A Organização Mundial do Comércio (OMC) decidiu nesta terça-feira (15) que as tarifas adicionais impostas em 2018 pelos Estados Unidos sobre produtos chineses violaram as regras do comércio internacional. As informações são da CNBC.

Um painel de três especialistas em comércio da OMC disse que Washington infringiu as regulamentações globais em 2018.

Naquele ano, aplicou mais de US$ 200 bilhões em impostos sobre uma série de produtos chineses.

Ferramenta ajuda na escolha de suas ações de acordo com balanços

Desde então, os Estados Unidos impuseram US$ 400 bilhões em exportações chinesas.

Tensões comerciais sem precedentes

“Os Estados Unidos não cumpriram com seu ônus de demonstrar que as medidas eram justificadas”, disse a OMC em um relatório.

Além da decisão, a OMC observou que seu papel se tornou ainda mais importante, diante de “uma série de tensões comerciais globais sem precedentes” vividas atualmente.

A Casa Branca e a Embaixada da China em Washington não comentaram o parecer da OMC.

Entretanto, hoje, o Ministério do Comércio da China saudou a decisão da OMC.

Estados Unidos criticam a OMC

O governo Trump já havia afirmado que as tarifas sobre produtos da China eram necessárias para conter o que ele considera “práticas comerciais desleais de Pequim” e “roubo de propriedade intelectual”.

Segundo a CNBC, “o Representante de Comércio dos Estados Unidos reiterou essas afirmações na terça-feira após a decisão da OMC”.

E foi mais longe: desqualificou mais uma vez o organismo internacional.

“Este relatório do painel confirma o que o governo Trump vem dizendo há quatro anos: a OMC é completamente inadequada para impedir as práticas tecnológicas prejudiciais da China”, disse o Embaixador do Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, em um comunicado.

“Os Estados Unidos devem ter permissão para se defender contra práticas comerciais desleais”, seguiu.

Os Estados Unidos sob o governo de Donald Trump nunca foram muito reverentes a organismos internacionais.

Em campanha à reeleição, Trump vê na disputa com a China a brecha para sublinhar o “patriotismo” de sua administração.

O mercado de capitais, entretanto, segue vendo o país asiático como um bom negócio.

Washington agora tem 60 dias para apelar da decisão, segundo as regras da OMC.