Olimpíadas de Tóquio: comitê organizador mantém calendário, apesar do avanço do Covid-19

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Divulgação / COI

Nesta semana, o membro do Comitê Olímpico Internacional (COI), Dick Pound, chegou a ventilar a ideia de adiar os Jogos Olímpicos de Tóquio para “três meses depois”, em virtude do rápido avanço do Covid-19 especialmente no Japão. O comitê organizador de Tóquio 2020, entretanto, repudiou a possibilidade e diz que tudo vai “continuar como planejado”.

Os Jogos estão marcados para iniciar dia 24 de julho e terminar em 9 de agosto. “Nunca sequer discutimos o cancelamento dos Jogos”, disse o comitê organizador ao jornal chinês Global Times. “A preparação vai continuar como planejada”.

Covid-19 se alastra

A preocupação do COI é evidente. Os números do surto explodiram em um mês. Comparando-se com o dia 2 de fevereiro, quando os casos confirmados não chegavam a 9 mil em todo o mundo e se restringiam praticamente à China continental, o que se vê em 26 do mesmo mês é que os confirmados passam de 81 mil, com 2.768 mortes.

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No Japão, são 178 casos, com duas mortes associadas ao vírus. Isso sem contar o navio de cruzeiro Diamond Princess, que está ancorado no porto japonês de Yokohama, ainda em quarentena, com 705 casos confirmados e quatro mortes associadas.

A ilha está cercada por dois países com mais casos, a China e a Coreia do Sul. Os chineses viram o número de casos subir para 78.064 pessoas, com 2.715 mortes. Já os sul-coreanos se assustaram com a rápida propagação do Covid-19, chegando a 1.261 casos e 12 mortes.

Em termos de expectativa de público, as Olimpíadas podem sofrer com o rápido alastramento do vírus também na Europa. França e Itália entraram em estado de alerta. Os italianos viram o número subir na última semana para alarmantes 322 casos e 20 mortes. O carnaval de Veneza, tradicionalíssimo, teve que ser cancelado.

Apesar dos últimos dados e de ser uma situação “profundamente preocupante”, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse nessa segunda-feira (24), em Genebra, na Suíça, que o mundo ainda não enfrenta uma pandemia: “usar a palavra ‘pandemia’ de maneira descuidada não traz benefícios tangíveis, mas apresenta um risco significativo em termos de amplificação do medo e estigma desnecessários e injustificados e de sistemas paralisantes. Também pode sinalizar que não podemos mais conter o vírus, o que não é verdade”.

Cancelamento improvável

“Contra-medidas por doenças infecciosas constituem uma parte importante dos planos de Tóquio 2020 para sediar jogos seguros e protegidos”, disseram os organizadores.

É improvável que as Olimpíadas de Tóquio 2020 sejam canceladas. A mudança seria um grande golpe para o Japão, trazendo implicações econômicas e sociais significativas para um país que já está enfrentando um crescimento lento, segundo analistas.

“Se o evento for cancelado devido ao fracasso das autoridades japonesas em conter a disseminação do coronavírus, se Shinzō Abe poderia continuar no cargo será uma questão. O cancelamento provocaria um terremoto político”, disse Zhang Jifeng, vice-diretor do Instituto de Estudos Japoneses na Academia Chinesa de Ciências Sociais, ao Global Times na quinta-feira (20).

No entanto, especulações sobre um possível cancelamento enviariam um aviso ao governo japonês, pedindo a adotação de medidas mais decisivas e agressivas no combate ao vírus, disse o especialista chinês.

Entretanto, a maioria dos internautas japoneses acredita que é necessário cancelar as Olimpíadas com base na grave situação do Covid-19. O governo do primeiro-ministro Shinzō Abe tem sido bastante criticado no modo como lida com o problema: “embora tenhamos gastado muito dinheiro com os preparativos, a vida das pessoas é a coisa mais importante”, comentou um internauta japonês.

“Acho que o governo deveria se concentrar mais em como combater o vírus e tomar medidas mais práticas, em vez de desperdiçar mais dinheiro nas Olimpíadas”, disse outro.

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