OIT: com pandemia, quase metade da força de trabalho global está sob risco de perder renda

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Dominic Chavez / Banco Mundial

A Organização Internacional do Trabalho (OIT), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), afirmou na quarta-feira (28) que cerca de 1,6 bilhão trabalhadores na economia informal, o que representa quase metade da força de trabalho global, podem ter seus meios de subsistência destruídos devido à pandemia do novo coronavírus.

É o reflexo das necessárias medidas de contenção social para evitar maior disseminação da Covid-19.

Os dados estão na terceira edição do “Monitor da OIT: Covid-19 e o mundo do trabalho”, que foi divulgado pela organização nessa quarta.

Por isso, o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, disse que, à medida que a pandemia e a crise do emprego evoluem, a necessidade de proteger os trabalhadores mais vulneráveis ​​do mundo se torna ainda mais urgente.

Forte queda na renda

Segundo a OIT, há em todo mundo cerca de 3,3 bilhões de trabalhadores. Desses, 2 bilhões estão na economia informal, representando os trabalhadores mais vulneráveis ​​do mercado de trabalho.

A agência disse que “1,6 bilhão de pessoas na economia informal ‘sofreram danos maciços em sua capacidade de ganhar a vida’ como resultado do colapso econômico” em decorrência do novo coronavírus.

Esses trabalhadores tiveram uma queda de 60% na renda durante o primeiro mês da crise, segundo estimativas da OIT.

“Isso se traduz em um declínio de mais de 80% na África e nas Américas, 70% na Europa e Ásia Central e 21,6% na Ásia e no Pacífico”, informa a OIT.

OIT revê previsão

“Em comparação com os níveis anteriores à crise”, informou a OIT, “haverá uma deterioração de 10,5% nas horas trabalhadas durante este segundo trimestre do ano, equivalente a 305 milhões de empregos em período integral. As projeções anteriores haviam estimado uma queda de 6,7%, ou 195 milhões de trabalhadores em período integral”.

Em todo o mundo, de uma maneira ou de outra, foram implantadas medidas de restrição de comércio e circulação de pessoas. Mas, com o paulatino relaxamento dessas medidas, a OIT estima que a proporção de trabalhadores restringidos caiu de 81% para 68% nas últimas duas semanas.

Essa queda se deve basicamente à China e outras partes da Ásia.

Recuperação sustentável

Governos têm tentado aplicar recursos para salvar empresas e empregos. Mas a OIT pede atenção especial às pequenas empresas e aos trabalhadores da economia informal.

“As medidas para reativação econômica devem seguir uma abordagem rica em empregos, apoiada por políticas e instituições de emprego mais fortes, sistemas de proteção social com melhores recursos e abrangentes”, recomendou a agência.

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