O que as ações OIBR3, CIEL3, IRBR3 e COGN3 têm em comum?

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Com Selic a 2%, em sua mínima histórica, o investidor está, definitivamente, migrando da renda fixa para a renda variável. Prova disso é o aumento de pessoas físicas negociando na bolsa de valores. Em outubro, esse número ultrapassou os 3 milhões.

Mas há ainda quem se sinta receoso em abrir mão da segurança da renda fixa e navegar pelos mares desconhecidos da renda variável.

Para esses, a dica é começar devagar, aportando quantias menores, a fim de conhecer o mercado, treinar, para só depois se aventurar em passos maiores.

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Diante dessa informação, muitos acabam inclinados a começar por ações de valor mais baixo. E podem recorrer a algumas das mais negociadas na bolsa que custam perto de R$ 5. Entre elas estão empresas como Oi (OIBR3 OIBR4), Cogna (COGN3), Cielo (CIEL3) e IRB (IRBR3), por exemplo.

No entanto, apesar de o preço ser relevante na escolha do ativo e de as empresas buscarem tornar seus papéis cada vez mais líquidos, o investidor precisa saber que o preço da ação diz muito pouco sobre a empresa da qual ele está se tornando sócio.

Entenda a questão da precificação e qual o melhor caminho para os novatos na B3.

Ações por até R$ 5

Tonar-se sócio de uma empresa gastando R$ 5 na ação pode parecer tentador. E até pode ser um bom negócio, realmente.

Mas, para quem esta entrando na bolsa, a questão do preço baixo não deve ser o ponto de partida para a escolha da empresa na qual se vai investir.

As oportunidades abaixo de R$ 5 realmente existem e chamam a atenção. Mas os critérios de escolha dos papéis devem ser outros, apontam os especialistas.

O educador financeiro André Massaro ensina que a tomada de decisão de escolha da ação não deve ser focada no preço. “O preço da ação por si só não tem nenhum significado”, diz.

“É um grande erro, por exemplo, pegar duas ações de empresas completamente diferentes e dizer que uma custa 10 e a outra 20. A gente sempre compara o preço da ação com ela mesma, não com outras”, ensina.

Para saber se vale a pena investir em determinada empresa, o ideal é buscar orientação com assessores qualificados e estudar os resultados financeiros da empresa. E não apenas os números do último balanço, mas analisando o desempenho dos últimos anos, a fim de entender a solidez do negócio.

Ações em lote ou mercado fracionário?

Outra recomendação para quem tem pouco dinheiro para entrar na bolsa é operar no mercado fracionário.

É nele que são negociadas as ações por unidades ou frações. Isto significa que você não precisa comprar o lote mínimo padrão, que é de 100 ações.

No mercado fracionário você pode comprar apenas parte do lote. Consequentemente, você não precisa de um grande capital para investir.

O mercado fracionado é acessado da mesma forma na plataforma da corretora de escolha do investidor. A diferença é que junto ao ticker da empresa haverá a letra F. Por exemplo, a ação da Petrobras negociada por unidade será PETR4F (ticker PETR4 mais e letra F).

“Nossa recomendação para quem tem pouco dinheiro é ir para o mercado fracionário. Mas não focando somente no preço, mas na liquidez da ação. Ações com bastante liquidez são de empresas como Vale, Petrobras, Embraer e bancos, entre várias outras”, aponta Ellias Wiggers, assessor e sócio daEQI Investimentos.

O foco na liquidez da ação, aponta Wiggers, evita oscilações muito fortes no preço dos papéis.

“Se, por exemplo, o investidor compra ação de uma empresa por R$ 5 e ela sobe para R$ 7, ótimo, valorizou 50%. Mas se acontecer o contrário e em um dia ele perder 50%, ele se assusta e se afasta da bolsa”, explica.

“Por outro lado, se ele comprar uma ação de empresa mais estável, menos volátil, como uma Vale ou uma Petrobras, ele entenderá melhor o funcionamento do mercado”, complementa.

A volatilidade, ele explica, vem da quantidade e da facilidade de venda das ações disponíveis no mercado. Em momentos de queda de preços, é difícil vender ações com baixa liquidez, ao contrário do que ocorre com as mais líquidas.

Desdobramento de ação

Uma prática comum no mercado e que ajuda os investidores com poucos recursos é o chamado split, ou desdobramento de ações. Ele acontece quando as empresas têm interesse em deixar as ações mais acessíveis ao grande público e, para isso, dividem uma mesma ação em outras (às vezes duas, cinco, dez etc).

As ações com maior liquidez que passaram por desdobramentos podem ser interessantes para os investidores com poucos recursos.

Duas empresas recorreram a esta estratégia recentemente. O Magazine Luiza desdobrou suas ações que subiram muito esse ano na proporção de 4 para 1. Então, o papel que estava valendo em torno de R$ 100 passou a valer R$ 25. E cada acionista passou a ter um maior número de ações, na mesma proporção.

Já a Hapvida fez o split de 5 para uma. O papel passou de R$ 71,90 para R$ 14,50, aproximadamente.

“Hoje temos Fundos Imobiliários sendo negociados em cota única e, mais recentemente os Brazilian Depositary Receipts (BDRs), que reproduzem ações estrangeiras, também negociados em unidades. Isso deixa o mercado bem mais acessível. Quem sabe em um futuro próximo todas as ações passem, por padrão, a ser negociadas individualmente”, aponta Massaro.

Taxa de corretagem

Além do valor da ação, o investidor tem que ficar atento também a outros custos. Para quem quer começar na bolsa, é preciso abrir uma conta de investimento em uma corretora e as operações, tanto de compra como de venda, que são chamadas de ordem, estão sujeitas a taxas de corretagem, independentemente do valor da ação que será negociada.

As taxas de corretagem variam bastante entre as corretoras. E podem também variar de acordo com o modo como você fará a transação. Sozinho, pela plataforma da corretora, ou com ajuda de um operador ou assessor de investimentos.

Há corretoras que não cobram taxas. E há outras que cobram apenas para negócios com ações e isentam os Fundos Imobiliários. Há outras que cobram uma taxa para negócios, por exemplo, até 99 ações e outra uma taxa maior para negócios acima de 100 ações.

Portanto, o investidor deve se informar sobre isso antes de investir. Pois, se for começar com quantias bem pequenas, precisará ter um valor maior para as taxas.

Há ainda custos cobrados pela B3 (taxa de liquidação e emolumentos), mas representam parcelas menores, aproximadamente 0,3% do valor negociado.

 

*Com Marcia Furlan

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