Oi (OIBR4), IPCA, vendas no varejo e big techs agitam semana

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: Divulgação

Na semana que abre com feriados no Brasil (Independência) e nos EUA (Dia do Trabalho), os destaques ficam com os anúncios da inflação medida pelo IPCA e o de índices como o das vendas do varejo e do setor de serviços no Brasil.

O radar dos investidores está voltado também, no setor corporativo, para a assembleia da Oi (OIBR4).

O encontro vai deliberar pela proposta de mudança no plano de recuperação judicial da empresa – o que inclui a venda de ativos, entre os quais a disputada operação móvel.

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A expectativa é de que o plano seja aprovado.

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No exterior o ponto de atenção será o comportamento das ações das big techs. Nesta semana, em Nova York, S&P 500 e da Nasdaq registraram recordes consecutivos.

Entre as razões estavam as vendas de opções das techs, concorridas nos últimos pregões.

Mas a euforia do meio da semana terminou em apreensão — com quedas bruscas e oscilações, transferindo para os próximos dias a ansiedade sobre o desfecho dessa história. Amazon, Tesla, Microsoft, Apple vão pesar nos índices?

Além da tensão no mercado, o calendário da segunda semana de setembro terá a divulgação do  Índice de Preços ao Consumidor , nos EUA, e a definição das taxas de juros no Banco Central Europeu.

Bolsa busca recuperação

A bolsa de valores encerrou a última semana com recuo de 0,88%. O resultado veio após duas semanas fechando em alta.

A sexta-feira (4) foi no estilo montanha russa: o pregão começou com forte queda, levando o índice para o patamar abaixo dos 100 mil pontos. Ao final da sessão, o Ibovespa avançou 0,52%, aos 101.241,73.

No mês a alta acumulada é de 1,88%. No ano, as perdas somam 12,45%.

O dólar fechou a semana com queda de 1,98%o. Nesta sexta, a moeda norte-americana se recuperou bem pouco, com mais 0,21%, indo a R$ 5,3071.

Na sexta,  assim que Nova York se recuperou, as ações com maior peso no Ibovespa, principalmente os setores de siderurgia e mineração, desvalorizado na quinta.

O mercado segue de olho nos números preocupantes e desdobramentos da pandemia, na proximidade das eleições americanas.

O sensor do mercado atenta ainda por um aguardado, mas ainda improvável, acordo no Congresso americano sobre um novo pacote de incentivo à economia.

Sem contar, claro, o humor das bolsas americanas em torno da questão das big techs.

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Oi: assembleia aguardada

Outro evento esperado é a assembleia virtual da Oi, nesta terça-feira (8).

A Justiça negou recursos pedindo adiamentos da assembleia e confirmou o encontro, que deverá ser feito de forma virtual.

A assembleia pretende deliberar pela proposta de mudança no plano de recuperação judicial da Oi, incluindo a permissão para venda das redes móveis, fibra ótica, torres e data centers.

Durante a assembleia será votada, entre outros assuntos, o aditamento da Oi ao plano de recuperação judicial.

Se aprovado, vai permitir à empresa vender ativos como a Oi Móvel. O processo é visto como fundamental para equacionar a dívida da empresa.

TIM (TIMP3), Telefônica (VIVT4) e Claro formaram um consórcio para disputar a operação móvel.

Investidores estão interessados ainda na aquisição da UPI TVCo, seu negócio de TV por assinatura.

IPCA

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação no país apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sai na próxima quarta (9).

Em julho, o IPCA veio dentro das expectativas do mercado, com alta de 0,36%.

Em junho, avançou 0,26%, depois de dois meses de deflação em maio e abril, de 0,38% e 0,31%, respectivamente.

Em março, o IPCA marcava avanço de 0,07%. Em fevereiro, 0,15%. E em janeiro, 0,34%.

No acumulado do ano de 2020, o indicador é de 0,46%, enquanto nos últimos 12 meses é de 2,31%. Em julho de 2019, a taxa havia sido de 0,19%.

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Vendas no varejo e setor de serviços

A agenda da semana terá também a divulgação de outros termômetros da economia.

Na  quinta (10), o IBGE divulga a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) de julho.

O comércio varejista no Brasil cresceu 8% em junho, ante 14,4% de maio. A projeção do mercado era por leitura menor, de 5,4%.

A média móvel trimestral cresceu 0,9% no trimestre encerrado em junho.

O comércio varejista avançou 0,5% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Já no acumulado dos últimos 12 meses o crescimento foi de 0,1%.

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Apesar dos avanços em maio e junho, o varejo fechou o semestre — marcado desde março pela medidas de isolamento por causa da pandemia — com queda de 3,1% na comparação com o primeiro semestre de 2019.

O resultado semestral é o menor desde o segundo semestre de 2016 (quando registrou queda de 5,6%).

Espera-se agora, com a reabertura gradual da atividade econômica, um resultado mais robusto.

Na sexta (11), o IBGE anuncia o resultado da Pesquisa Mensal de Serviços de julho. Depois de quatro meses de quedas, o setor de serviços teve avanço de 5% em junho.

Na comparação com junho de 2019, a queda foi de 12,1%.

Big Techs

As bolsas americanas engataram a ré nesta quinta (3), após vários recordes consecutivos do S&P 500 e da Nasdaq.

Um dos motivos seria um consistente movimento de venda de opções das techs.

As ações agravaram na sexta (4) as perdas do dia anterior e algumas ações de tecnologia se recuperando.

O Dow Jones começou caindo, mas acabou fechando com baixa de 0,49%.

O S&P 500 perdeu 0,74%. E o Nasdaq recuou 1,18%, abaixo dos históricos 12 mil alcançados esta semana.

Os três principais índices fecharam a semana com uma queda considerável.

Colapso?

A volatilidade intensa foi tema de uma reportagem da CNBC. Ron William, estrategista de mercado e fundador da RW Advisory, deu entrevista ao site

Ele comentou: “Os preços dos ativos, que experimentam momentos de alta nos últimos meses, podem estar à beira de um colapso acentuado”.

O cenário de liquidez e a volatilidade pode indicar um quadro perigoso, ponderou Williams à CNBC.

Combinado com altas avaliações, sazonalidade negativa e o ciclo eleitoral que se aproxima, William disse que o mercado pode estar procurando correção.

Isso pode ser saudável a longo prazo, diz ele, e pode culminar em um “período de reparo de vários anos antes que os riscos de longo prazo reapareçam novamente”.

Outros analistas também temem por dias ainda mais intensos no mercado. em virtude desse roteiro que mistura ações de tecnologia e a possibilidade de um crash.

Esta semana de quatro dias úteis nos EUA e no Brasil pode dar mais indícios do que virá – ou não.

Zona do euro e inflação nos EUA

A agenda externa tem outro anúncio importante. Sai na quinta a resolução do Banco Central Europeu (BCE) sobre a política monetária da zona do euro

Em 16 de julho, o BCE decidiu por manter inalteradas as taxas de juros básicas (0%).

“O Conselho do BCE espera que as taxas de juros se mantenham nos níveis atuais ou em níveis inferiores”, dizia o relatório da instituição, que prometeu continuar fornecendo liquidez ampla por meio de operações de refinanciamento..

Na sexta sai o Índice de Preços ao Consumidor (IPC ou CPI na sigla em inglês) dos Estados Unidos, indicador de inflação, do mês de agosto.

O IPC subiu 0,6% em julho, mais alto do que a projeção do mercado de 0,2%. Em junho, a alta foi de 0,2%.

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