Oi (OIBR4) ingressa na carteira do BTG Pactual em agosto

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 7 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Divulgação/ Oi

O BTG Pactual divulgou nesta segunda-feira (03) sua carteira para o mês de agosto, a única modificação foi a entrada da Oi (OIBR4) no lugar da Sulamerica (SULA11).

De acordo com o BTG, a entrada da Oi é justificada pelo avanço rápido e com sucesso da reestruturação da companhia.

O forte interesse nos ativos  da Oi mostra que a empresa pode levantar dinheiro suficiente para reduzir a alavancagem enquanto investe para implantar uma rede nacional de fibra para casa.

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O BTG ainda reforça que a Oi já faz parte da carteira small cap do Banco há alguns meses.

Enquanto isso, a TIM mantém seu lugar na carteira de agosto.

Isso porque ganha mais se sua oferta de compra dos ativos móveis da Oi acabar vencendo – TIM, Vivo e Claro ofereceram R$ 16,5 bilhões por esses ativos móveis.

A carteira mensal inclui ainda Petrobras (desalavancagem/melhor alocação de capital), CCR (gasoduto robusto de novos projetos de concessão), Cyrela (forte recuperação do setor habitacional), LAME (varejista resiliente/vendedor de comércio eletrônico), B3 (forte fluxos/boom de ECM), Totvs (modelo de negócios resiliente) e exportadores Vale e JBS.

Ibovespa

Apesar do Ibovespa ter subido 62% em relação à sua baixa em meados de março, o Banco acredita que a Bolsa pode continuar subindo em um ambiente político mais estável, com a retomada dos debates sobre reformas estruturais e os fortes fluxos de ações (impulsionados por taxas de juros extremamente baixas).

Conforme o BTG, à medida que o balanço de riscos melhora e as previsões de atividade econômica aumentam os fundamentos justificam a avaliação atual do Ibovespa.

Vale (VALE3)

De acordo com o Banco, tipicamente é uma má ideia comprar ações de commodities durante uma recessão.

Mas, na visão do BTG o minério de ferro consiste em uma das poucas histórias específicas isoladas da crise, explicando a relativa estabilidade dos ganhos da Vale em 2020.

A demanda de minério de ferro da China (~70% do mercado marítimo) permanece tão forte como sempre, enquanto interrupções agudas do lado da oferta colocaram os mercados em um déficit até agora no ano – os preços spot permanecem acima de ~US$ 100/t.

Sendo assim, o BTG projeta que a Vale poderá entregar cerca de US$ 17 bilhões em Ebtida em 2020, o que lhe dá um rendimento de +15% (saídas ex-Brumadinho).

Embora as ações sejam inegavelmente baratas sob qualquer métrica, o BTG acredita que o retorno do valor patrimonial será um processo gradual, baseado em três pilares:

  • retorno da política de dividendos (reintegrada na semana passada) deve impulsionar entradas adicionais;
  • recuperação acentuada dos volumes e custos em declínio; e
  • melhora marginalmente da percepção do ESG, dado o maior foco da gestão no tema desde Brumadinho (longo prazo). Vemos as ações em ~4x EBITDA 20 (grande lacuna para os pares) e o Banco optou por mantê-la.

B3 (B3SA3)

Para o BTG, a B3 deve se beneficiar do aumento de investidores de varejo na bolsa. Isso se deve a mudança estrutural no comportamento dos investimentos, impulsionada pelas taxas de juros anormalmente baixas.

Os fluxos mais altos de informações via canais digitais também contribuíram para um rápido aumento no número de investidores de varejo na B3.

Embora parte dessa nova atividade comercial possa ser indiscutivelmente cíclica (de natureza de curto prazo), a pandemia pode ter acelerado as tendências estruturais em vários anos, o que pode ser muito poderoso para a B3 e a indústria do mercado de capitais brasileiro.

Lojas Americanas (LAME4)

Apesar de assumir que as ações da Lojas Americanas devem ter dificuldades devido ao menor tráfego de lojas, o BTG mantém sua recomendação para o papel.

Isso porque, a Lojas Americanas atenua parcialmente estes impactos através de sua ampla variedade e maior participação das vendas on-line.

O BTG enxerga riscos positivos de potenciais parcerias na Ame Digital e no formato de conveniência, enquanto o capital de giro melhorou continuamente nos últimos trimestres, o que não está totalmente precificado, bem como a exposição à B2W (na qual a LAME detém uma participação de 62%) com fortes perspectivas de crescimento.

Segundo estimativas, a preços atuais, a Lojas Americanas negocia em múltiplos atraentes em relação a mediana do setor varejista, o que demonstra sua resiliência em meio à turbulência do segmento.

JBS (JBSS3)

Em um mundo sem oferta de carne após o surto de ASF, e com a demanda de proteínas historicamente provando ser altamente inelástica e bastante resiliente, o BTG acredita que a JBS oferece uma proposta de valor convincente.

A recente depreciação do real e o forte impulso na maioria de suas divisões devem permitir que a JBS continue crescendo seus resultados operacionais em 2020, enquanto a avaliação permanece barata, negociando em 4,5 vezes EV/ Ebtida.

Por fim, o BTG espera que seu desconto de longa data de governança corporativa/gestão desapareça gradualmente à medida que a gestão se profissionaliz.

Além disso, a JBS se esforça mais para melhorar a governança corporativa, e busca uma estrutura de capital mais razoável e menor custo de dívida.

Cyrela (CYRE3)

Apesar da pandemia surto de Covid-19, estamos vendo uma rápida recuperação das vendas de casas no segmento de renda média/alta.

Na opinião do Banco, o movimento é impulsionado principalmente pelas baixas taxas de financiamento.

O BTG ainda acredita que a Cyrela está bem posicionada para surfar uma recuperação do setor imobiliário, pois tem diferentes marcas atendendo todos os segmentos de renda, enquanto a avaliação parece atraente em um cenário onde as vendas de casas começam

CCR (CCRO3)

Apesar da baixa visibilidade sobre a duração do Covid-19, a CCR é a nossa principal escolha de transporte do BTG

Conforme o Banco, o negócio se mostrou resiliente durante a crise, com dados de tráfego de julho confirmando uma recuperação gradual.

A companhia deve se beneficiar da lacuna de infraestrutura do país. Além disso, a concessão de gasoduto deverá ser retomado no período pós-crise.

A CCR também se beneficia de um ambiente menos competitivo, devido à pressão financeira enfrentada pela maioria de seus pares diretos.

Petrobras (PETR4)

Desde o início da pandemia, o BTG reitera a recomendação compra, devido a resiliência da companhia mesmo sob um “novo normal” para os preços do petróleo.

“O foco da Petrobras em projetos de alto retorno na área do pré-sal significa que ela deve ser capaz de reduzir o rompimento do petróleo mesmo abaixo de US$ 30/bbl, abrindo caminho para lucros sustentáveis, diz o relatório.

Como o pior momento para os mercados de petróleo parece estar no passado, o BTG acredita que os investidores devem gradualmente começar a prestar mais atenção ao processo de desalavancagem da empresa.

O desinvestimento de 50% de suas refinarias desempenhará um papel importante nessa frente.

Totvs (TOTS3)

De acordo com o Banco, a Totvs tem um modelo de negócio resiliente, com receitas recorrentes de aproximadamente de 76%.

No entanto, as vendas da Totvs estão diretamente relacionadas ao desempenho da economia global.

Uma desaceleração econômica e as demissões podem afetar negativamente as vendas recorrentes da Totvs.

TIM (TIMP3)

Normalmente as operadoras de telecomunicações devem superar outros setores em tempos nublados, dado seu modelo de negócios resiliente e forte geração de fluxo de caixa.

O BTG acredita que há uma vantagem adicional suculenta de uma possível transação de M&A para TIM envolvendo a Oi móvel.

Se a venda da divisão móvel da Oi por R$ 16,5 bilhões for confirmada, estima-se em sinergias de até R$ 3,5 por ação da TIM.