Oi (OIBR3; OIBR4): três coisas que você precisa saber antes de comprar

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Divulgação/Oi

Com a aprovação pelos credores de seu plano de recuperação judicial, que se arrasta desde 2017, a Oi (OIBR3; OIBR4) parece ter dado início, enfim, a uma nova etapa.

No dia 8 de setembro, em uma  assembleia virtual que durou mais de 12 horas, ficou decidido que a companhia será dividida em quatro “pedaços”: ativos móveis, torres, data center e fibra ótica.

A ideia é vender as três primeiras partes, sendo que o negócio de fibra ótica deverá ser dividido em dois, para que uma parcela seja vendida e a outra passe a ser o foco da empresa. O objetivo da Oi é se tornar uma empresa de infraestrutura e investir na oferta de fibra ótica para banda larga e redes de internet móvel 4G e 5G.

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Até que isso aconteça, muita água vai rolar e esse processo, claro, vai respingar nas ações desta complexa companhia. Veja o que os analistas estão falando sobre a Oi e o que você precisa saber antes de comprar papéis da empresa neste momento.

Cenário da Oi ainda é muito incerto

As ações da empresa, que já chegaram a valer R$ 114,70 em 2012, agora são cotadas a R$ 2,75. Acha pouco? Pois no dia 19 de março, no auge da crise, elas valiam R$ 0,85. Do pico de oito anos atrás até 17 de setembro de 2020, o tombo é de 97,6%.

Com ações oscilando entre R$ 1 e R$ 3, a Oi pode parecer a alguns investidores uma oportunidade de compra na baixa. Mas, para os analistas, essa pode ser uma interpretação  equivocada.

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Comprar ações da Oi (OIBR3; OIBR4) é algo que está fora das recomendações, até que o mercado tenha mais clareza sobre os próximos passos da recuperação da empresa.

“O cenário da companhia é incerto, até que ocorra a venda, de fato, dos ativos”, afirma

Greco Salvatore Montagna, assessor de mesa de renda variável daEQI Investimentos.

Em sua avaliação, as pessoas tendem a ser sentir muito atraídas por ações nesta faixa de preço, mas o valor passa uma impressão errada.

“A empresa perdeu muito valor de mercado e tem muita dívida. Se houvesse agrupamento de ação, muita gente não investiria na Oi. O valor da cotação não deve ser parâmetro para escolher ação”, recomenda.

Pedro Galdi, da Mirae Asset, também mantém recomendação neutra. “A Oi seguiu um caminho perigoso. O endividamento se ampliou de forma explosiva, o que a levou a pedir recuperação judicial. O curso de preço, hoje, está associado à finalização desse modelo proposto de recuperação, com muita especulação envolvida”, afirma.

TIM (TIMP3) deve sair ganhando

Já para a Ativa Investimentos, a melhor opção, hoje, é comprar TIM (TIMP3). Isso porque ela deve ser, dentre as três grandes que ficarão com a parte móvel da Oi, a que levará a maior fatia do negócio, por questões de divisão de mercado.

“A TIM é a que tem a menor parcela do mercado hoje e, por questões concorrenciais, tende a ser a mais beneficiada”, explica Pedro Serra, gerente de research da Ativa Investimentos.

Vem mais dívida pela frente

No processo de reestruturação, a companhia pretende levantar mais de R$ 27 bilhões com as vendas. Isso deve ajudar a equacionar a dívida da empresa, que, até aqui, é de R$ 26,1 bilhões. Os credores da Oi são ex-funcionários, microempresas e instituições financeiras. E também o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Mas vale lembrar que, até todos os negócios previstos serem finalizados, o que pode levar muitos meses, a companhia continua operando e gerando dívida. “A Oi é uma empresa de um setor que gera muito custo, porque demanda alta tecnologia. E ela não é rentável. Pelo contrário. Ela vem, há muitos anos, queimando caixa”, explica Montagna.

Com a venda da unidade de ativos móveis, a Oi pretende levantar até R$ 16 bilhões. Com o data center, outros R$ 325 milhões. E com as torres, R$ 1 bilhão. A parte a ser vendida de fibra ótica deve gerar R$ 6,5 bilhões.

Já ficou definido que o “braço” de telefonia móvel ficará com o consórcio formado por Claro, TIM e Vivo (VIVT4), que fizeram uma proposta conjunta e na qualidade de stalking horse, ou seja, compradores prioritários, que podem cobrir qualquer outra oferta feita.

Endividamento da Oi com bancos foi reduzido

A parcela da dívida que cabe aos bancos será reduzida a 55% do total. No entanto, tais credores não receberam bem a novidade e ameaçam questionar judicialmente a decisão.

“Estamos diante de uma tarefa complexa e difícil pela frente. Esse plano representa o melhor que a companhia pode oferecer aos credores. Existem muitos passos ainda”, afirmou o presidente da Oi, Rodrigo Abreu, na assembleia.

Leilão em lotes pode acelerar a venda

O plano de recuperação da Oi inclui a possibilidade de um leilão para a venda da parte móvel da empresa. Com isto, ela seria vendida em “fatias” para a concorrência. E já levando em conta os critérios que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) analisa neste tipo de negócio. Dessa forma, acredita a Oi, a transação seria agilizada. Ao investidor, cabe aguardar o próximo capítulo.