Oi (OIBR3): ‘Ninguém vai perpetuar operação deficitária’, diz presidente

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
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Crédito: Oi (OIBR3): ‘ninguém vai perpetuar manutenção de operação deficitária’, diz presidente

“Sendo bem transparente, ninguém vai perpetuar manutenção de uma operação deficitária”, disse o presidente da operadora de telefonia Oi (OIBR3), Rodrigo Abreu.

A fala do executivo diz respeito às tratativas da companhia junto à Anatel. A empresa aguarda a implementação do projeto de lei 13.879/2020 para desburocratizar o setor.

Para ele, a referida lei “resolve um problema grande da concessão, que deixou de ser sustentável já há algum tempo.”

Somente com a implementação do projeto “a empresa voltará a ser sustentável, com capacidade de crescimento e geração de caixa.”

Isso porque a legislação brasileira determina que empresas como a Oi instalem, por obrigação, um determinado volume dos chamados orelhões em boa parte do território nacional.

Conforme a companhia, tal iniciativa é arcaica e obsoleta para os dias atuais. Assim, a Oi aguarda as novas regras de migração de modelo propostas pela Anatel em consulta pública.

Trata-se do conjunto de regras decorrentes do novo modelo de telecomunicações e a agência está preparando as condições que irão balizar a conversão das atuais concessões de telefonia fixa (STFC).

Para a concessionária, estas condições devem ser estabelecidas levando em conta a possibilidade concreta de que os contratos de STFC possam ser rescindidos antes do prazo, em 2025, por serem inviáveis.

Para a Oi, entretanto, metade dos acessos ao STFC desapareceram em meados de 2007 e vem caindo desde então. Significa dizer que a telefonia celular se popularizou, tornando os orelhões ainda mais obsoletos.

De acordo com a operadora, a análise de Impacto Regulatório da Anatel, que visa fundamentar tecnicamente o conjunto de regras colocadas em consulta pública, é generalista e desconsidera nas contas o cenário de inviabilidade do serviço.

Caso o impasse continue, a concessão poderá ser devolvida prematuramente, assegurou Abreu.

Ele participou de uma live da XP Investimentos na manhã desta sexta-feira (8).

Veja o desempenho da OIBR3 na Bolsa:

Fonte: tradingview

Reestruturação

O executivo foi enfático ao afirmar que “ninguém faz reestruturação de companhia de R$ 20 bilhões em tempo recorde.”

A fala de Abreu leva em consideração todo o panorama vivenciado pelas companhias do segmento, que abrange a necessidade de estímulos, desburocratização e o cenário econômico flagelado pelo coronavírus.

“Nosso foco é manter o plano estratégico da companhia, e isso em suas várias frentes”, frisou, acrescentando que pretende manter a continuidade operacional frente à pandemia.

Segundo Abreu, a Oi colocou mais de dez mil profissionais em home office em uma semana, quando o governo determinou o lockdown, e está com 90% das lojas fechadas.

Apesar das dificuldades, o executivo se mostrou espirituoso ao dizer: “O Covid-19 é o maior agente de transformação digital da década.”