OI (OIBR3) confirma venda da Unitel à Sonangol por US$ 1 bi

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 18 anos de atuação em veículos, como Estadão/Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.

Crédito: Reprodução / Logo Oi Facebook

A Oi (OIBR3) confirmou há pouco, por meio de fato relevante, a venda da Unitel, sua subsidiária na África, à Sonangol, por US$ 1 bilhão. A informação havia sido publicada na véspera

Do valor total, US$ 699,1 milhões que serão pagos pela Sonangol hoje, enquanto outros US$ 60,9 milhões foram quitados por conta da transferência das ações da PT Ventures.

Além deste valores, outros US$ 240 milhões serão integralmente garantidos por carta de fiança emitida por banco de primeira linha, “a serem pagos incondicionalmente pela Sonangol à Africatel até 31 de julho de 2020, sendo assegurado à Africatel um fluxo mínimo mensal de US$ 40 milhões, a partir de fevereiro de 2020”.

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Tá, e aí?

A venda pela Oi da sua participação de 25% na empresa angolana Unitel por US$ 1 bilhão, transação confirmada hoje, pode representar um importante reforço na operação da companhia. De acordo com o analista Juarez Quadros, consultor da JMQN Advisors, a Oi tentava há algum tempo se desfazer dessa participação e o negócio pode ajudar também no processo de recuperação judicial da companhia.

O analista destaca que a OI está atuando em várias frentes a fim de sanear seu caixa. Estuda a venda de outros ativos, como propriedades e torres, assim como a emissão de debêntures, operação anunciada no final de dezembro, de R$ 2,5 bilhões.

Atratividade

“O fechamento da venda da Unitel vem somar esforços e pode viabilizar novos negócios para a companhia. O importante é se mostrar atrativo”, disse Quadros.

O consultor acrescenta que a empresa tem conseguido aos poucos cumprir com o que se comprometeu, em 2016, quando entrou com o pedido de recuperação judicial, do qual também fazem parte a Telemar Norte Leste, a Oi Móvel, Copart Participações 4 e 5 e Portugal Telecom.

Dívida reduzida

A dívida de R$ 65 bilhões foi reduzida para perto de R$ 20 bilhões, um valor que, segundo o consultor, pode ser equacionado. Em dezembro, a empresa pediu prorrogação do prazo da recuperação judicial e a decisão deve sair em fevereiro.

Para Eduardo Tude, da Teleco Consultoria, a transação “vem em boa hora” para a Oi, que precisa de recursos para investir para recuperar mercado. “A Unitel era um negócio que ela herdou da Portugal Telecom. Não tinha sentido para a empresa”, afirmou.

História

Os problemas da Oi – que sempre esteve envolvida em dificuldades, desde sua formação em 2008, resultado da união entre a Telemar e a Brasil Telecom – se acentuou com a fusão com a Portugal Telecom, em 2013. A promessa era de se criar uma supertele com atuação no Brasil, em Portugal e na África.

Mas a Portugal Telecom não colocou recursos no negócio, entrou apenas com seu patrimônio, o que teria sido o motivo principal para o processo de recuperação judicial, de acordo com acionistas minoritários.

A Oi é a quarta operadora de telefonia móvel do Brasil, atrás de Vivo, Claro e TIM, com aproximadamente 16% de mercado. Tem participação significativa em telefonia fixa em todos os Estados brasileiros, exceto São Paulo.

(Com Cláudia Maia)