Ofertas de ações e abertura de capital testam humor dos investidores

Marcello Sigwalt
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Crédito: Site CNF

Mesmo diante da perplexidade e indefinição em meio à pandemia do Covid-19, algumas empresas mais ‘ousadas’ testam o humor dos investidores por meio de ofertas de ações, seja inicial de ações (IPO) ou via ‘follow on’.

Tudo em nome da liquidez. E da sobrevivência.

É o caso da rede de estacionamentos Estapar (ALPK3) que promoveu o quinto IPO do ano este mês.

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A oferta permitiu uma captação de R$ 345,3 milhões.

Foi uma oferta tanto arriscada, ficou no piso da faixa indicativa, de R$ 10,50, que ia até R$ 13,00.

Esses recursos, em parte, foram aplicados no pagamento de concessão onerosa do serviço de estacionamento rotativo (zona azul) na capital paulista.

Mais ofertas

Já outras ofertas também estão no mercado, como o ‘follow on’ da Via Varejo (VVAR3) e da Centauro (CNTO3).

Enquanto a primeira deverá fazer uma captação primária de cerca de R$ 2,5 bilhões, a segunda anunciou a intenção de obter pouco mais de R$ 900 milhões.

Preços atrativos

No momento em que a CVC (CVCB3) anuncia a contratação do Itaú-BBA para oferta, empresas com o e-commerce apresentam alta valorização.

São elas: Magazine Luiza (MGLU3), Via Varejo (VVAR3) e B2W (BTOW3), que estiveram entre as maiores altas de maio.

“O pior já passou”, sentencia o analista de investimentos da Toro Investimentos, Lucas Carvalho.

Segundo ele, atualmente, os preços das ações estão muito atrativos, depois da correção no período da pandemia.

“É uma boa oportunidade para o investidor, aquele que tem maior apetite ao risco e que disponha de capital para aplicar em operações de renda variável, fazendo novas alocações”, explica.

Ações: recuperação

Frente à um Ibovespa superando a casa dos 87 mil pontos ele comenta que, diferentemente da crise de 2008 – que se arrastou durante meses – a atual teve sua queda mais ‘brutal’ em março, mas já se recuperou rapidamente.

“Todas essas quedas (do mercado de capitais) já foram precificadas, até porque os ativos encareceram muito, sobretudo no período de dezembro do ano passado a janeiro último ”, afirma o analista.

Na verdade, o analista argumenta que esse ‘otimismo’ do mercado de capitais nacional tem origem.

No caso, o fluxo internacional de negócios, onde há abundância de capital em busca de rentabilidade.

Níveis normais

Embora admita uma segunda onda de contágio da covid-19, observa que a volatilidade exacerbada se arrefeceu.

“No caso de uma segunda onda, o movimento de recuperação da economia pode ser descrito pela letra W, de quedas e altas sucessivas”, admite.

Correção geral

Para ele, com o reforço do caixa, pelas empresas, houve uma correção geral de preços das ações no mercado.

Ao contrário do esperado, essa iniciativa acabou contribuindo para a recuperação do Ibovespa.

Cabe ressaltar que a bolsa comemora dois meses de altas seguidas.

Ofertas

Embora admita que o recurso aos debêntures (mercado de dívida) é uma opção viável, o analista entende que a IPO ou o follow on se aplicam melhor ao momento atual, que requer capitalização mais rápida das empresas.

Ao mesmo tempo, o analista da Toro percebe um filão para potenciais compras de ações.

“Há muitas empresas de qualidade com estrutura de capital bem consistente que tiveram  depreciação muito grande nos seus preços. Isso sugere que muitos ativos estão baratos, em tese”, assinala.