Oferta pública x oferta privada – entenda a diferença

Bruno Bravo Duarte
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Divulgação

A oferta pública de valores mobiliários consiste na disponibilização de ações de empresas no mercado.

O processo começa com um IPO – sigla em inglês para “Initial Public Offering”, ou “oferta pública inicial”, que é quando uma empresa coloca as suas ações no mercados para receber novos sócios. Ou seja: é quando uma empresa abre o capital para que investidores possam tomar parte no capital social da companhia. Compartilham então os lucros e os riscos.

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A oferta pública inicial exige uma mudança na mentalidade da gestão, onde o gestor será obrigado a fornecer informações e a conviver com novos acionistas no mercado, o que torna o processo complexo e caro.

Oferta Pública: por que abrir capital?

Diferente do financiamento, as ações não tem vencimento nem prevêem um retorno financeiro específico. O que deixa a empresa em uma situação mais confortável. Isto porque o custo para emitir ações é menor do que os estabelecidos pelos bancos ou outros tipos de operações de crédito.

A liquidez no mercado é alta e o processo começa pelos fundos de venture capital e privaty equity. Estes possibilitam a aquisição de ações por novos investidores que vislumbram vender seus títulos com um lucro maior no futuro.

Ao abrir capital, a empresa tem como obrigação elevar o nível de transparência sobre suas operações e resultados. Isto para que os investidores possam decidir sobre manter seus recursos aplicados ou não. Essa atitude, para a companhia, simboliza um grau de credibilidade e um reconhecimento maior.

O IPO na prática

Para iniciar um IPO, a empresa deve seguir uma série de requisitos. Entre estes, ser uma sociedade anônima (S/A) ou ter o seu capital dividido em ações e não em cotas, como acontece com as companhias limitadas.  A empresa ainda precisa apresentar uma série de documentos relacionados à emissão de relatórios financeiros auditados externamente, aspectos fiscais, governança corporativa, entre outros.

O trâmite do IPO, é lento e pode durar mais de um ano, até se efetivar. O primeiro passo é o planejamento e a preparação de uma empresa para a abertura de capital. Este é o processo mais extenso, devido à legislação que exige que a companhia apresente três anos de balanços auditados.

A segunda etapa é o Roadshow que são as reuniões com os principais executivos da S/A, incluindo o presidente, que tem como objetivo apresentar a empresa e a sua oferta para o mercado.

Em seguida, a companhia irá buscar a abertura do registro junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), onde as S/A requerem autorização para realizar a venda de ações ao público.

O quarto passo é o bookbuilding, que tem como objetivo estabelecer a quantidade e o valor das ações que serão disponibilizadas no mercado.

Por último, o Dia D, que é a data definida para o início da venda das ações no pregão. O desempenho da companhia costuma ser acompanhado com entusiasmo pelos investidores, o que pode ser um indicativo de como o mercado recebeu a operação. Na maioria dos casos, as cotações disparam. Porém, pode haver queda, de acordo com a recepção da empresa ou o momento do mercado.

As ofertas de ações de um IPO podem ser definidas em duas etapas, a primária – onde o dinheiro obtido vai para o caixa da empresa, cujo objetivo é aumentar o seu capital inicial e a expansão dos negócios por meio de novos investimentos, e a oferta secundária, pela qual os sócios negociam suas ações com o intuito de reduzir a sua participação nos negócios.

Vale a pena investir em IPO?

Os futuros acionistas precisam avaliar o tipo de investimento que pretendem fazer. O IPO pode ser uma boa opção para investidores que buscam lucrar com as ações de uma companhia a longo prazo. Ou para aqueles que querem vender suas ações após um pregão de sucesso, os chamados “flippers” que podem lucrar com o avanço dos papéis em até 20% no primeiro dia.

Para os que buscam a sociedade, é preciso enfatizar que a S/A não possui longo histórico de informações, por se tratar em uma companhia nova que está abrindo capital no mercado. A grande dificuldade fica por conta da legislação que exige a apresentação de relatórios sobre os últimos três anos de atividades.

Também deve-se levar em consideração o acesso às informações, já que os atuais sócios sabem mais sobre a empresa do que o mercado em geral. É difícil prever o desempenho da companhia estreante na bolsa, principalmente em relação aos seus concorrentes e a um setor com poucas empresas listadas.

Oferta Privada

Já a oferta privada de valores mobiliários é destinada a um público alvo em específico, formado por grandes investidores. Ou seja, ela acontece quando uma determinada empresa escolhe um nicho de novos investidores, sem ter a intenção de alcançar o grande público.

Na prática, é um agente comprando parte da empresa de outro. Para tanto, os investidores que são selecionados pela S/A precisam ter informações a respeito do investimento, mas não tantas quanto a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) exige para a oferta pública.

Vale lembrar que a regulação do mercado de capitais tem como objetivo proteger poupadores e o registro da CVM é um meio para garantir a presença das informações relevantes e necessárias para um bom negócio.

A vantagem da oferta privada está na possibilidade de conseguir um investimento sem tantas exigências jurídicas, algo que acontece com as ofertas públicas.

Startups e empreendedores podem obter capital para o desenvolvimento do negócio a um custo menor no comparativo com os grandes IPOs e ofertas públicas de debêntures. Porém, apesar de uma possível facilidade no mercado de ações, muitas empresas decidem pelo processo das ofertas públicas para trazer maior segurança jurídica para os novos sócios. Além de conseguir atingir uma gama maior de investidores. O que, consequentemente, também fará com que a arrecadação de recursos seja maior.