O que é uma oferta primária de ações?

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: EQI

Se você está atento ao noticiário do mercado de capitais, deve ter  notado a recorrência de alguns termos como “oferta primária” e “oferta secundária”, especialmente nos textos que se referem aos  IPOs (Oferta Pública Inicial), quando uma empresa faz sua estreia na bolsa de valores.

Você sabia que o IPO pode conter uma oferta primária de ações ou secundária? Em muitos casos, as empresas optam até mesmo por ofertar ações no mercado primário e secundário ao mesmo tempo. Mas o que isso significa na prática?

Neste artigo vamos explicar como funciona a oferta primária de ações, para que ela serve e os detalhes a que o investidor precisa ficar atento sobre esta oferta.

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Definição de oferta primária  

Em um IPO, as ofertas de ações podem ser classificadas de duas formas: primária ou secundária. O que caracteriza cada uma delas é a origem das ações e o destino do dinheiro levantado com a oferta.

Na oferta primária, a empresa emite e vende novas ações ao mercado. Com isso, ela aumenta seu capital social e o recurso captado vai direto para o caixa da próxima companhia.

Já em uma oferta secundária, não é a empresa que vende novas ações ao investidor, mas um acionista, que por algum motivo, deseja reduzir sua participação. A companhia, portanto, não fica com o dinheiro levantado nessa oferta: ele vai para o bolso de quem está vendendo as ações.

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Como funciona na prática

Todo o processo de uma oferta primária de ações é regulamentado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Cabe ao órgão garantir que todos possam participar da oferta em igualdade, estipulando as regras e fiscalizando o processo.

Está na Lei 6385/1976, no regramento do mercado de capitais, a obrigação de as empresas registrarem na CVM todos os dados e passos de uma oferta pública. Ela deve ser realizada por meio de um banco de investimentos, corretora ou distribuidora.

Assim, qualquer empresa que queira abrir seu capital precisa de uma instituição financeira de valores mobiliários para intermediar o processo. Uma dessas instituições será a coordenadora da oferta.

Em respeito à divulgação de informações, o ofertante, em conjunto com a instituição líder, é obrigado a elaborar e colocar à disposição do público investidor o prospecto da oferta.

É neste documento que estarão todas as informações detalhadas sobre a oferta primária de ações. Assim, ao ler o prospecto, o investidor terá detalhes sobre o histórico da empresa, balanços financeiros, demonstrativos de resultados, riscos envolvidos no processo e perspectivas futuras da empresa.

Outro ponto importante a ser analisado pelo investidor no prospecto é relativo à própria oferta primária de ações. Deverão constar ali dados detalhados do preço da oferta, os diversos prazos da operação, como será a distribuição do dinheiro arrecadado, qual o objetivo da oferta, entre outros.

Para participar de uma oferta primária o investidor deverá ser cliente de uma corretora/banco que esteja participando da oferta.

As etapas

Há várias etapas indispensáveis em um processo de registro de distribuição pública de  valores mobiliários. Confira:

  • Registro da operação na CVM (Instrução 400/03);
  • Formação do consórcio de instituições que irão coordenar e distribuir a operação;
  • Estabelecimento de garantia (se houver);
  • Conteúdo da oferta, incluindo lote e forma de precificação;
  • Distribuição ao mercado do prospecto preliminar e definitivo;
  • Coleta, junto aos investidores, de intenções e reserva (quantidade e preço máximo);
  • Recebimento de reservas (quando  contemplado  no prospecto – e no anúncio de início de distribuição);
  • Divulgação do período de distribuição;
  • Resultado da oferta, incluindo o preço final da ação.

 

Os objetivos da oferta primária

É bom lembrar que o IPO é sempre um momento importante de uma empresa. Ou seja, após uma decisão bem avaliada do conselho administrativo da companhia, ela deixará de ter seu capital fechado e abrirá seu negócio para o mercado – para o lado positivo ou negativo.

Como a oferta primária de ações tem como objetivo reverter os recursos obtidos para o caixa da empresa esse dinheiro servirá, de maneira geral, para reinvestimento na própria estrutura da empresa.

Abaixo, listamos alguns exemplos do que as empresas geralmente fazem com os recursos de uma oferta primária:

  • Deixam o dinheiro em caixa para aproveitá-lo em momentos oportunos;
  • Os recursos podem ser usados para comprar concorrentes ou companhias que agreguem valor ao modelo de negócios da empresa;
  • O dinheiro pode ser reinvestido na própria infraestrutura da empresa, para abrir novas unidades físicas, em novas cidades ou Estados, ou iniciar/expandir a atuação digital da empresa;
  • Muitas empresas usam os recursos para investimento em tecnologia de forma a otimizar processos ou melhorar serviços e soluções.
  • Os recursos também podem ser usados para reduzir endividamento

Como participar de uma oferta primária

O primeiro passo para participar de uma oferta primária de ações é ser cliente de uma corretora de valores. É por meio dela que o investidor poderá fazer a efetiva compra das cotas da empresa.

A principal dica é estudar e avaliar bem a empresa da qual você se tornará sócio. Defina seus objetivos como investidor, estude o prospecto da oferta, analise concorrentes e decida se o valor que está sendo ofertado é o justo para aquela empresa.

Por fim, quando a oferta pública for colocada no mercado, você poderá fazer a reserva do total de ações que deseja comprar pelo homebroker da corretora. Após o término do período da oferta, você saberá quantas ações de fato irá comprar.