ODPV3, HAPV3 e GNDI3: Eleven mantém compra das operadores de saúde

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Odontoprev

Em relatório divulgado nesta sexta-feira a casa de análises Eleven recomendou a compra de Odontoprev (ODPV3), Hapvida (HAPV3) e Notre Dame Intermedica (GNDI3).

Segundo os analistas, o segundo trimestre foi atípico para todas as operadoras, considerando que o cenário de pandemia somado ao receio de contaminação por parte dos pacientes e a recomendação da ANS em suspender os procedimentos eletivos reduziu drasticamente a sinistralidade das operadoras, beneficiando o resultado delas.

Mas a Eleven entende que este cenário não deve se perpetuar para os próximos trimestres. E que a retomada gradual dos procedimentos eletivos já está ocorrendo. “Apesar da expectativa de aumento da sinistralidade seguimos positivos com as operadoras devido às suas sinergias contratadas e boa condução das suas estratégias verticais”, afirmam Mariana Ferraz, Luísa Hiraki e Daniela Bretthauer.

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Os analistas afirmam que no início da pandemia, momento de menor visibilidade da crise, o sistema privado de saúde poderia ser sobrecarregado conforme o aumento do número de casos da Covid-19, causando impactos severos no resultado das companhias.

Mas a situação foi oposta, pois não houve a sobrecarga do sistema privado. Isso possibilitou às operadoras adotarem medidas de segurança e se organizarem para atenderem os casos de Covid-19. O principal fator que contribui para a evolução das margens líquidas foi a queda na sinistralidade.

Assim, a Eleven recomenda a compra dos três ativos nos respectivos targets:

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  • Odontoprev (ODPV3): R$ 17(hoje está em R$ 12,73).
  • Hapvida (HAPV3): R$ 84 (hoje está em R$ 64,06).
  • Notre Dame Intermédica (GNDI3): R$ 89 (hoje está em R$ 69,70).

 

Novos beneficiários

Outro ponto positivo no segundo trimestre foi a manutenção da base de beneficiários das empresas. Apesar da deterioração da capacidade de pagamento da população e do elevado volume de demissões, que chegou a fechar 860 mil postos de trabalho com carteia assinada em abril de acordo com o Caged. A preservação do benefício de saúde se tornou cada vez mais relevante dado o contexto da crise, diz a Eleven.

A Hapvida reportou a entrada de 1,1 milhão de vidas quando comparado com o mesmo período do ano anterior, oriundas das aquisições do Grupo São Francisco (852 mil vidas), Grupo América (248 mil vidas) e RN Saúde (46 mil vidas). Ao final do segundo trimestre a Hapvida detinha 3,5 milhões de beneficiários de saúde.

O Notre Dame Intermédica também reportou crescimento da sua base de beneficiários de saúde considerando as aquisições. Houve ainda a adição líquida de 42,9 mil beneficiários na comparação anual, sendo 39,6 mil vindos da aquisição da Ecole e 3,3 mil do crescimento orgânico e dos esforços das equipes de vendas.

“As aquisições vão além do aumento da base de beneficiários. Mas contribuem também com a infraestrutura das companhias e consequentemente para a maior verticalização das operadoras”, afirmam os analistas.

Porém, a situação é um pouco diferente para os planos odontológicos, que se tornaram menos essenciais no contexto de pandemia. A OdontoPrev reportou perda em todas as suas carteiras de beneficiários causada pelo maior volume de demissões e pelas obstruções nos canais de vendas, que foram prejudicados com a restrições de horários de funcionamento das agências bancárias e do menor fluxo de clientes nos pontos de vendas no varejo.

 

Cenário da Notre Dame Intermédica

A Eleven manteve a recomendação de compra para o Grupo NotreDame Intermédica com preço-alvo até R$ 89.

Segundo os analistas, a empresa apresentou o melhor resultado desde o seu IPO, pois o cenário de pandemia trouxe efeitos positivos para a vertical de saúde. O isolamento social e a suspensão de procedimentos eletivos reduziu em 7,2 p.p. a/a a sinistralidade caixa, alcançando 64,7%.

No segundo trimestre as aquisições das três operadoras de saúde (São Lucas, janeiro de 2020, Clinipam, fevereiro de 2020 e Ecole, abril de 2020), do laboratório (LabClin, abril de 2020) e do hospital (Hospital do Coração de Balneário Camboriú, maio de 2020) foram incorporadas no resultado.

“O grupo continua apresentando ótimo trabalho de integração das inúmeras aquisições, ampliando as margens e a verticalização”, diz a Eleven.

 

Análise do Hapvida

A Eleven manteve a recomendação de compra para o Hapvida com preço-alvo até R$ 84.

Segundo os analistas, o segundo trimestre foi positivo para o Hapvida. Assim, o cenário foi refletido no lucro líquido de R$ 278,6 milhões e com crescimento de 24,7% a/a.

A integração das aquisições do Grupo São Francisco, Grupo América e da RN Saúde e o cenário extraordinário de redução de sinistralidade favoreceram o resultado. Apesar do aumento da base de beneficiários devido às suas consolidações, o Hapvida teve perda líquida desconsiderando o crescimento inorgânico. Os motivos são as consequências do cenário econômico mais adverso e dos maiores volumes de demissões.

“As perspectivas para o setor de saúde privada são de encolhimento. Entretanto acreditamos que as recentes aquisições da companhia e o reforço da equipe de vendas farão a companhia passar praticamente ilesa por este período turbulento”, diz a Eleven.

 

Cenário para Odontoprev

A Eleven manteve a recomendação de compra para Odontoprev (ODPV3). Mas alterou o preço-alvo para até R$ 17 – antes era R$ 20.

O segundo trimestre foi um período de vários recordes para a OdontoPrev. A empresa atingiu a margem EBITDA máxima desde o IPO com 39,5% e a maior margem líquida com 26,9%.

“Entendemos que a sua estratégia foi favorecida pontualmente neste período devido à falta de sinistros, refletindo no resultado positivo. Entretanto, o que a crise de saúde favoreceu de um lado, a crise econômica está prejudicando do outro. Pois o maior número de demissões e a redução no funcionamento dos canais de vendas no 2T20 causou a perda de beneficiários em todas as suas modalidades”, diz a Eleven.

No campo corporativo a ODPV3 teve 110 mil beneficiários perdidos no trimestre e nos planos para PME e individuais. As perdas totalizaram 164 mil vidas para o mesmo período.

Por fim, as perdas da base de beneficiários ainda devem continuar em função da deterioração do contexto econômico. Desta forma, a Eleven se mantém cautelosa quanto ao desempenho das vendas da ODPV3.