OCDE prevê colapso sem precedentes nas maiores economias

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / Facebook / OCDE

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou nesta terça-feira (12) relatório que mostra que a maioria das principais economias  entrou em colapso em níveis sem precedentes em abril, decorrência da pandemia do novo coronavírus.

Os Indicadores Compostos Avançados (CLI, na sigla em inglês) entraram em colapso: mesmo as medidas de contenção do alastramento da Covid-19 continuaram a ter um forte impacto na produção, consumo e confiança.

Na China, onde as medidas de restrição já foram atenuadas, o CLI do setor industrial aponta provisoriamente para uma mudança positiva e uma grande revisão ascendente em março empurrando o indicador para cima.

CLIs

Os CLIs foram projetados para antecipar pontos de mudança na atividade econômica prevendo de seis a nove meses à frente.

“No entanto”, diz o relatório, “é preciso ter cuidado na interpretação dos CLIs na crise atual, à medida que os governos tentam enfrentar a pandemia da Covid-19. A incerteza quanto à duração das medidas de bloqueio complicou a capacidade dos CLIs de fornecer esses sinais prospectivos”.

Para as economias ainda em confinamento, como está, em parte, a do Brasil e alguns grandes países da Europa, a incerteza segue determinante.

Tendências

A tendência de crescimento do Brasil caiu de 100.4 para 93.9 pontos, uma das maiores quedas do CLI, perdendo apenas para a Rússia, que caiu de 98.3 para 91.3, e para o Reino Unido, que caiu de 98.2 em março para 91.1 em abril.

O Brasil, inclusive, vem em queda desde dezembro de 2019, quando tinha 102.5.

Nenhuma grande economia em abril teve alta, com exceção da China, que já reabriu parte da sua economia, mais ainda está preocupada com uma “segunda onda” do vírus. Os chineses saíram de 93.5 em março para 93.7 em abril, uma alta tímida.

Em termos comparativos por grupos de países, o G7, que une as sete maiores economias globais, houve uma queda de 97,8 em março para 96.3 em abril. O G5 asiático, formado por China, Índia, Indonésia, Japão e Coreia do Sul, teve uma queda de 95.7 para 95.4.

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Já a Zona do Euro, teve a queda mais expressiva, der 97.2 para 94.4, maior até do que a Zona da OCDE, cujo CLI caiu de 98.0 para 95.8.

OCDE reduz PIB mundial

Os impactos da epidemia de coronavírus fizeram a OCDE reduzir, ainda em março, a estimativa para crescimento global em cerca de 0,5% este ano em relação ao projetado em novembro de 2019. Naquele momento, a organização projetava um avanço do PIB mundial de 2,4%, com um possível crescimento negativo no primeiro trimestre de 2020.

Era uma estimativa bastante positiva na época. Diante do avanço do vírus na Europa e especialmente nas Américas, a organização terá que refazer as contas.

Nem mesmo a Europa, que em alguns países começa a tentar reabrir a economia, há confiança de que a reabertura poderá ser feita por completo, com medo de que a epidemia volte a se alastrar.

De acordo com a OCDE, a projetação é de uma queda de 2% do PIB anual para cada mês de confinamento.

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