O que você deve saber sobre a fusão BR Malls (BRML3) e Ancar

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Divulgação/Shopping Rio Sul

O mercado repercute a notícia de que BR Malls (BRML3) e Ancar Ivanhoe estão em negociação para uma possível fusão. Como efeito imediato, as ações da BR Malls já subiram de R$ 8,84 na sexta-feira (16) para R$ 9,49 na terça (20), alta de mais de 7%. O Goldman Sachs recomendou compra para as ações, apostando no negócio. O preço alvo é R$ 13.

A alta se explica: juntas, BR Malls e Ancar formariam a maior empresa de shoppings do país, ganhando em sinergia e redução de custos.

Além disso, a BR Malls alcançaria uma parcela relevante do market share do Rio de Janeiro, se tornando a maior empresa de shoppings da cidade. E alcançaria praças onde ainda não está presente, caso de cidades do Nordeste.

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Para a Ancar, além de aumentar sua parcela do mercado, ela poderia se beneficiar dos avanços digitais da BR Malls, que se destacou durante a pandemia integrando lojas físicas e virtuais. A empresa criou novos aplicativos, um programa de fidelidade e fez parceria para entregas de compras virtuais em poucas horas.

Fusão parcial deixa dúvidas

A grande questão é que as notícias e o comunicado emitido ao mercado da BR Malls falam de uma “fusão parcial”, que ninguém sabe bem ao certo o que englobaria.

“O termo parcial pode ter todas as definições. Pode ser uma fusão só no Rio de Janeiro, por exemplo, ou só em São Paulo, cidades em que as duas empresas já atuam. Ou mesmo só na operação de alguns shoppings. Ou fusão total. Para o mercado, todas são positivas, mas com pesos diferentes”, avalia Caio Ventura, analista de Fundos Imobiliários da Guide.

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A valorização pela notícia do início das negociações já está precificada, ele acredita. Mas o investidor pode ficar atento ao desenrolar da história.

“Um driver futuro será uma definição mais clara do que será essa fusão. Qualquer outro avanço positivo pode fazer os papéis terem uma performance melhor”, afirma.

BR Malls e Ancar: uma união de peso

No caso de uma fusão total, BR Malls e Ancar teriam, juntas, 55 shoppings espalhados pelo país. E uma área bruta locável de 1.025 metros quadrados.

A BR Malls é uma das maiores operadoras do Brasil, listada na bolsa desde 2007. Ela tem participação pulverizada no mercado. Sendo que 75% das ações estão circulando nas mãos de minoritários. O maior acionista individual é a Squadra, que detém 6% da ações. Possui 31 shoppings espalhados por 12 estados brasileiros e 23 cidades.

De acordo com a Capitalizo Consultoria, a empresa passou recentemente por um processo de reciclagem do seu portfólio. Colocou foco em empreendimentos de maior porte e aumentou a presença nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba.

Para a consultoria, a ação está com um preço descontado, em razão da pandemia, mas as expectativas são positivas. O relatório destaca principalmente o mérito do gestor da companhia.  “Vale ressaltar que antes das medidas de isolamento e da suspensão temporária das operações, a empresa melhorou substancialmente sua estrutura de capital, reduzindo a alavancagem financeira a partir da reestruturação do portfólio e melhora na qualidade da carteira de lojistas.

Já a Ancar é uma empresa privada, fundada em 1972 pela família Andrade de Carvalho e pela Ivanhoe Cambridge, empresa imobiliária canadense. A Ancar administra 24 shoppings, sendo nove no Rio de Janeiro, sete em São Paulo,  quatro no Ceará e os demais pulverizados em outros estados.

“Essa fusão tem muita relevância e peso para o setor. Especialmente em um momento em que o crescimento orgânico está empacado devido à pandemia e as paralisações”, avalia Ventura.

Ele aponta que, além do que os shoppings já sofreram com a pandemia, ainda haverá, pelo próximo ano, um efeito colateral econômico forte. E ele, possivelmente, fará com que a vacância suba e haja necessidade de que os descontos aos lojistas sejam mantidos por um período mais extenso.

“O ano de 2021 deve ser praticamente só de recuperação. A retomada do crescimento fica para o final do ano, ou para 2022. Com a fusão, a BR Malls estaria na contramão dos seus principais pares”, aponta.

Mercado já especula outras fusões 

A notícia da possível fusão chega um ano e meio após a fusão de Aliansce e Sonae Sierra Brasil. A união fez da Aliansce Sonae a maior empresa do segmento no país, com 39 shoppings.

O mercado já especula outras possíveis fusões. Iguatemi e Multiplan é uma delas. Mas, por enquanto, as empresas negam qualquer movimento neste sentido.