O que levou Trump a anunciar sobretaxas do aço e do alumínio do Brasil e da Argentina

Weslley Almerindo
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Reprodução / Kevin Lamarque/Reuters

No decorrer da primeira semana de dezembro, o presidente americano Donald Trump anunciou o retorno da sobretaxa de importação do aço e do alumínio brasileiro e argentino. Desse modo, Trump tomou essa decisão pela sua crença de protecionismo e na desvalorização proposital do real para prejudicar os EUA.

No entanto, apesar de uma fala negativa do ministro da economia, Paulo Guedes, durante um evento em Washington ter abalado a moeda nacional, o Banco Central vem se esforçando para o real não se desvalorizar.

Assim sendo, a crença de Trump já estaria equivocada quanto a isso, pois os esforços para evitar a desvalorização da moeda são evidentes.

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A visão do Brasil

No ponto de vista brasileiro, a desvalorização do real não beneficiaria diretamente o país como acusa do presidente americano.

Nesse sentido, com o real desvalorizado os exportadores brasileiros tem de fato um lucro, afinal, para cada R$ 1,00 gasto haveria pelo menos R$ 3,00 de lucro.

Contudo, é importante lembrar que o contrário também é verdadeiro, ou seja, para quem importa o custo é maior.

A visão dos Estados Unidos

Do ponto de vista americano, se os produtos brasileiros ficam mais baratos por conta da moeda, eles acabam prejudicando a venda dos produtos americanos, tanto para o consumo local quanto para o internacional.

Nesse sentido, talvez fizesse um pouco as razões de Trump para “proteger” os seus próprios produtores de aço e alumínio.

A real situação

Em primeiro lugar, a desvalorização do real e do peso (moeda argentina), salvo particularidades, é um reflexo da insegurança do mercado em meio à guerra comercial entre os EUA e China, que foi criada pelo próprio Donald Trump. Em soma, deve-se considerar também às preocupações com a desaceleração da economia global.

Em segundo lugar, o aço mais vendido do Brasil para os EUA é do tipo semiacabado, muito utilizado na indústria automotiva, um setor fundamental para economia note-americana.

Assim, isso significa, basicamente, que sobretaxar o aço brasileiro e argentino pode até beneficiar os produtores norte-americanos no curto prazo.

Entretanto, sobretaxar um produto tão importante para a cadeia produtiva de veículos vai encarecer a produção e pode até gerar dificuldades de escoá-la, o que, em última instância, pode aumentar o desemprego no médio e longo prazo, algo que já aconteceu no passado.

Motivos para a medida de Trump

De um modo simples, Donald Trump tomou essa ação porque as eleições presidenciais de 2020 estão chegando.

Assim sendo, ao observar a postura do presidente americano nas últimas semanas, é facilmente perceptível como ela vem mudando.

Nessa perspectiva, Trump vem demonstrando seu desejo de fortalecer a sua imagem e agradar a sua base eleitoral que o elegeu em 2016, em especial os fazendeiros e a indústria automotiva.

Não obstante, o cálculo político e extremamente delicado e difícil. Dessa forma, para que os indicadores econômicos sejam os melhores possíveis na época das eleições, o presidente americano terá que se dividir entre medidas protecionas para agradar sua base, mas também em acordos comerciais que projetem um crescimento maior para 2020.

Por fim, não se surpreenda se os EUA fecharam acordos em um momento e depois arrumarem brigas, ou se falarem algo em um momento e fazerem o oposto logo em seguida, essa é o jeito de Donald Trump de fazer política. Ainda sim, isso não é positivo para economia nacional, americana ou mundial.