O que fazer com a bolsa em queda?

Fabian Fávero
Assessor de Investimentos na EQI Investimentos. Formado em Direito pela Universidade do Sul de Santa Catarina. Atualmente cursando MBA em Investimentos e Private Banking pela IBMEC.
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Crédito: Kimimasa Mayama / EFE-EPA - 26.2.2020

Mais um pregão na bolsa, mais uma queda. O coronavírus, a exemplo de eventos como as eleições, o Joesley Day e a greve dos caminhoneiros, chegou e causou uma dor de cabeça aos investidores da bolsa de valores brasileira. O fato de a B3 permanecer fechada de segunda-feira até o meio dia de quarta-feira devido ao feriado de carnaval, fez com que nas 5 horas de pregão do dia 26 a queda atingisse quase 7% e quebrasse recorde de volume de negociação. Isso acende o alerta para pessoas que estavam com uma exposição maior à bolsa do que deveriam estar.

Mas o que fazer?

Deve-se lembrar, em um primeiro momento, que a bolsa é um investimento de longo prazo. A ideia primordial é se tornar sócio de grandes empresas, participando do seu lucro e do crescimento do seu capital. Eventos temporários como o que ocorre agora não causam grandes estragos a esta estratégia. No pregão após a delação de Joesley Batista, o índice caiu 8,80%. Apesar de estar na memória dos investidores da época, no gráfico aparece como uma queda passageira.

Algumas aplicações surgem neste momento como o que chamamos de hedge (proteção). Os principais métodos são o dólar, o ouro, as operações estruturadas e a compra de puts.

Hoje o dólar e o ouro representam um porto seguro. Em momentos de tensão, a economia dos Estados Unidos, dada sua estabilidade e força, é buscada por investidores. Naturalmente, isso ocorre em dólar, e dessa forma se inicia a corrida pela moeda americana. Hoje (28), a moeda chegou a tocar os R$4,51. No mesmo sentido o ouro desponta como segurança para muitos investidores. O fato de ser um recurso finito, físico e de grande valia, o faz ser procurado por diversas pessoas na hora de protegerem o seu capital. No ano passado, o ouro chegou a ser um dos investimentos mais buscados, como abordado aqui.

Para investir nestas duas modalidades, existem algumas opções. Através da bolsa de valores, você pode negociar contratos de dólar e de ouro, valendo-se de sua valorização (ou desvalorização) para lucrar. Em uma forma mais fácil e prática, você pode buscar os fundos de investimento para dólar e ouro, classificados como cambiais ou de ouro, respectivamente. Vale se atentar, neste caso, se os fundos fazem uma gestão passiva ou ativa do capital. De forma passiva, eles replicam o valor de mercado dos ativos, e de forma ativa eles operam a compra e venda dos mesmos.

Como se proteger dentro da bolsa?

Além da compra e venda de contratos como explicados no item anterior, existem outras alternativas. Uma das formas mais utilizadas é a operação vendida de ativos. Para isso, em vez de comprar um ativo na bolsa você simplesmente o vende, observada as garantias que você possui na sua carteira de investimentos. O mais buscado para esta proteção é o ativo BOVA11, um ETF que replica a variação do índice Ibovespa. Suponha que você tenha vendido o ETF ao valor de R$110,00, e após 30 dias o comprou por R$100,00, houve um lucro de 10% na operação, mesmo com a bolsa em queda. O risco, naturalmente, é a bolsa se valorizar e você recomprar por um valor maior.

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Outra opção, um pouco mais agressiva, é a compra das chamadas puts. Uma put nada mais é do que você ter o direito de vender uma ação por determinado preço em um determinado dia. Por exemplo, você compra hoje o direito de vender PETR4 a R$30,00 daqui a 30 dias. Caso a cotação no dia esteja em R$20,00, você obteve um lucro de R$10,00 por ação.

Se você realmente pensa no longo prazo, o melhor a se fazer agora é ir às compras. No momento da tensão, muitas pessoas acabam vendendo suas posições empurrando os preços para baixo. Sendo assim, você pode aproveitar e aumentar a sua posição em algumas empresas. Seguindo este pensamento, você está acompanhando os gestores dos maiores fundos de ações do mundo. Para isso, é sempre muito importante manter um bom valor em liquidez para aproveitar oportunidades como essa.

Seguindo esse mesmo caminho, uma boa opção é buscar as ações que tenham quedas exacerbadas. A XP, por exemplo, recomenda a compra de VALE3 com preço alvo em R$64,00, sendo que a ação caiu 12% nestes últimos pregões. A VVAR3, também, possui preço alvo a R$17,00, e nos últimos dias vem marcando -17% em sua cotação.

Conclusões

Foi muito bom participar dos últimos meses da bolsa, certo? 2019 foi um ano extremamente positivo e sem grandes sustos, mas já iniciamos este ano com alguns percalços no caminho. Luiz Barsi, um dos maiores investidores da bolsa de valores como pessoa física, declarou em entrevista que está “adorando a queda das ações” para aumentar sua posição em boas empresas. Seguindo seu pensamento, é hora de manter a calma e não se precipitar em vender ou comprar papéis.

Caso você tenha sentido que a volatilidade de sua carteira foi maior do que você estava disposto, é momento de sentar com seu assessor de investimentos e reavaliar a exposição de sua carteira a ativos de riscos. Lembrem-se, a bolsa é um mecanismo de transferir dinheiro de impacientes para pacientes.