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O que esperar da Bolsa de Valores com as turbulências no Planalto?

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Homo erectus é uma espécie extinta de hominídeo que viveu entre 1,8 milhões de anos e 300 mil anos atrás. Estima-se que produziam ferramentas de madeira e armas e que muito provavelmente, foram os primeiros a usar o fogo. Sua alimentação era composta de vegetais, frutas, folhas, raízes e animais.

Acredita-se também que tenham criado o primeiro objeto cortante semelhante a uma faca, feito de pedra e utilizado para caça e defesa.

Por volta de 3000 a.C., o utensílio (no caso, a faca) passou a ser produzido a partir de metais e servia tanto para matar quanto para descascar frutas.

Mas existe algo que é ainda mais antigo que a faca e até mesmo o Homo erectus: A velha política.

Rodrigo Maia
Rodrigo Maia – “A faca” / Direitos autorais: LUIS MACEDO

Já o garfo, surgiu apenas no século XI quando um membro da corte de Veneza (Itália) se casou com uma princesa de Bizâncio (Grécia Antiga). Ela trouxe em seu enxoval, um objeto pontudo com dois dentes, que usava para espetar os alimentos. Aos poucos, primeiramente a nobreza e posteriormente o clero, começaram a adotar o talher até que este se popularizasse.

O garfo em relação a faca, é muito mais recente, assim como a “nova política” defendida pelo presidente Jair Bolsonaro, que por vezes soa como um deja fu (aquela sensação de que você já se f… antes)


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Paulo Guedes e Bolsonaro – “O garfo / Crédito: Diário do centro do mundo

O tomate é o fruto do tomateiro (Solanum lycopersicum; Solanaceae) e da sua família, também fazem parte as berinjelas, as pimentas e os pimentões.

Hoje focaremos em um tipo específico, conhecido como tomate cereja.

Um tipo com as mesmas propriedades dos demais tomates, porem menores e mais caros, assim como os nossos nobres deputados.

A dupla Jair Bolsonaro e Paulo Guedes (o Pink e o Cérebro) encontra-se portanto, diante de uma árdua e complexa tarefa: Pegar, apenas com o auxílio de um garfo, 308 tomatinhos cereja (no mínimo) espalhados em pratos de texturas e fragilidades diferentes.

Um mais escorregadio que outro.

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O Cérebro, sempre brilhante e determinado em seguir sua inabalável busca pela dominação do mundo, resolveu pedir ajuda à faca pois imagina que a única maneira de concluir a tarefa em tempo hábil, é unir forças entre a nova e a velha política.

E tudo parecia bem, como há muito não se via, na gaveta dos talhares… até os filhos do garfo resolverem meter a colher no meio.

Foi um salve-se quem puder: O garfo garfeando a faca e a faca apunhalando o garfo. E a colher ali, só de metida.

O tempo é precioso, até mesmo para os tomates e sem a ajuda da faca, o garfo que se vire, afinal, quem mandou se popularizar?

Ah, o Pink, como esquecer dele. Na última reunião para discutir o fracasso do plano de dominação, sugeriu deixar os tomates desidratarem, para então, espetá-los com mais facilidade. Esqueceu-se porém do fator mais importante: Não há tempo.

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PINKY AND THE BRAIN / WARNER BROS.

“O Pinky e o Cérebro

O Pinky e o Cérebro

Um é um gênio,

O outro…”

Procura-se um camisa 10

Ainda que a troca de farpas entre “Bolsonaro e seus blue caps” e Rodrigo Maia pareça finalmente sob bandeira branca, os estragos causados parecem irreversíveis.

Sigo acreditando na aprovação da Reforma da Previdência, mas não há como ignorar o atraso no andamento da PEC.  A “DR” entre os chefes do executivo e legislativo já atrasou o calendário. O relator da CCJ, que poderia analisar a admissibilidade da PEC em cinco sessões, sequer foi escolhido. O presidente Felipe Franceschini espera decidir amanhã.

Sou do tempo em que todo camisa 10 era craque, mas nem todo craque vestia a lendária camisa. Pelé, Maradona, Zico, Zidane e Messi: Gênios que vestiam a 10 e faziam da arte de jogar futebol, uma tarefa aparentemente simples, como desenhar um elefante de costas.

Para outros, a 10 pesava toneladas. Lembro da seleção de 1994, que precisou dos pênaltis para erguer a taça, justamente por não contar com um camisa 10. Ah propósito, o Baggio era 10…

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Roberto Baggio / Crédito: Luca Bruno-AP

Bolsonaro entregou a camisa mais cobiçada do planalto à Onyx Lorenzoni e ela pesou. Até o momento, o ministro da casa civil exibe discretíssima atuação naquilo que tanto se esperava dele: a articulação política. A reforma até pode passar sem a atuação de um camisa 10, contanto que este, no mínimo, converta o seu pênalti.

“Temos que manter isso”

Os investidores notaram uma reversão de expectativa, tanto na bolsa de valores quanto nos juros futuros. A euforia da bolsa em 100.000 durou apenas dois pregões. Após testar o pico histórico, o IBOV despencou para a casa dos 94.000 pontos. Vamos entender porquê.

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  • Prisão de Temer: o fato desencadeou um crescente temor em outros membros do congresso, entre eles o próprio Rodrigo Maia (genro do ex-ministro Moreira Franco, também preso). A ala “tutti buona gente” do congresso acredita que possa estar vulnerável ​​a possíveis novos processos judiciais e bem sabemos que a prioridade destes senhores será sempre a de salvar o próprio rabo dificultando, portanto, a reforma previdenciária.
  • Reforma dos militares: os mercados observaram que o governo teve de conceder benefícios significativos aos militares, a fim de obter o apoio necessário para esta reforma, dando sinais de que outras classes podem e devem exigir novas concessões.
  • Troca de farpas:  Rodrigo Maia pediu uma liderança mais decisiva de Bolsonaro e todo o desenrolar de mútua troca de gentilezas, escancararam a falta de habilidade do presidente eleito. Bolsonaro parece ainda não ter entendido a diferença entre fazer campanha e governar.

Os mesmos motivos, fizeram com que as taxas de longo prazo tivessem em avanço significativo, dada a piora da percepção do risco político.

Um olho no peixe, outro no gato.

Hoje, enquanto escrevo, o mercado ameaça um início de recuperação e os mais corajosos tendem a aproveitar a oportunidade para assumir novas posições. Considero precoce esta análise e recomendo aguardarmos as cenas dos próximos capítulos para que possamos ter uma real noção, principalmente sobre o cessar fogo entre executivo x legislativo.

ibov hoje - O que esperar da Bolsa de Valores com as turbulências no Planalto?

Os próximos dias deverão indicar uma tendência não só para o IBOV como também para os juros futuros. É bom lembrar que as últimas projeções do COPOM apontam para um crescimento do PIB menor do que o esperado e o mesmo vale para o IPCA. Desta forma, não descarto a possibilidade de um novo corte na taxa de juros, mesmo sem a aprovação da reforma da previdência.

Como bem disse o ex-ministro Pedro Malan, “o Brasil é o país onde até o passado é incerto”, e sempre existe espaço para que tudo possa mudar a qualquer momento.

Lembre-se: Às vezes, o melhor a fazer é não fazer nada.

Filipe Teixeira

Filipe Teixeira é redator do Portal EuQueroInvestir. Gremista, filho dos anos 80, apaixonado por filmes, música, política e economia.

É também Coordenador da área de Marketing do EuQueroInvestir.com e do EuQueroInvestir A.A.I assessores de investimentos.

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