O que é oferta secundária de ações?

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: EQI

Você sabe a diferença entre oferta primária e oferta secundária de ações? Elas ocorrem em momentos diferentes de uma empresa que decidiu abrir capital ao mercado.

Quando uma empresa opta por fazer sua estreia na Bolsa de Valores, ou seja, realizar um IPO (Oferta Pública Inicial), ela pode também fazer a oferta secundária de ações. Desta forma, os acionistas da empresa decidem vender suas participações ao mercado. O mesmo ocorre em um follow on, que pode ter também uma oferta secundária de ações.

Vamos entender melhor este conceito? Neste artigo vamos explicar como funciona a oferta secundária de ações, para que ela serve e os detalhes a que o investidor precisa ficar atento sobre esta oferta.

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Oferta secundária de ações

O conceito de oferta secundária de ações

Para entender como funciona a oferta secundária de ações é importante entender como funciona um IPO.

Em determinado momento de uma empresa, o conselho administrativo decide por abrir o capital ao mercado.

Assim, com o IPO, a empresa espera captar verba suficiente para ter dinheiro em caixa para tirar do papel novos projetos, reinvestir na empresa, comprar concorrentes, reduzir endividamento, entre outros. Ou seja, com o IPO, é realizada uma oferta. Mas ela pode ser de duas formas: primária ou secundária (ou ambas em uma mesma operação).

As ofertas primárias são vendidas pela empresa com objetivo de gerar caixa, já as secundárias são vendidas pelos acionistas. As principais diferenças estão na origem e na destinação dos recursos levantados com a oferta.

Na oferta secundária o dinheiro não vai para a empresa e sim para os sócios delas. Assim, as ações são negociadas no mercado secundário. Neste modelo de oferta são os acionistas que estão vendendo cotas da empresa. Por isso, o dinheiro levantando não irá para o caixa da empresa e sim para o bolso do acionista. Desta forma, ele acabará “diluído”. Ou seja, perderá participação naquele negócio, já que ele decidiu vender parte ou todas as suas ações.

Mas a oferta secundária pode ocorrer também depois que a empresa já fez o IPO. O chamado follow on é quando uma empresa que já tem o capital aberto (e já fez o IPO) decide lançar novas ações na Bolsa de Valores. Assim, o follow on pode ser de ofertas primárias (em que a empresa lança as ações e o dinheiro vai para o caixa) e/ou de ofertas secundárias (quando os acionistas vendem as ações no mercado secundário e os recursos vão para os acionistas).

 

Oferta pública ou restrita

Diferente de um IPO, que no próprio nome já diz que é uma “oferta pública” de ações, o follow-on pode ser uma oferta pública ou restrita. Confira as diferenças:

Oferta pública: qualquer pessoa que tenha acesso a um homebroker de uma corretora pode fazer a reserva das ações e participar da compra. Por ser pública, esta oferta deve ser registrada junto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e na B3, conforme a Instrução CVM 400. Neste formado, a empresa deve emitir prospecto, avisos ao mercado, ter banco coordenando a oferta e detalhar número de ações, preços e objetivo da emissão.

Oferta restrita: a empresa vendedora pode encurtar o processo e decidir vender os papéis a um grupo menor de investidores. Assim, neste caso, só quem já é acionista da empresa ou é investidor qualificado pode participar da oferta. Investidor qualificado é aquele que tem mais de R$ 1 milhão investido. No mercado esta modalidade também ganha o nome de distribuição com esforços restritos. Ela só pode ser oferecida a 75 investidores, sendo que só 50 podem adquirir os papéis ao fim da operação. Neste caso, a empresa não tem obrigação de apresentar publicamente prospecto e outros detalhes da operação. As regras deste tipo de oferta constam na Instrução CVM 476.

Principais vantagens

  • Aumento de liquidez. Como um único acionista coloca suas ações para venda para uma grande quantidade de investidores, os papéis tornam-se mais líquidos. Assim, o número de ações em livre negociação (free float) aumenta;
  • Mudança na composição acionária. Em alguns casos em que o governo faz parte da composição acionária da empresa e ele decide vender sua participação, o movimento é visto com bons olhos pelo mercado. Isso ocorre por que há um possível conflito de interesses entre a função social do governo e a função de lucro da empresa;
  • Para o investidor vendedor das ações a vantagem é conseguir transformar aquelas ações em dinheiro. Assim, ele terá no bolso os recursos que ele almejava com a venda das ações. Já para a empresa não há necessariamente uma vantagem, além da maior liquidez dos papéis, já que terá mais acionistas.