O que é mercado de balcão? Entenda o que é e como funciona

Bruno Bravo Duarte
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Divulgação

O mercado de balcão, ou Over the Counter (OTC), é uma opção para brasileiros que buscam espaços para negociações de rendas variáveis mais flexíveis. Ou seja, aquelas que não estão registradas na bolsa de valores.

As corretoras possuem autorização para operar nessa modalidade e contam com o controle e com a fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Hoje em dia, uma das principais características desse tipo de transação é a ausência de um espaço físico para os mais variados negócios, que podem acontecer por telefone ou pelo sistema online da B3 (B3SA3) – ao contrário do que sugere o título “mercado de balcão”, que pode ser associado às vendas de ativos em guichês de corretoras de valores. Também são atributos do OTC a flexibilidade em relação ao registro das transações e a possibilidade de negociar papéis que não foram habilitados pela Bolsa de Valores.

Na prática, são criadas instituições que irão registrar as operações e negociações das corretoras no Mercado de Balcão. A primeira entidade desenvolvida para atender os requisitos do OTC no Brasil, foi a Sociedade Operadora de Mercados Ativos (SOMA) em 1996.

Mercado de balcão: vantagens e desvantagens

O mercado de balcão é de extrema importância no sistema financeiro do Brasil, pois o mesmo possibilita a negociação entre as empresas menores e investidores que desejam adquirir papéis de companhias que não estão listadas na bolsa.

A ausência de burocracia é uma grande vantagem, pois garante uma maior agilidade no processo, e por consequência, assegura uma redução nos custos relacionados às taxas de intermediação. Outros fatores interessantes são a carência de um limite diário para transações. E as negociações são realizadas em duas partes, o que deixa o processo ainda mais dinâmico e atrativo.

Por outro lado, o fato de que o OTC é intermediado pelas próprias empresas garante uma estruturação menor no comparativo com a bolsa de valores, e por consequência, uma regulamentação mais branda e sem exigências de normas como as finanças auditadas e a governança corporativa.

Intermediações no mercado de balcão

O mercado de balcão é controlado pela CVM e todas as transações, nesta modalidade, são relacionadas as companhias que fazem parte do sistema de valores mobiliários, o que inclui, corretoras, bancos de investimentos e distribuidoras.

É importante lembrar que existe uma série de requisitos para empresas que desejam atuar neste seguimento, o que inclui seguir as regras da Comissão de Valores Mobiliários, do Banco Central e da entidade que administra o OTC, a B3.

As instituições financeiras que atuam neste setor são fiscalizadas e podem sofrer punições se eventualmente agirem fora das  normas.

Mercado de balcão: organizado e não organizado

Existem dois tipos de mercado de balcão no Brasil, são estes:

  • Mercado organizado: que conta com a gestão ativa de uma instituição que garante uma transparência na negociação dos ativos;
  • Mercado não organizado: É o mais simples e as suas transações são baseadas em movimentação de intermediários, como corretoras e bancos de investimentos.

Tipos de operações no OTC

Existe uma gama de possibilidades para investidores que decidem apostar no mercado de balcão, vale ressaltar  que cada empreendedor tem um perfil próprio. Os principais tipos de OTC são:

– Ordem administrada:  conta com informações limitadas a cerca do ativo que está em negociação, ou seja, o investidor tem acesso ao número de papéis que estão disponibilizados e as suas principais características. O momento da execução fica à cargo da corretora ou banco de investimentos responsável pela transação;

– Ordem a mercado: conta com informações limitadas e estabelece a quantidade e principais características relacionadas ao valor mobiliário que será negociado, mas a ordem precisa ser executada quando recebida por um intermediário;

– Ordem limitada: Este processo conta com um valor limite e a negociação só é concretizada se o mercado oferecer um preço igual ou melhor do que o definido pelo investidor;

– Ordem casada: a dinâmica desta negociação consiste na emissão simultânea da ordem de compra e venda de um determinado ativo pela administradora da carteira, em resumo: as ordens casadas só podem ser executadas juntas e de maneira integral;

– Ordem on-stop: determina um determinado valor para executar a compra e venda de um determinado ativo, onde o preço estabelecido funciona como um ponto inicial para a negociação.

Principais ativos no OTC

Existe uma série de ativos diferentes no mercado de balcão e cada título financeiro tem características definidas de acordo com o perfil do investidor. Entre os mais variados tipos de ativos estão:

– Ações, debêntures e títulos mobiliários: As operações da bolsa de valores e do mercado de balcão são concentradas pela B3, e por isso, muitos brasileiros desconhecem outros ambientes de negociações, como é o caso do OTC;

– Fundos de investimentos: Existem fundos em ações, renda fixa e reservas cambiais, e nessa modalidade, uma gestora idealiza a carteira de investimentos e oferece cotas para os acionistas. O investidor terá direito aos lucros de acordo com valor que foi investido;

– Fundos de índice: Essa modalidade tem como objetivo copiar a rentabilidade de índices de bolsas estrangeiras, ou seja, o Exchanged Traded Funds (ETF) procura acompanhar o seu desempenho e as suas cotas são negociadas como uma ação unitária de uma determinada companhia;

– Opções de compra e venda: são contratos que garantem o congelamento dos valores das ações no futuro. Esta ferramenta tem como objetivo proteger o patrimônio do investidor nas quedas do mercado financeiro.

Bolsa de valores x OTC

A bolsa de valores é o principal ambiente para as negociações que envolvem grandes companhias, ou seja, é neste espaço onde acontecem eventos como a oferta pública inicial, ou abertura de capital das maiores empresas que atuam no mercado brasileiro.

O mercado de balcão também integra a B3, porém conta com uma atuação distinta. No OTC estão as empresas e negociações que não tiveram espaço e registro na bolsa de valores.

Apesar de existir uma flexibilidade maior para investidores e a conexão entre ativos fora do ambiente comum,  as transações no mercado de balcão ficam à cargo de corretoras, gestoras e bancos de investimentos qualificados para esse tipo de intermediação.

Conclusão: vale a pena investir em mercado de balcão?

O mercado de balcão é mais uma alternativa para investidores que possuem um olhar estratégico acerca do mercado financeiro e uma boa opção para os que desejam adquirir ações de empresas e outros títulos financeiros que não são listados pela da Bolsa de Valores.

Para garantir uma boa rentabilidade, além da busca pelos melhores ativos, o investidor tem que considerar as ameaças do mercado financeiro e saber qual é a sua tolerância ao risco.