O que é Ibovespa? Entenda o principal índice da Bolsa

Redação EuQueroInvestir
Colaborador do Torcedores
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Mesmo quem não investe em ações já deve ter ouvido falar dele. Afinal, é o indicador mais famoso do mercado acionário, e funciona como um termômetro para os investidores saberem como está a bolsa de valores brasileira (B3). Estamos falando do Ibovespa.

Quem pretende ter uma carteira de investimentos diversificada, com renda fixa e renda variável, precisa compreender o que é o Ibovespa e como ele funciona.

O que é o Ibovespa

Primeiramente, o Ibovespa é um índice que reúne as empresas mais relevantes negociadas em bolsa. Este grupo de ações corresponde a cerca de 80% dos negócios do mercado de capitais nacional. Fazem parte do índice ações que atendem a alguns critérios, como liquidez e volume financeiro de negociação nos últimos 12 meses.

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Em outras palavras, o Ibovespa é uma carteira teórica das ações mais negociadas na bolsa. Quando ele sobe, significa que as cotações, em média, tiveram valorização. Ou seja, o mercado está otimista. Quando ele cai, significa que as ações sofreram queda nos preços.

Antes de continuar, é importante dizer que o Ibovespa é medido em pontos. Cada ponto equivale a 1 real. Por exemplo, quando o Ibovespa está em 100 mil pontos, representa um portfólio com valor de R$ 100 mil.

O índice atingiu seu recorde histórico em dezembro de 2019, superando 115 mil pontos.

O Ibovespa também é conhecido pela sigla IBOV. Ele é reavaliado pela B3 a cada quatro meses.

Quando o Ibovespa foi criado?

Esse importante índice foi criado no dia 02 de janeiro de 1968, a partir de uma aplicação hipotética.

Naquela época, atribuiu-se o valor-base de 100 a um lote-padrão, cuja carteira cresce sem receber mais nenhum aporte financeiro.

Nesse caso, contava com o acréscimo exclusivo de proventos gerados pelas ações que compõem o lote-padrão, como o reinvestimento de dividendos, exercício de direitos e bonificações.

Quando o Índice Bovespa foi criado, a ideia era que todas as ações tivessem o valor equivalente a 100 cruzeiros novos (moeda da época), convertidos em 100 pontos.

Existem vários índices de bolsa semelhantes ao Ibovespa ao redor do mundo. Por exemplo, nos Estados Unidos, um dos mais conhecidos é o S&P500, mas também existem os índices Nasdaq e o Dow Jones.

Na Inglaterra, o índice é chamado de FTSE 100, enquanto o índice da bolsa de Tóquio é o Nikkei 225, e assim por diante.

Como é composta a carteira?

Essa carteira é composta por ações escolhidas através de critérios de representatividade de cada ativo no mercado de capitais.

Para participar dessa carteira, as ações devem ser negociadas regularmente e atender a algumas condições:

  • Corresponder, de forma cumulativa, a 85% das negociações ocorridas durante o período anterior
  • Ter volume de negócio maior ou igual a 0,1% nos últimos 12 meses
  • Ter participado em, no mínimo, 95% dos pregões dos últimos 12 meses
  • Não deve ser uma penny stock (ações com cotação média abaixo de R$ 1)
  • Não pode estar em recuperação judicial ou extrajudicial, regime especial de administração temporária, ou intervenção

É importante destacar que os requisitos foram os mesmos durante 45 anos, de 1968, quando o Índice Bovespa foi criado, até 2013.

Mas, em 2014, o cálculo do índice foi alterado e passou a ser feito a partir do valor de mercado das ações em circulação (free float).

Os ativos que se enquadram nos padrões exigidos pela bolsa de valores são ponderados segundo um índice de negociabilidade.

Este índice tem seu peso calculado da seguinte forma: 1/3 da participação no número de negócios da ação e 2/3 através do seu volume financeiro.

Reavaliações do índice

A carteira teórica do Ibovespa é reavaliada quadrimestralmente e vale pelos períodos de janeiro a abril, maio a agosto e de setembro a dezembro.

Portanto, as novas listas entram em vigor na primeira segunda-feira do primeiro mês de cada período.

Ou seja, em janeiro, maio ou setembro de cada ano.

Desta forma, é possível incluir ou excluir as ações que se enquadraram ou deixaram de atender critérios preestabelecidos.

Para saber quais ações compõem o Ibovespa, confira no site da B3.

Como investir na bolsa de valores?

Instabilidades existem, e por isso mesmo os especialistas defendem que a bolsa de valores deve ser um investimento de longo prazo.

Por isso, se você tem um objetivo para o futuro, esta pode ser uma boa alternativa para aumentar o retorno da sua carteira.

Existem várias formas principais de investir na bolsa de valores. Uma delas é comprar ações diretamente. Para isso, é preciso abrir uma conta numa corretora de valores.

Produtos baseados no Ibovespa

Além de investir em uma ação de determinada empresa, o investidor pode investir em produtos relacionados ao índice. Isso significa que estes produtos variam conforme o Ibovespa.

Fundos de índice

Os fundos de índice – ou Exchange Traded Funds (ETFs) – têm como objetivo seguir o seu benchmark.

Um exemplo bastante conhecido é o fundo de índice BOVA11, que acompanha o andamento do Ibovespa, mas existem outros.

Fundos de ações

Você também pode investir em fundos de investimento para diversificar sua carteira de ações. Um exemplo de fundo que acompanha a rentabilidade do Ibovespa é o BTG Pactual Ibovespa Indexado FIA.

Trata-se de um  fundo de ações que oferece a mesma exposição ao Índice Bovespa, só que de forma mais fácil do que investir individualmente em cada ação na proporção desta no índice.

Mini-índice

Outra maneira de investir no índice é por meio do Mini-índice Bovespa. Este produto é um contrato de compra e venda de uma estimativa do Índice Bovespa para uma data futura, com um preço determinado.

De acordo com a B3, este tipo de investimento foi criado para viabilizar a operação de investidores pessoas físicas e pequenas empresas no mercado de derivativos.

Este tipo de ativo foi criado originalmente para a proteção do investidor. Isso porque ele protegem contra as oscilações do ativo-objeto – neste caso, o Ibovespa. Mas os derivativos também são usados como forma de especulação.

Índice funciona como referência

Mas o Ibovespa não serve somente para dar origem aos vários tipos de produtos citados acima. Outra função importante é servir como referência para o mercado acionário. Em outras palavras, ele é um ‘benchmark’.

Ou seja, se um investidor tem uma carteira de ações e precisa saber se seu investimento teve um bom desempenho, ele vai comparar a rentabilidade com o Ibovespa. Caso tenha superado o índice, significa que o investimento foi bom.

O que faz o índice subir ou descer

Da mesma forma que acontece em qualquer mercado, o Ibovespa obedece a lei de oferta e demanda. Quanto mais pessoas e instituições estiverem interessadas em comprar as ações que compõem o índice, mais ele vai subir.

No mercado financeiro, os investidores tomam suas decisões de compra ou venda baseados nas suas expectativas para o futuro. Crises políticas, pandemias, turbulências externas são alguns dos exemplos que fazem o mercado cair.

Isso porque nestes momentos o mercado prevê uma saída dos investidores da bolsa, com impacto negativo sobre o Ibovespa. Acontecimentos relativos aos negócios das empresas também fazem a bolsa subir ou cair. Quanto mais promissor o futuro da empresa, melhor para a ação, e vice-versa.

Sobe e desce na história

Quando o tombo do Ibovespa é muito grande, geralmente é associado a uma expectativa negativa para o mercado como um todo.

Confira abaixo as correções históricas do Ibovespa que superaram 15%.

Fonte: XP e Bloomberg

Pelo gráfico, fica evidente a influência das crises internacionais sobre a cotação do índice. Os anos de 2001 e 2008 são exemplos disso.

No primeiro caso, por causa dos atentados ao World Trade Center nos EUA e crise na Argentina, impulsionada  pela Crise do Apagão no Brasil, destacou a XP em relatório.

Em 2008, por causa do colapso financeira ausado pela da crise do subprime. Agora em 2020, a pandemia do coronavírus e seus desdobramentos têm levado a bolsa a fortes oscilações em um curto espaço de tempo.