O que é crédito privado?

Redação EuQueroInvestir
Colaborador do Torcedores
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Estamos saindo de um período de juros nas mínimas históricas. Com isso, o crédito privado foi muito procurado por investidores. Mas você sabe o que é esse investimento?

Imagine que uma empresa deseja se financiar. Digamos que ela queira aumentar a sua frota de carros/caminhões, investir em maquinários ou até compra de novas fábricas. Quando uma empresa encontra-se nessa situação, ela se vê diante de algumas opções. Primeiramente pode pegar um empréstimo no banco. Além disso, pode emitir uma dívida no mercado de capitais.

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Quando uma empresa decide fazer essa última operação, quem acaba levantando dinheiro para a empresa somos nós investidores. Ou seja, em prol de receber uma quantia financeira, a empresa acaba emitindo uma dívida, que nós investidores teremos lastro por meio de um papel (título).

Logo, estamos dispostos a abrir mão do consumo imediato para dar o nosso dinheiro em troca de um título. Este vai fornecer uma remuneração e uma duration mais longa.

Quais seriam os riscos do crédito privado?

Sempre que emprestamos o nosso dinheiro, uma dúvida surge: será que eu vou receber o meu dinheiro de volta? Essa dúvida é, com toda razão, a mais frequente do mercado financeiro. Quando decidimos comprar um título do governo, também conhecido como “risco soberano”, a chance de um “calote” acaba sendo mitigada.

Quando optamos por uma emissão bancária, ficamos relativamente tranquilos. Existe o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) que protege o investidor em até R$ 250 mil em um único banco (totalizando R$ 1 milhão em 4 instituições diferentes).

Porém, o que acontece quando um crédito privado (CP) dá errado? A resposta, apesar de ser simples, traz consequências severas: o investidor perde o seu dinheiro.

No caso de crédito privado, quando uma empresa declara falência, o investidor arca com o prejuízo. Logo, a pessoa ao querer aplicar em um CP deve atentar-se ao rating da empresa a qual o seu dinheiro está sendo investido, saúde financeira da mesma, e o motivo pelo qual ela busca crédito. Quando se busca conhecimento, o risco de crédito se torna muito mais palpável e as surpresas não aparecem.

Existe uma máxima no mercado financeiro que diz: “não existe almoço grátis”. Logo, quando é encontrado um título que paga um valor muito acima da Selic do período pense e reflita. Por que uma empresa estaria me pagando tanto para ter o meu dinheiro? O quão arriscado é esse investimento? Afinal, ter um título sendo marcado a zero, é um incomodo que ninguém quer.

Como funciona marcação a mercado?

Agora, vamos adentrar a um ponto crucial sobre o spread de crédito, a marcação a mercado.

Para sair do âmbito teórico, vamos usar um exemplo do dia a dia. Digamos que você comprou um apartamento no valor de R$ 500 mil em um bairro da sua cidade. Normalmente, quando um investidor compra um imóvel ele está pensando na valorização do seu bem.

Porém, o que aconteceria se você, no dia posterior a compra do seu imóvel, chamasse o seu corretor imobiliário e perguntasse para ele quanto está valendo o apartamento caso você quisesse vendê-lo?

A ideia de chamar diariamente um corretor de imóveis para saber o preço do seu imóvel possa parecer esdrúxula, e até sem sentido. Raramente compramos um ativo para vendê-lo um dia depois. Mas é exatamente assim que funciona a marcação a mercado.

Agora imagine que 1 mês após a compra iniciasse uma obra ao lado. Caso naquele dia de início de obra você deseje vendê-lo, provavelmente haveria um decréscimo no preço. O comprador teria que conviver durante alguns meses com barulhos de obra. Ou seja, quando você estivesse “cotando” o seu apartamento, haveria uma desvalorização do preço de compra.

Logo, nesse nosso cenário hipotético, se você chamasse o seu corretor de imóvel todos os dias, questionando-o sobre o quanto o seu apartamento está valendo naquele dia, haveria uma enorme flutuação de preço.

A marcação a mercado, de uma maneira grosseira, é justamente isso. Ou seja, todo dia útil você recebe a informação de quanto você iria receber, caso executasse a venda dos seus ativos financeiros naquele momento.

O que é spread de crédito?

A seguir, vamos entender o spread de crédito. Nos últimos anos, vimos o número de pessoas físicas da bolsa crescer consideravelmente.

Agora, a pergunta que fica é: quanto desse dinheiro veio da poupança e quanto migrou de um ativo para o outro? Pois é, é justamente desse fluxo de um ativo para um novo que os créditos privados podem sofrer.

Imagine que você é um gestor de um fundo de renda fixa de crédito privado. A sua estratégia é comprar uma porcentagem do patrimônio líquido do seu fundo em dívidas de empresas, de diferentes ratings. Também deixa parte do seu dinheiro alocado em caixa.

Durante anos, o seu fundo era um dos mais procurados. O fluxo de dinheiro que chegava no seu fundo era muito maior que o fluxo de saída.

No entanto, em um certo momento, o número de cotistas começaram cada vez a pedir mais e mais resgate. O que você faz? Começa a usar o dinheiro que você deixou em caixa. Porém, é sempre importante manter a proporcionalidade do caixa do seu fundo. Logo, para manter a antiga proporção, você terá que começar a se desfazer de ativos.

Observe que você está se desfazendo de ativos única e exclusivamente porque houve uma saída muito grande de dinheiro e não porque o risco de crédito privado. A chance de calote das empresas não aumentou. Muito pelo contrário, no cenário de juros baixos, as empresas estão mais saudáveis financeiramente do que estavam a alguns anos atrás.

Porém, olha o cenário em volta: você está vendendo um título de CP, ou seja, de renda fixa, em um momento que o “investimento do momento”, o que mais atrai número de pessoas, é a bolsa de valores ou simplesmente investir na economia real.

Oferta e demanda

Lembrando daquela lei básica da economia, de oferta e procura, o que acontece com o preço de algo quando ninguém quer comprá-lo? Exato: o preço cai. No crédito privado é igual.

Imagine que você comprou um título de Preço Unitário (PU) R$ 1.000. Depois de 1 ano ele valorizou R$ 50 (agora ele vale R$ 1.050). Assim, o título apresenta uma rentabilidade de 5% ao ano.

Todavia, quando o investidor for analisar comprá-lo, o trade off de deixar o dinheiro dele intangível por 1 ano, para ganhar 5%, não parece ser atrativo. Logo, ele decide não comprar.

Como você, gestor, precisa liquidar esse título hoje mesmo, visto que o prazo de resgate e liquidação do seu fundo são 0 e 1 dia, respectivamente, você melhora a oferta para o investidor.

Agora você está oferecendo para ele um título que vai remunerar não 5% ao ano, mas sim 10% ao ano. Porém, como você remunera alguém sendo que o emissor do título só vai pagar os 5% prometido?

Spread de crédito

É nesse ponto que entra o spread de crédito.

Em prol de remunerar o investidor 10% aa, sendo que o emissor só vai pagar 5% aa, uma parte do valor do seu título, que originalmente era R$ 1.000 será comido.

Logo, o intermediário (corretora, banco, etc) que vai comprar o título de você não irá mais comprá-lo pelo o seu Preço Unitário original, ou seja, R$ 1.000. Agora, para que ela consiga revendê-lo para um terceiro com uma rentabilidade de 10%, ela vai comprar esse título de você por R$ 950.

Porém, o que é feito com os R$ 50 que “sumiram” do seu preço original? Esse valor é incorporado a taxa que o emissor se planejou a pagar, fazendo com que a pessoa que comprou o seu antigo título receba um título novo, no valor de R$ 1.000, mas que renda em 1 ano R$ 100, dando a rentabilidade de R$ 1.100, ou seja, 10% aa.

Conclusão

Dentro do mundo dos investidores existem diversos tipos: holders, day traders, swing traders, scalpers e um dos mais importantes e dolorosos de todos: Contrarians.

Afinal, o que significa ser um “Contrarian“? Este é um investidor que está na contramão do senso comum naquele momento. Geralmente são aqueles que compram algo em um momento não tão badalado e vendem ativos enquanto estão quentes nas notícias.

Investidores que conseguem enxergar oportunidades onde ninguém está olhando geralmente são as pessoas que compram com a maior margem de segurança.

Ser um contrarian nessa situação não está em dar um “all in” na renda fixa e sair de cabeça da renda variável. É conseguir manter a calma e conseguir ver ocasiões de entradas que ninguém mais notou, ou torce o nariz naquele momento.

O risco de crédito privado existe. Porém, não se desesperar ao ver uma marcação negativa a carteira, é crucial para entender o mercado e não tomar decisões apressadas.

Fundos de crédito privado, ou créditos privados em si, não são fontes livres de risco como muitos dizem por aí. Ter a sua reserva de emergência inteiramente nesse tipo de ativo muitas vezes pode causar certas dores de cabeça. Contudo, ter uma parte da sua reserva exposto a esse risco é interessante quando se trata de uma questão de gestão de portfólio.

Espero que essas informações possam ter despertado a sua curiosidade sobre o assunto e que te ajudem a tomar melhores decisões em sua vida financeira.

Quer conhecer as opções de crédito privado? Basta preencher o formulário abaixo para falar com um assessor.

Com Lucas Laitano

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