O que é carry trade? Aprenda agora!

Ronaldo Araújo
Engenheiro e Agente Autônomo de Investimentos, hoje me dedico a divulgar ensinamentos sobre como funciona a Previdência Privada. Acredito que com mais conhecimento é possível fazer melhores escolhas para a formação do patrimônio de longo prazo. Para saber mais acesse www.ronaldoaraujo.com.br
1

Crédito: Reprodução/Pixabay

Ainda existe muita dúvida sobre o que é carry trade. Também não é para menos, pois se trata de uma operação que envolve mercados de diferentes países. Para tornar as coisas um pouco mais complicadas ainda, a transação se dá considerando taxas de juros. No entanto, quem domina esses conceitos pode ter um bom lucro captando as diferenças entre taxas.

Este artigo aborda a transação em maiores detalhes. Ao ler o texto, você saberá exatamente do que se trata a operação. Entenderá qual é o seu mecanismo de funcionamento, além de conhecer quais são os riscos associados. Por fim, compreenderá porque a alta recente da taxa Selic pode ser considerada um chamativo para esse tipo de negociação.

Aproveite o texto e tenha uma boa leitura!

O que é carry trade?

Em tradução literal, o carry trade significa “carregar uma operação”. Até aí nenhuma novidade, visto que algumas transações de swing trade são realizadas dessa forma. A particularidade do carry trade fica por conta do ativo objeto negociado, que nesse caso são taxas de juros. Outro ponto de atenção fica por conta da interoperabilidade entre países, se configurando em uma operação feita em mercados de diferentes nações.

Dessa forma, para que um carry aconteça com maiores chances de sucesso, é preciso que haja uma grande diferença entre taxas de juros dos países relacionados. É comum ver esse tipo de operação no qual a ponta tomadora de juros aconteça em países desenvolvidos (onde a taxa de juros básica da economia é baixa) e a ponta cedente dos juros ocorra em locais nos quais essa taxa é alta. A expectativa é lucrar com a diferença dos juros tomados e emprestados.

De que forma o carry trade funciona?

Podemos recorrer a um exemplo simples para entender melhor como esse tipo de operação funciona: se considerarmos os EUA como ponta tomadora, deve ser feito um empréstimo considerando a taxa daquele país. Normalmente, os juros praticado estão próximos de zero. Assim, U$ 1000 mil emprestados a 1% ao ano resultaria em uma dívida de U$ 1010 mil.

Feita essa operação, o especulador escolhe um país no qual a taxa de juros é alta. O Brasil de 2015-2016 é um bom exemplo, pois nessa época a Selic rondava a casa dos 14% ao ano. Assim, o investidor faz o empréstimo em uma taxa muito mais alta. Em termos simples, é como se ele recebesse U$ 1140 mil após passado o mesmo ano. No final das contas, a ideia é ficar com a diferença do valor tomado e emprestado que nesse caso seria de U$ 130,00.

Mercado Forex

Existe ainda a possibilidade de praticar o carry trade em um mercado mundial chamado de Forex. Nele ocorrem negociações de forma direta, em pares de moedas. O investidor escolhe qual par deseja negociar e todas as conversões necessárias são feitas de modo automático. Assim, o investimento se concentra em auferir lucro na variação da cotação do próprio par escolhido, dispensando operações de conversão de moedas por meio do câmbio local, por exemplo.

Quais são os riscos de fazer carry trade?

Em um mundo ideal, o exemplo acima descrito funcionaria sem nenhum tipo de problema. No entanto, não é bem assim que a realidade se apresenta. É necessário considerar alguns fatores que têm forte influência sobre as operações de carry trade. A seguir, apontamos duas variáveis essenciais que todo investidor de carry trade precisa considerar antes de tomar a decisão de efetuar alguma transação.

Câmbio

Como já foi explicado anteriormente, o carry trade considera a diferença de taxas de juros entre dois países. Sendo assim, é preciso tomar o recurso em uma determinada moeda e fazer o empréstimo do valor em um outro tipo de numerário. Assim, é natural que a taxa cambial dos dois países relacionados seja considerada, pois trará impactos diretos na rentabilidade (ou prejuízo) da operação.

Outro ponto a considerar em relação ao efeito que o câmbio pode proporcionar à transação é sua flutuação durante o tempo em que o recurso permanece emprestado, ou seja, com a ponta doadora. Normalmente as elevações na cotação aumentam os ganhos, enquanto que uma baixa em seu valor proporciona perdas de capital.

Política monetária

Enfim existe também o risco político e econômico do país no qual se faz o empréstimo do valor tomado anteriormente. Cada nação possui sua política econômica e ela pode ser alterada de acordo com o governo vigente. Em empréstimos de longo prazo, isso pode causar uma variação muito grande no retorno esperado e isso não pode deixar de ser considerado.

Além disso, existe também a possibilidade da ocorrência de crises internas ou até mesmo mundiais. Foi o que aconteceu, por exemplo, em 2008 com o crash do subprime norte-americano. Nessa época, grandes fundos de investimentos que operavam carry trade tiveram enormes prejuízos, visto que é uma operação que não permite cobertura na forma de hedge.

Quais são as vantagens do carry trade?

O mercado de juros é um dos maiores de todo o planeta. Nesse sentido, o carry trade oferece a vantagem de possuir uma altíssima liquidez. Em se tratando do mercado Forex, por exemplo, as oportunidades de entrada e saída são instantâneas e não há nenhum problema para abrir ou encerrar uma operação. Para se ter uma ideia da disponibilidade desse mercado, seu horário de funcionamento é de simplesmente 24 horas por dia e 7 dias por semana.

Outro grande usufruto que operadores de carry trade têm a disposição é a grande variedade de combinações de taxas de juros possíveis de serem feitas. Como a operação se dá basicamente entre pares de moedas considerando os juros praticados, é possível fazer a transação entre quaisquer moedas de quaisquer países do planeta. Claro que há de se considerar os riscos de tomar um empréstimo no país que servirá de ponta tomadora dos recursos.

Saber o que é carry trade ajuda o investidor a montar operações de modo muito mais consciente. Transacionar taxas de juros entre países não é algo simples, já que envolve uma série de conversões de moedas. No entanto, com a alta recente da taxa Selic pode ser que a operação se mostre vantajosa novamente. Após passar um longo período na casa dos 2% ao ano, a alta de nossa taxa básica de juros abre um ótimo gap para que seja captada a diferença com os juros dos países desenvolvidos.