O que acontece com as ações da Magalu (MGLU3) e Via (VIIA3)?

Felipe Moreira
Editor na EuQueroInvestir, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional.
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Com expectativa de selic de dois dígitos, inflação alta, desaceleração da economia e com o risco fiscal no radar dos mercados, somado a um terceiro trimestre que já trouxe sinais um tanto desanimadores sobre o ritmo de retomada, as ações das gigantes do e-commerce sofrem bastante neste ano.

Magazine Luiza (MGLU3) e Via (VIIA3) já perderam mais de 50% de valor de mercado em 2021 e as perspectivas ainda são nebulosas.

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Além disso, a concorrência pelas vendas no ambiente virtual deve se acirrar ainda mais após a captação bilionária realizada pelo Mercado Livre (MELI34). A companhia agora conta com um caixa de R$ 8,5 bilhões para investir no Brasil, o que deve torna as coisas mais difíceis para as empresas brasileiras.

Isso porque historicamente a disputa por espaço no e-commerce resulta em forte queima de caixa por parte das empresas.

Magazine Luiza (MGLU3)

Além do cenário difícil, o Magazine Luiza reportou um conjunto mais fraco de resultados no terceiro trimestre, com a operação de B&M (lojas físicas) impactada por pressões inflacionárias (e menor demanda por eletrônicos e eletrodomésticos no Brasil).

A Magalu reportou impactos não recorrentes no EBITDA de -R$ 216 milhões, principalmente relacionados a provisões de estoque.

Apesar de um cenário competitivo de curto prazo no e-commerce brasileiro e da difícil base comparativa do enorme crescimento do ano passado (refletindo a mudança digital dos consumidores), o BTG disse que ainda vê volatilidade para players locais de e-commerce no curto prazo, mesmo após a recente correção, mas ainda assim reitera compra de Magalu como uma das principais teses estruturais no setor.

Via (VIIA3) busca monetização de crédito para compensar contingências

Para o BTG a varejista apresentou bons resultados na frente operacional, com destaque para o aumento no número de vendedores e SKUs na operação 3P, entretanto, os resultados trimestrais mostraram as perspectivas de curto prazo mais difíceis para varejistas expostos a eletrônicos e eletrodomésticos no Brasil após o impacto de pressões inflacionárias (e menor demanda por essas categorias), o que pode ser visto nas cotação do papel.

Além disso, os resultados operacionais do terceiro trimestre foram eclipsados pelo fluxo de notícias sobre provisões no trimestre.

Mesmo com grandes melhorias da empresa nos últimos trimestres para monetizar seus créditos fiscais (que totalizam R$ 9,5 bilhões), que a Via diz que poderiam compensar os impactos negativos das maiores provisões, a ação vem sofrendo no curto prazo.

Segundo o BTG, uma melhora na avaliação da Via (VIIA3) dependerá não apenas da monetização dos créditos fiscais, mas também de uma recuperação sustentável no tráfego de pedestres em seu lojas, do desempenho de seu negócio de e-commerce, especialmente o progresso constante em novas categorias em sua divisão de marketplace e a evolução da monetização do GMV nos próximos trimestres.

Dito isso, o BTG recomenda a compra da varejista com preço-alvo de R$ 21.