O Paradoxo da Escolha: ter muitas opções pode ser um problema?

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Divulgação

Em “O Paradoxo da Escolha”, o economista e psicólogo Barry Schwartz defende que a maioria das pessoas estaria melhor se tivesse menos possibilidades de escolhas. Segundo ele, o fato de termos múltiplas opções, ao invés de ajudar em determinadas circunstâncias, podem facilmente levar ao sofrimento.

Você já se viu paralisado diante de muitas escolhas, sem capacidade de tomar decisões importantes? Então, continue a leitura e descubra como evitar esse tipo de impasse!

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O Paradoxo da Escolha: o problema das múltiplas opções

Para Schwartz, um dos dogmas das sociedades ocidentais é acreditar que, para melhorar a qualidade de vida, é preciso maximizar as liberdades individuais. Isso porque a liberdade é essencial para que o ser humano desenvolva todo o seu potencial. Logo, quanto mais liberdade houver, teoricamente mais bem-estar será promovido entre as pessoas.

No entanto, chega-se a um ponto em que a quantidade de escolhas acaba não mais auxiliando. Em vez disso, torna-se um problema, pois o excesso de opções pode levar a um perfeccionismo.

Isso porque, quando se consegue escolher entre inúmeras alternativas, a expectativa é de a decisão tenha sido tomada de forma perfeita. Por isso, se algo não sair exatamente conforme o esperado a partir dessa decisão, a tendência é de arrependimento. Ou seja, o fato de outra escolha não ter sido feita pode levar a grandes frustrações.

Maximizers e satisficers

Para exemplificar seus argumentos, o autor divide as pessoas em dois grupos: os maximizers e os satisficers.

Os maximizers são aqueles que, ao sempre tentarem tomar a melhor decisão possível, acabam se tornando perfeccionistas ao extremo. Para conseguirem fazer uma escolha, precisam analisar todas as opções possíveis, pois nunca se contentam com uma decisão simplesmente boa ou adequada.

Na verdade, os maximizers estão sempre em busca do melhor para as suas vidas, e isso, logicamente, não é condenável. Porém, dependendo da situação, essa atitude pode levar a desgastes desnecessários. Afinal, nem todas as decisões requerem tamanho preciosismo.

Dependendo da energia que precisaremos dispender para uma tomada de decisão, optar pelo satisfatório pode ser o melhor em determinadas situações.

É exatamente isso o que fazem os satisficers, ou seja, as pessoas que estabelecem os próprios critérios de decisão com base nas suas prioridades. Isso não significa que essas pessoas sejam acomodadas ou medíocres, mas sim que agem de forma proporcional em cada situação que precisam resolver.

No início de O Paradoxo da Escolha, Schwartz relata a compra de uma calça jeans que fez há alguns anos. Na ocasião, ele precisou escolher entre diversos modelos com lavagens, cortes e acessórios diferentes. Segundo ele, além de ter perdido um enorme tempo, aquela quantidade de opções não o deixou mais satisfeito do que quando havia menos marcas e modelos disponíveis.

Ou seja, múltiplas opções, por si só, não garantem mais satisfação. É preciso também avaliar se vale a pena dispender tanto tempo para avaliar todas elas.

Diminuindo as expectativas

De acordo com o autor, fatores como expectativas, ingratidão, falta de referências e sobrecarga cognitiva tornam as escolhas cada vez mais complexas e difíceis. Dessa forma, escolher passa a não mais ser um ato de liberdade, e sim um sacrifício, que leva a sérias decepções.

Por isso, Schwartz defende que um dos segredos para a felicidade é equilibrarmos as expectativas.

Além disso, é preciso aceitar que cada escolha implicará abrirmos mão de várias opções, e isso não pode causar sofrimento. Ao contrário, quando reduzimos as opções, o custo psicológico passa a ser bem menor. De forma geral, os conceitos abordados pelo livro podem ser aplicados a várias situações da vida, inclusive aos investimentos. Boa leitura!

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