O mercado financeiro e a síndrome de Pollyanna

Filipe Teixeira
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Crédito: Crédito imagem: http://funny.pho.to

Pollyanna é uma personagem do livro homônimo de Eleanor H. Porter, publicado em 1913 éconsiderado até hoje, um clássico da literatura infanto-juvenil.

Após o duro choque de realidade na terça-feira com a divulgação dos dados que apontaram para uma considerável desaceleração da indústria americana, ontem também ouvimos más notícias, desta vez para o setor de serviços, que mostrou seu pior resultado em quatro anos ao cair de 55,3 em agosto para 52,6 em setembro.

A fratura começa a ficar cada vez mais exposta e pode assustar ainda mais hoje (09h30), com os dados do payroll. Se o mercado de trabalho confirmar o pulso fraco, teremos certamente mais estresse nos juros e a continuidade no forte ajuste sofrido pelo dólar nesta semana.

A síndrome de Pollyana

Pollyanna é uma personagem do livro homônimo de Eleanor H. Porter, publicado em 1913 e considerado até hoje, um clássico da literatura infanto-juvenil.

O livro narra a história de uma menina de onze anos que após a morte de seu pai, muda de cidade para ir morar com uma tia rica e severa que não conhecera anteriormente. Em seu novo lar, passa a ensinar às pessoas o “jogo do contente”, aprendido com o seu pai, que consiste em procurar extrair algo de bom e positivo em tudo, mesmo nas coisas aparentemente mais desagradáveis.

Justamente o que parece acontecer com a maior parte dos analistas da praça.

Afinal, a desaceleração da maior economia mundial é apenas a ponta do iceberg.

Se o Reino Unido sair da União Europeia sem acordo, como pretende seu irresponsável primeiro-ministro, Boris Johnson, veremos as tarifas das exportações do Reino Unido para a União Europeia saindo de zero para 10% em um piscar de olhos.

E esta é, infelizmente, a hipótese mais provável. Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, sabedor disso, já anunciou seu pacote de estímulos financeiros à zona do euro, ou seja, já tirou o que tinha e o que não tinha de sua cartola.

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O Brasil deposita muitas de suas fichas, no acordo que acabou de assinar, entre Mercosul-União Europeia, porém, partiu do princípio de que a Argentina seria parceira. E de fato seria, se Maurício Macri se reelegesse, o que sabemos hoje, é bastante improvável que aconteça.

O retorno do kirchnerismo, aprofundará a crise argentina e se a União Europeia realmente estiver encolher em virtude do Brexit, cairão os US$ 42 bilhões que o Brasil exporta para o bloco anualmente.

Imaginar que não sofreremos as consequências de um Brexit sem acordo, é elevar o “jogo do contente” para um nível estratosférico.

Lembrando que o mais novo amigo de Bolsonaro, o presidente francês Emmanuel Macron, já demonstrou sua insatisfação com os termos deste acordo.

Temos também o problema do petróleo, que disparou mais de 15% depois que drones bombardearam uma estação de processamento da Saudi Aramco na Arábia Saudita.

Notamos uma enorme dificuldade da commoditie em fazer preço para cima, e por enquanto está sendo mantido e bancado por um aumento da produção da Opep, mas sabemos que há um conflito em formação no oriente médio, o que pode fazer com que o cenário mude completamente. O ataque à Aramco nos deu uma prévia e ela assustou.

Temos ainda o problema da curva de rendimento invertida nos juros dos títulos americanos, que já ocorre há 3 meses. Toda vez que essas taxas ficaram invertidas, houve recessão nos EUA.

As empresas norte-americanas nunca estiveram tão alavancadas. Explico: Tem sido cada vez mais comum por parte das empresas, a prática que consiste em tomar dinheiro emprestado a custo baixo e investir no mercado financeiro. Logo, se o dividend yield [dividendo por ação dividido pelo preço por unitário] cair, isso deixa de fazer sentido.

Ouvi em uma entrevista do brilhante economista e professor do Insper, Roberto Dumas, que esta operação é conhecida como share buyback, onde a companhia recompra sua ação para colocar no caixa da empresa.

Em se confirmando a recessão indicada pelos yields inversos dos treasuries, teremos um grande movimento de venda deste ativos, em um futuro não muito distante.

Coloque na conta, o desgaste político que Donald Trump enfrentará em seu processo de impeachment e finalize com o cenário completamente incerto a respeito das negociações com os chineses.

E se ainda assim, você realmente achar que as propagandas de bolsa a 120 mil pontos até o final de 2019 no seu Instagram fazem sentido, eu lhe recomendo fortemente ler o manual de regras do Jogo do contente, descrito na obra prima de Eleanor H. Porter.

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