O impacto do coronavírus no pagamento de dividendos

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
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Crédito: O impacto do coronavírus no pagamento de dividendos

Os efeitos do coronavírus na economia deixaram o mercado acionário febril. Alguns fundos de investimento foram contagiados e o pagamento de dividendos ficou comprometido.

Companhias aéreas e shoppings centers foram, possivelmente, os setores mais impactados. A deterioração da situação financeira de alguns inquilinos impactou o resultado operacional.

Levantamento da XP Investimentos indica que esse cenário refletiu em menor distribuição de dividendos em praticamente todos os segmentos de fundos imobiliários.

Entre os fundos de “tijolo”, disse, os mais impactados serão os fundos de shopping centers devido ao comprometimento do fluxo de pessoas.

Com resultado operacional fraco, os fundos de shoppings apresentaram redução drástica no pagamento de dividendos em abril, uma queda de 97% em relação a fevereiro.

Para lajes corporativas e galpões logísticos, o impacto será significativamente menor. No entanto, já é possível verificar queda na distribuição de dividendos.

Principalmente fundos com maior exposição aos setores mais afetados ou empresas com posição de liquidez menos confortável.

Os fundos de ativos logísticos apresentaram queda de 14% no pagamento de dividendos em relação a fevereiro.

Os fundos de lajes corporativas apresentaram queda de 9% e os fundos monoativos corporativos apresentaram aumento de 4%.

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Recebíveis

De acordo com a XP, para os fundos de recebíveis, a queda do pagamento de dividendos dos está em menor grau relacionado à inadimplência.

Eles se seguram em suas estruturas robustas de garantias dos CRIs, como o fundo de reserva, mas pela queda das taxas de juros e inflação nos últimos meses, o que implica em menor rendimento dos ativos de renda fixa, normalmente indexados à inflação ou CDI.

Performance

Conforme a XP, após os mercados terem ensaiado uma pequena recuperação em abril, o cenário ainda é cercado de muita incerteza.

Assim, os investidores ainda seguem com grande aversão ao risco devido a baixa visibilidade no curto prazo. Desde o fim de

Desde o fim de fevereiro, os fundos de shopping centers seguem acumulando as maiores perdas, enquanto fundos de agências bancárias, ativos logísticos e recebíveis apresentaram as melhores performances entre os fundos imobiliários.

Para a XP, todos os segmentos devem ser afetados no curto prazo mesmo que em magnitude diferente entre os segmentos.

Entre os fundos mais impactos, os fundos de shoppings devem continuar pressionados pela restrição do fluxo de pessoas em razão do isolamento social no curto prazo.

Enquanto isso, os fundos de ativos logísticos e recebíveis tendem a ser menos impactados devido a maior concentração de contratos atípicos e estruturas de garantias que tendem a garantir fluxo de receita mais constante.

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Dividend Yield

Segundo a XP, a queda na distribuição de dividendos acarretou em impactos mistos entre os segmentos de fundos imobiliários.

Olhando para os fundos de shopping centers, observa-se o dividend yield anualizado de 1,4%, queda de 4,4 p.p.,

Já entre os fundos de recebíveis, o dividend yield de 6,9% teve queda de 1 p.p., uma baixa em seus DY consideráveis durante o período.

Outros fundos passaram a negociar com dividend yield mais atrativos devido a recente queda abrupta nos preços das cotas.

A gestora destaca os fundos de lajes corporativas que passaram a negociar com dividend yield de 6,6%, aumento de 0,4 p.p., em relação ao mês de fevereiro.

Apesar do IFIX ensaiar uma leve recuperação em Abril, com leve alta de 4% no mês, acumula uma queda de 18% desde o começo do ano devido ao aumento da aversão ao risco dos investidores em razão aos impactos da Covid -19.

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