O Impacto da Lava Jato no Mercado Financeiro

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Juliano Custodio
Juliano Custodio é empreendedor digital, apaixonado por tecnologia, investimentos e tudo o que esta mistura pode criar. É também CEO do EuQueroInvestir.com e do EuQueroInvestir A.A.I assessores de investimentos. Me envie um e-mail: juliano.custodio@euqueroinvestir.com Ou então uma mensagem por WhatsApp: (47) 9.8859.2799.

“Como a Operação Lava Jato impactou o Mercado Financeiro e como isso pode afetar os seus investimentos.”

A maior investigação de corrupção da história do Brasil

Há exatos 3 anos (Março de 2014), a Policia Federal do Brasil deflagrou o início da Operação Lava Jato. Do inicio discreto e silencioso, até virar pauta principal dos maiores meios de comunicação do Brasil, abordaremos todos os desdobramentos midiáticos, políticos, e principalmente: econômicos.
Operação lava jato
Independente do seu viés político, não há como negar que a Lava Jato promoveu mudanças contundentes no senso de impunidade, que até então era uma certeza de grande parte da população brasileira (vide Mensalão).

Além de provar que o sistema judiciário, pode sim funcionar alheio a vontades e pressões políticas, a Lava Jato expôs aos olhos dos brasileiros a Propinocracia: Um sistema de gestão de governo, baseado em cobrança de propina, objetivando garantir a governabilidade, perpetuando-se no poder e garantindo o enriquecimento ilícito dos agentes envolvidos.

Mas este não será o foco deste artigo. Faremos uma análise de como se comportou o Mercado Financeiro (e por consequência, os seus investimentos), nos momentos mais importantes da Operação Lava Jato. Para tal, separamos o artigo em períodos anuais:

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-2014
-2015
-2016
-2017

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2014 – A origem do Petrolão

Ao ter conhecimento da doação de uma Land Rover, do doleiro Alberto Youssef (alvo de investigações anteriores da Policia Federal) para o ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, descobriu-se um gigantesco esquema de corrupção, que envolvia o pagamento de grandes construtoras á Petrobras, por meio de contratos superfaturados.

Através das primeiras delações premiadas de Youssef e Paulo Roberto, as evidências apontavam que a propina, financiava não apenas o enriquecimento de funcionários da Petrobras, mas também a compra de votos e financiamento de campanhas, por parte de políticos.
A origem do petrolão

Entre os partidos envolvidos, estavam o PP, o PT e o PMDB, com nomes de peso do cenário político: o presidente do Senado, , e da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, por exemplo.

Outros dois nomes importantes, foram os de dois ex-ministros do primeiro mandato de Dilma Rousseff: , que comandava a pasta de Minas e Energia, e , ex-chefe da Casa Civil.

Completavam a lista, empresários e executivos das principais construtoras do país: Camargo Corrêa, Odebrecht, Engevix, Andrade Gutierrez, Galvão Engenharia, Toyo Setal, Queiroz Galvão, Mendes Júnior, UTC e OAS.

Impacto na Construção Civil

Uma das “vítimas” da Lava Jato, a empresa de produtos e serviços de engenharia Mills, teve uma vertiginosa queda no valor dos seus papéis, como podemos observar no gráfico abaixo:
Gráfico interativo da ação MILS3

Nascia então, um dos maiores e mais bem elaborados esquemas de corrupção da história: O Petrolão.

Estima-se que o prejuizo à Petrobras, tenha ultrapassado os R$42 BI.

2015 – “Que País é Esse?” e o Pixuleco

Em 2015, já com status de grande evento midiático, a Lava Jato em sua 8ª fase, prendeu o ex-diretor de operações internacionais da Petrobras, Nestor Cerveró.

Nestor Cerveró

Julgado pelo Juiz Sergio Moro, Cerveró foi condenado a 12 anos de prisão, pelos crimes de Corrupção Passiva e Lavagem de Dinheiro. Após condenação, Cerveró assinou acordo de delação premiada, e foi aí que as coisas começaram a ficar ainda mais interessantes.

Sergio Moro

Em depoimento, o ex-diretor afirmou que a então presidente Dilma Roussef, teve participação efetiva, na compra da Refinaria de Pasadena, negócio que causou um prejuízo aproximado de R$1.8 Bilhão, segundo a Controladoria Geral da União.

Dilma Roussef

Entre os “beneficiários” do escândalo de Pasadena, constava o nome do senador Delcídio do Amaral, ex-ministro de Minas e Energia e ex-diretor da própria Petrobras. A delação de Delcídio, foi uma das mais aguardadas da história da Lava Jato.

Delcídio do Amaral

Enquanto isso, as acões da Petrobras seguiam em forte queda, conforme podemos observar:

Gráfico interativo da ação PETR3

Publicada apenas em março 2016, Delcídio acusou os ex-ministros Antonio Palocci, Erenice Guerra, e Silas Rondeau, de envolvimento num esquema de R$ 45 milhões. Delatou também o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Ainda entre os nomes citados por Delcídio estão o do ex-presidente Lula, o da então presidente Dilma Rousseff e os dos senadores , , Eunício Oliveira, , , , , e o do presidente da Casa, .

“Que país é este???”

“Que país é este???”
Apontado pela Lava Jato como intermediador do PT no esquema de corrupção na Petrobras, o ex-Diretor Renato Duque, protagonizou um dos momentos mais surreais da Operação.

A frase foi dita ao telefone, para seu advogado, após ser comunicado pelos agentes, já dentro de sua casa, que seria levado para a carceragem da PF em Curitiba, base da investigação.

Seria cômico, se não fosse trágico.

2015 ainda seria marcado pela Operação Pixuleco, 17ª fase da Lava Jato. Termo criado pelo ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, para designar o dinheiro pago como propina. João “Pixuleco” Neto, já foi condenado em quatro ações decorrentes da Lava Jato, que, juntas, resultam em 41 anos de prisão.

Ainda nesta fase da operação, foram emitidos pedidos de prisão preventiva para: Fernando Antônio Guimarães (Lobista), Celso Araripe (Gerente da Petrobras) e o “glorioso” José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil e antigo braço direito do ex-Presidente Lula.
17ª fase da Lava Jato.

2016 – Triplex, Pedalinhos e Pedaladas

Condução Coercitiva de Lula

Na data de 04/03/2016, numa manhã de sexta-feira, , dando prosseguimento a 24ª fase da Operação Lava Jato, a Policia Federal cumpriu mandatos nos endereços do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do seu filho, Fabio Luiz Lula da Silva.

A operação foi deflagrada com base em investigações sobre a compra e reforma de um sítio em Atibaia frequentado pelo petista, o fato de sua mudança ter sido transportada para o local e a relação desses episódios com empreiteiras investigadas na Lava Jato, além da relação dele com um tríplex no Guarujá reformado pela OAS.

Moro Lula

Após o anuncio de que Lula havia sido levado por policiais para depor no aeroporto de Congonhas, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, chegou a se valorizar quase 6%.

O índice fechou o dia com alta de 4,01%. Como ja havia subido 5,12%, no dia anterior, com as notícias do vazamento de uma suposta delação premiada do senador Delcídio Amaral, Na semana, a alta acumulada foi de 18%, a melhor desde 2008.

Entre as ações que mais subiram estão as da própria Petrobras. Os papéis da empresa fecharam o dia com valorização de 9,89%, algo impensável, desde o início do Petrolão.

A cotação do dólar frente ao real, despencou, chegando a ser negociado a R$ 3,65. A moeda americana fechou o dia a R$ 3,76. E na semana, o recuo foi de 5,93%, a maior queda em sete anos.

Gráfico Ibovespa x Lava Jato

Abaixo, um gráfico do Indice Ibovespa, em cada fase da Lava Jato até aqui.
Gráfico Ibovespa x Lava Jato

Enquanto isso, em Brasília

Já com as contas rejeitas pelo Tribunal de Contas da União (As tão famosas Pedaladas Fiscais) e com a Abertura do Processo de Impeachment autorizado na Câmara, a presidente Dilma, em “solidariedade” à Lula, tenta nomeá-lo como novo Ministro da Casa Civil.

Gilmar Mendes, ministro do STF suspende a nomeação, menos de 24h após a divulgação no Diário Oficial, alegando tentativa de fraudar a investigação da Lava Jato.
Lula-Ministro da Casa Civil
Além da suspensão, Mendes determinou, na mesma decisão, que a investigação seguisse a cargo do juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância judicial.

A tentativa de dar um “salvo conduto” a Lula, foi o estopim na crise política já instaurada, e a perda de popularidade do Governo Dilma Roussef atingiu seu ponto mais alto.

Apenas 5 meses se passaram, entre os áudios vazados por Sergio Mouro, e o encerramento do Processo, que culminou com o Impeachment da presidente Dilma Roussef.

2017 – Operação Blackout e a Delação do Fim do Mundo

Em fevereiro de 2017, a Operação Blackout prendeu Jorge Luz e Bruno Luz, pai e filho. Ambos operadores financeiros ligados ao PMDB, tendo manipulado juntos, o pagamento de 40 milhões de dólares em propina, durante dez anos.

Operação Blackout
Entre os beneficiários, políticos, diretores e gerentes da Petrobras. De acordo como o MPF, os dois operadores faziam o intermediário entre quem queria pagar e quem queria receber propina envolvendo contratos com a estatal.

Eles atuavam na Área Internacional da Petrobras, mas em certo momento, passaram a solicitar propina para o PMDB, através da diretoria de Abastecimento, setor de atuação do Partido Progressista (PP), e na diretoria de Serviços, área de atuação do Partido dos Trabalhadores (PT).

Os mandados protocolados pela força-tarefa, tiveram como base, depoimentos provenientes de Delações Premiadas, reforçados pela apresentação de informações documentais, além de provas levantadas por intermédio de cooperação jurídica internacional.

O homem que sabia demais

Ex-Presidente de uma das maiores empresas de engenharia e construção da América, Marcelo Odebrecht sacudiu novamente o cenário político-econômico brasileiro, com as primeiras audiências de sua delação premiada.

Já condenado, ainda em 2016 a 19 anos de prisão, pelos crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa, Marcelo assina em dezembro de 2016 seu acordo de delação, tendo se comprometido também, a pagar, através da Construtora Odebrecht 8,6 bilhões de reais a título de indenização.

Marcelo Odebrecht

“Eu não conheço nenhum político no Brasil que tenha conseguido fazer qualquer eleição sem caixa dois. O caixa dois era três quartos, o que eu estimo. Não existe ninguém no Brasil eleito sem caixa dois…”

Mais de 70 políticos, entre deputados, senadores e ministros, tiveram inquéritos abertos no Supremo com base nas delações da Odebrecht. E um terço é suspeito de ter recebido via caixa dois. De longe, a delação mais importante de toda operação Lava Jato.

Em depoimento, Odebrecht confirmou a alcunha de “amigo” designada ao ex-presidente Lula. Disse ainda que “Italiano” – apelido também lançado em planilhas que continham os valores do caixa dois – é uma referência ao ex-ministro Antônio Palocci (Fazenda/Casa Civil/Governos Lula e Dilma) e “Pós Itália” referência a Guido Mantega, que também ocupou o ministério da Fazenda.

Lula

Odebrecht descreveu a Moro a planilha elaborada pelo Setor de Operações Estruturadas da empreiteira, também conhecido como Departamento de Propinas.

Ele falou sobre R$ 4 milhões que teriam sido repassados ao Instituto Lula e na soma de R$ 12,4 milhões supostamente investidos na compra do prédio do mesmo.

Também confirmou a cifra de R$ 50 milhões em propinas para Mantega que teriam sido usados na campanha de Dilma e, ainda, outros R$ 13 milhões em espécie sacados pelo ex-assessor de Palocci, Branislav Kontic, entre 2012 e 2013, valor que teria sido entregue a Lula.

A lista de Fachin

No dia 11/04/17, O ministro do STF Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato, determinou a abertura de inquéritos contra oito ministros do governo do presidente Michel Temer, além de 24 senadores e 39 deputados federais.

Os inquéritos foram abertos mediante pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com base nas delações dos 78 executivos e ex-executivos do grupo Odebrecht.

Lista Fachin

Enquanto isso…

IBOVESPA

FONTE: Infomoney

A Lava Jato em números

A Lava Jato em números
Até o momento, a Operação Lava Jato já passou dos 1400 processos instaurados, 91 prisões preventivas, 101 prisões temporárias e 155 acordos de Delação Premiada para os seguintes crimes: Corrupção, Crime contra o Sistema Financeiro Internacional, Tráfico transnacional de drogas, formação organizacional criminosa, lavagem de ativos, entre outros.

Estima-se que o valor recuperado aos cofres públicos, ao final da operação, alcance os R$10,3 BI.

Todas estas informações, foram amplamente divulgadas pela mídia e estão a disposição para consulta, no site do Ministério Público Federal.

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