O Brasil pode virar a nova Turquia?

Dependência de investimentos externos, inflação em dois dígitos, intervenção do governo no Banco Central…Tudo isso soa muito familiar, não é?  Mas dessa vez, por milagre, não é do Brasil que eu estou falando. É da Turquia.

Roberto Varaschin
Roberto Varaschin é um Colaborador do Portal EuQueroInvestir.Contato: roberto.varaschin@euqueroinvestir.com
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O país vem enfrentando a sua maior crise desde 2001, com uma desvalorização da lira, sua moeda, de mais de 40% frente ao Dólar. Só na sexta-feira passada, dia 10 de agosto, no que economistas turcos batizaram de “sexta-feira negra”, a queda foi de 16%. Isso ocorreu após Donald Trump anunciar sua intenção de dobrar as tarifas sobre importação de aço e alumínio turcos. Mas não confunda as coisas, isso é só a ponta do iceberg, o problema da Turquia vai muito além…

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Quero que você preste bastante atenção na semelhança do que acontece na Turquia e   o que vinha acontecendo no Brasil…

Vamos conhecer Recep Tayyip Erdoğan, que foi primeiro-ministro entre 2003 e 2014, quando assumiu a presidência. De lá para cá já são 15 anos no poder.

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Lá em 2003, quando ele assumiu como primeiro-ministro, a Turquia começava a se recuperar de uma recessão.O seu antecessor, Kemail Dervis, implementou reformas estruturais significativas e Erdogan assumiu os créditos pelos resultados.

Depois disso desregulamentou a economia, diminuiu a burocracia e chamou investimentos estrangeiros (tudo isso é bom). O programa obviamente funcionou bem, e a economia cresceu muito rápido nos anos seguintes. Mesmo com crescimento rápido, a inflação se manteve estável.

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A partir daí, Erdogan mostrou-se um entusiasta do “crescimento a qualquer preço”, e nos anos seguintes estimulou a economia com colossais projetos de infraestrutura. A Turquia, que tem um déficit comercial gigante, por importar mais do que exportar, piorou sua situação, se endividando expansivamente para financiar o crescimento.

Como era de se esperar a inflação bateu a porta, e é de se esperar que os juros subam para controlar a inflação, correto? Não é o que pensa Erdogan, que chegou a afirmar que baixar os juros reduz a inflação. Com esse pensamento ele passou a interferir diretamente no Banco Central, que, em teoria, deveria ser independente.

Lembra alguém?

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A crise da Turquia envolve muitos outros fatores, mas percebe o tamanho do perigo do caminho que estávamos traçando?

Mas calma, a situação cambial do Brasil é muito diferente da Turquia…

De forma bem resumida, a primeira diferença é que o Brasil é um país exportador de commodities, e por natureza temos uma balança comercial bastante positiva, gerando um superávit de U$ 67 bilhões em 2017, enquanto na Turquia, houve um déficit de U$ 76,78 bilhões.

A segunda diferença é que hoje o Brasil tem uma reserva cambial de cerca de US$ 400 bilhões, o que nos deixa confortáveis, até certo ponto. Mas lembre-se, existe muita gente falando em utilizar as reservas cambiais para estimular a economia…

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O Brasil então, no momento atual, não corre o risco de virar a Turquia, e ainda podemos aproveitar esse momento de guerra e sobretaxas para fazer negócios importantes com commodities. Se tudo correr bem, o real logo volta a se valorizar, e a pressão pontual ocasionada pela Turquia irá diminuir.

Apesar disso, não deixe nunca de pensar que basta algumas decisões erradas para aí sim, seguirmos o caminho turco rumo ao abismo.