IPOs na B3 (B3SA3) têm semana com estreias promissoras e adiamentos

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Reprodução/B3

Os últimos dias foram intensos para quem acompanha de perto as estreias de novas empresas na B3 (B3SA3). Com resultados mistos, os IPOs (ofertas iniciais de ações, na sigla em inglês) na última semana trouxeram diferentes cenários para a análise de investidores que pretendem participar desse tipo de operação.

Ao mesmo tempo em que a Smart Fit (SMFT3) viu suas ações se valorizarem 34,78%, em sua estreia, a InterCement (ICBR3) acabou optando por adiar sua abertura de capital por conta da avaliação de piora do cenário.

Em 2020 foram 27 novas companhias na bolsa e em 2021 a fila de ofertas é grande.

IPOs em alta

Smart Fit (SMFT3)

A rede de academias Smart Fit (SMFT3) estreou na quarta-feira (14) em disparada. As ações da companhia fecharam com ganhos de 34,78%, cotadas a R$ 31,00.

O IPO movimentou R$ 2,3 bilhões e foi encerrada na última segunda-feira. O valor do preço por ação foi definido em R$ 23, dentro do intervalo indicado, entre R$ 20 a R$ 25. Os coordenadores da oferta foram o Itaú BBA, o Morgan Stanley, o BTG Pactual, o Santander e o Banco ABC.

De acordo com a empresa, o montante da oferta será direcionado ao caixa da empresa. O objetivo principal é financiar a expansão da rede. Conforme o prospecto, aproximadamente 70% dos recursos serão utilizados para a abertura de novas unidades. A companhia não descartou possíveis aquisições estratégicas.

Sobre a Smart Fit

Desde 1996 o empresário Edgard Corona já atuava no ramo de academias em São Paulo. Em 2008, ele era conhecido principalmente pela sua rede de academias high end Bio Ritmo, com foco nas classes A/B.

A Smart Fit afirma que é a líder do mercado de academias na América Latina, a quarta maior rede do mundo em número de clientes (sendo a maior academia fora dos Estados Unidos da América), e a com maior taxa de crescimento em número de academias próprias no período de 2014 a 2019, dentre as 25 maiores redes de academias de ginástica do mundo.

Atualmente, a Smart Fit tem presença em treze países da América Latina e detém a liderança no Brasil, no México e na região composta por Colômbia, Chile e Peru, em número de clientes ativos, operando no segmento high value low price com a marca Smart Fit e no fitness digital com a marca Queima Diária.

A Smart Fit diz que é a pioneira no modelo de high value low price na América Latina, com a abertura das primeiras academias Smart Fit no Brasil, em 2009, modelo adotado pelas redes de academias que mais crescem no mundo.

O registro de IPO da Smart Fit foi feito à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) em maio de 2021. O pedido foi feito após uma tentativa frustrada de abrir capital em 2018. Naquele ano, a empresa acabou voltando atrás diante das condições adversas do mercado.

Mas, agora, é para valer. Mesmo com a pandemia, a Smart Fit já conta com R$ 750 milhões, que virão da gestora Dynamo, do fundo canadense CPP e do GIC, fundo soberano da Cingapura. Eles já se comprometeram com o IPO, que deve movimentar cerca de R$ 2 bilhões no mercado.

CBA (CBAV3)

A Companhia Brasileira de Alumínio, CBA (CBAV3), estreia na B3 (B3SA3) nesta quinta-feira (15) em alta. No início do pregão, as ações chegaram a se valorizar 11,34%, mas fecharam com ganhos de 5,89%, a R$ 11,86.

O IPO (Oferta Pública Iniciai) da CBA ocorreu no início desta semana, levantando R$ 1,6 bilhão. A precificação do papel ficou em R$ 11,20.

Os recursos serão usados para tirar do papel vários projetos da CBA, principalmente na geração de energias renováveis. Hoje, com geração hidráulica, a empresa tem 100% de geração própria, mas muitas concessões têm vencimento dos contratos próximos. A empresa pretende focar também em comprar outras companhias, por meio de fusões e aquisições (M&A).

A oferta é liderada pelo Bank of America (BofA). As demais instituições são XP, BTG Pactual, Citi e Banco do Brasil.

Sobre a CBA

A CBA foi fundada em 1941, sob liderança de Antônio Ermínio de Moraes, um dos quatro filhos da família fundadora do grupo. Nasceu com o plano inicial de explorar as jazidas de bauxita da unidade de Poços de Caldas (MG) para beneficiamento em uma fábrica localizada na fazenda Rodovalho, em Mairinque (SP).

A empresa afirma que é a única companhia integrada de alumínio do Brasil, atuando desde a mineração da bauxita até a produção de um portfólio completo de produtos primários (lingotes, tarugos, bobinas casters e placas) e transformados (folhas, chapas, bobinas, telhas, perfis extrudados) de alumínio.

A CBA reverteu o lucro líquido de R$ 54 milhões em 2018 para um prejuízo líquido de R$ 34 milhões em 2019. Em 2020 o prejuízo saltou para R$ 879 milhões.

A companhia somou Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 661,8 milhões em 2020. Ou seja, valor menor do que os R$ 988 milhões de 2019 e os R$ 978 milhões de 2018.

cba-ipo

Estreiante na bolsa, a CBA produz alumínio

3tentos (TTEN3)

Os papéis da 3tentos (TTEN3) estrearam de forma movimentada na B3 na última segunda-feira (12). No início da sessão, as ações tiveram ganhos e alcançou 5,71%, a R$ 12,95. Entretanto, oscilou durante o dia e chegou a mínima de R$ 12, queda de 2,04%. Os ativos fecharam em queda de 1,22%, a R$ 12,10.

A empresa de agronegócio levantou R$ 1,35 bilhão com o IPO. A precificação das ações ficou em R$ 12,25. Os coordenadores da operação foram BTG Pactual (BPAC11), Bank of America, Citi, Bradesco BBI, UBS BB e Safra. O pedido de IPO foi inicialmente realizado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em fevereiro deste ano.

A 3tentos comunicou, no final de junho, que “considera conduzir uma oferta pública de distribuição primária e secundária de ações ordinárias de emissão da companhia, com esforços restritos de colocação, e com esforços de colocação no exterior”.

A efetiva realização da oferta restrita “está sob análise da companhia e de seus acionistas, sendo que, até a presente data, não há definição sobre o volume efetivo a ser captado, o preço por ação e o cronograma para a sua implementação”.

Sobre a 3tentos

O Grupo 3tentos tem sua origem no ano de 1954 com o início das atividades agrícolas do casal João Osório Dumoncel e Clélia Luiza Kloeckner Dumoncel, pioneiros no plantio de trigo no noroeste gaúcho.

Com a evolução das atividades, em 1995 é criada a empresa 3tentos Agroindustrial, com sede em Santa Bárbara do Sul – RS que além da produção de sementes, passa também a desenvolver negócios para a comercialização de defensivos e fertilizantes, recebimento, armazenagem e comércio de grãos.

A 3tentos viu sua receita líquida sair de R$ 1,3 bilhão em 2017 para R$ 3 bilhões em 2020. A companhia tem balanços auditados há quatro anos, já vem reformulando suas diretorias e instalou um conselho de administração.

A companhia conta com 43 unidades e 2 parques industriais, distribuídos em 40 cidades, nas quais atende a 17 mil clientes.

Entre os objetivos da realização do IPO, a empresa afirmou em nota: “Pretendemos utilizar os recursos líquidos da Oferta Primária para investimento em planta industrial a ser instalada no Estado do Mato Grosso; reforço de caixa e de capital de giro; investimento em abertura de novas unidades; e aquisições de empresas e ativos do setor”.

O ecossistema digital da companhia envolve o app 3tentos, que tem funcionalidades práticas para o produtor rural como previsão do tempo agronômica, calculadoras agrícolas, preços de grãos, assinatura eletrônica de documentos, ofertas de produtos 3tentos, compatibilidade com certificado digital e outras.

IPOs cancelados

BBM Logística (BBML3)

Prevista para estreiar na estreia na B3 na quarta-feira (14), a BBM Logística (BBML3) optou por cancelar sua oferta pública inicial de distribuição primária e secundária de ações (IPO).

Conforme o companhia, a decisão foi tomada “em razão da instabilidade das condições de mercado e do aumento da volatilidade dos mercados financeiros e de capitais brasileiro percebidos nos últimos meses”.

Esta foi a segunda vez no ano que a empresa adiou a precificação dos papéis. O processo era coordenado pelo Bank of America (líder), XP, Citigroup, Safra e UBS BB.

InterCement (ICBR3)

A InterCement (ICBR3) interrompeu seu pedido de oferta pública inicial de ações por conta da conjuntura desfavorável do mercado. As informações foram divulgadas pela empresa na noite de quarta-feira. Sua estreia seria nesta sexta-feira (16).

De acordo com o que foi publicado pela Bloomberg, a companhia foi pressionada a precificar as ações dentro da faixa de R$ 18,20 a R$ 25,50. De acordo com o Estadão, alguns investidores sinalizaram que só estariam dispostos a pagar um preço abaixo do chamado piso da faixa sugerida. Pelo preço médio, a operação poderia movimentar R$ 3,3 bilhões, considerando o lote principal, de 150 milhões de ações.

Além disso, outras razões pesaram para o menor interesse dos investidores. Uma delas é o fato da operação ser totalmente secundária, de forma que os recursos vão apenas para os sócios, ficando fora do foco de expansão. E ainda, a realidade do setor de cimento, que tem capacidade ociosa elevada, com baixo potencial de crescimento no curto prazo.

Com a desistência, todos os pedidos de reserva serão cancelados. Caso investidores já tenham efetuado qualquer pagamento, os valores depositados serão devolvidos sem qualquer remuneração, juros ou correção monetária, sem reembolso de custos e com dedução, caso incidentes.

A InterCement tem operações na Argentina, Egito, Moçambique e África do Sul. O plano da empresa era listar a unidade brasileira na B3 e permanece monitorando as condições de mercado para dar continuidade ao IPO.

InterCement

Unidade da InterCement. Divulgação

Próximos IPOs na B3

Entre outras empresas que vão agitar a B3 ainda em julho, a Privalia divulgou na última segunda-feira seu prospecto para o IPO, com a faixa indicativa de preço para seus papéis, que vai de R$ 16,30 a R$ 18,10. Conforme as informações, a companhia vai emitir em oferta primária a quantidade de 23,235.551 ações, enquanto atuais acionistas venderão 20.348.837 papéis (oferta secundária).

A Multilaser (MLAS3), que havia adiado a precificação esta semana, deixou para fazê-la na terça-feira (20). O ajuste no cronograma foi feito por orientação da CVM, após a companhia fazer um acerto no balanço. A faixa indicativa de preços vai de R$ 10,80 a R$ 13. A estreia está prevista para dia 21. A empresa pode levantar R$ 2 bilhões em seu IPO, considerando o preço-médio de R$ 11,90 por ação, de acordo com documento enviado à CVM.

A Desktop, empresa regional de fibra óptica, espera precificar sua ação no dia 19.

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